Vampiro Klainhall - parte 3

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Vampiro Klainhall – parte 3

          Haviam duas luzes.

          Uma vermelha.

          Uma verde.

          Curioso como ambas começam com "v".

          O tempo da troca da luz do semáforo pode ser considerado demorado. Caso você esteja com pressa, essa mudança pode demorar horas, dias até, o que claramente é um terror sufocante. Essa foi a sensação que eu tentei usar para comparar com o que as pessoas atacadas pelo personagem A sentiram.

          Obviamente não chega nem perto.

          Mesmo que eu me imagine sendo atirado de um prédio em chamas em uma cama de espinhos, ainda não seria o suficiente. Pois ter sua vida sugada aos poucos é infinitamente pior.

          E, embora eu permanecesse duvidoso sobre tudo o que ocorreu nestes dias, os desaparecimentos, o vampiro com expressões humanas...

          Tudo.

          Até mesmo a cor do pão quando vou cortá-lo.

          Exatamente tudo ao meu redor cobria meu coração em um sentimento duvidoso. Pois eu sabia que a morte dessas pessoas não foi culpa do personagem A. Pelo menos, não totalmente.

          E, ainda que eu o encontrasse novamente, estaria aterrorizado.

          Dominado totalmente.

          Então, qual motivação eu tenho para seguir adiante e, de fato, dar um fim nisto?

          Nenhuma. Nada.

          Poderia eu, uma pessoa de natureza gentil, usufruir do então tão maquiavélico plano que Koa sugeriu? A resposta claramente é não.

          Certamente devo discordar.

          Mas se eu considerar a ideia de que o personagem A é um ser teoricamente imortal.

          Então sim.

          Eu concordaria.

          Pois nesta noite, eu e Koa mataremos um vampiro.

          Curioso. O ser que agora a pouco afirmei ser imortal, será morto. Esse paradoxo complicado de matar seres que não podem ser mortos talvez deixe diversas pessoas confusas. Então irei dizer desta forma.

          Nesta noite, Koa e eu daremos um jeito em um vampiro.

          Agora eu percebi, o personagem A tinha razão, uma simples troca de palavras realmente afeta todo o contexto.

          E, mesmo enquanto subo estas escadas em direção a ele, eu ainda não tenho uma resposta adequada para aquela pergunta infernal. Ela, que se repete desde o primeiro momento desta semana.

          "Escutou isso?", perguntou Koa enquanto ainda não chegávamos ao segundo andar.

          Ainda não sei se levo está pergunta no sarcasmo ou não.

          Já que Koa possui uma audição – não, sentidos mais aguçados –, ainda não sei se ele pergunta essas coisas esperando que eu concorde. Por mais que eu tente, por mais que finja, eu ainda acredito que ele deva saber que eu possuo certas limitações.

Zokugatari: ExodusLeia esta história GRATUITAMENTE!