Vampiro Klainhall - parte 2

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Vampiro Klainhall – parte 2

          A cena a seguir não foi planejada.

          Antes de sair procurando pelo suposto vampiro, Koa citou algo de suma importância. Na verdade, duas: não temos pistas e estamos famintos. Sem mais delongas, fui brutalmente forçado a levá-lo em um local adequado para comer até termos alguma pista.

          Koa tem o hábito de constantemente rejeitar com total indiferença desconhecidos. Mas visto que ele, um híbrido de homem e gato, se tornou meu melhor amigo após o que houve nas três semanas antes de virmos para Shinjuku, começo a questionar esse lado antissocial dele. E, mesmo que a desculpa para tal comportamento seja baseado em um passado difícil, Koa poderia, no mínimo, tentar ser um pouco gentil. Pelo menos com uma garçonete.

          – Eu repetirei só mais uma vez. Eu pedi água, e você me trouxe um refrigerante, por quê?! – exclamou Koa em uma lanchonete lotada.

          – Eu sinto muito, trarei o que pediu em um instante.

          – Você precisa pegar mais leve.

          E como sempre, bastou meia dúzia de palavras para fazê-lo contar um discurso.

          – Leve? Estamos pagando por um serviço, eu exijo que tragam o que eu pedi.

          – É apenas uma lanchonete, não fale como se fosse da alta classe.

          – Tem razão. Este lugar nã...

          – Estou falando de você. Não atue como uma garotinha com complexo de superioridade de um anime moe.

          – Eu não sou uma garotinha moe.

          – Isso só reforça. Garotinhas moe não aceitam que são garotinhas moe.

          – Se eu sou uma garotinha moe, o que você seria?

          – O protagonista de um harém.

          – O quê?! O que te faz ser o protagonista de um harém?!

          O tom de Koa subiu tanto nesta frase que todas as pessoas pararam de comer e nos olharam com rostos confusos. Não os culpo, até eu não entendo como chegamos nisso enquanto eu tentava ensinar bons modos ao Koa.

          – Shh... Baixe o tom. As pessoas estão prestando muita atenção na gente.

          – A culpa é sua por insinuar que seria o protagonista de um harém.

          – Pois possuo os dotes necessários.

          – Está falando do tamanho do seu p-

          – Não! Claro que não. Nossa. O que... como é que você pensou que eu falaria disso?

          – Ei, ei. Não fique tão agitado, somos homens, não seria estranho em algum momento desta amizade começarmos a vangloriar nossos genitais.

          – Cale a boca! Pare de falar sobre isso. É desconfortável demais.

          – Uh, se sente desconfortável por medo de que seus genit-

          – Por favor, pare de usar essa palavra, mesmo que seja um termo científico, ainda é constrangedor. Melhor, pare de falar sobre isso.

Zokugatari: ExodusOnde as histórias ganham vida. Descobre agora