Imai Infinito - parte 1

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Imai Infinito - parte 1

          Aconteceu em uma quarta-feira.

          Tudo começou exatamente em uma quarta-feira.

          Comum.

          Nada de especial, nem um feriado, nem uma celebração ou sequer a estreia de um filme novo dos Vingadores nos cinemas.

          Apenas uma quarta-feira normal.

          Nessa quarta-feira, eu e Koa estávamos em Omori. Pela distância, pode-se considerar que fomos muito longe de Shinjuku, mas dessa vez, não havia um propósito explícito para vir até essa cidade, apenas uma forma de laser, de fato. Ainda que o ar calmo de Omori seja delicioso, havíamos nos esquecido de uma coisa tão importante que faria de nossa estadia aqui uma grande e enorme tragédia.

          Dinheiro.

          Não tínhamos nada, vazio, completamente pobres.

          O fato de termos tido de pagar uma certa parede quebrada em Shinjuku está diretamente ligado à nossa falta de dinheiro atual, o milagre de termos vindo até aqui com apenas uns trocados que Koa achou em sua meia também contribuiu totalmente com nossa falta de dinheiro.

          Então o que nos resta? O que podemos fazer para conseguir, de algum meio confiável, um pouco, não, muito dinheiro.

          — Prostituição.

          — Hã?

          Koa, este que outrora citei como meu melhor amigo, está forçando de maneira bruta aquilo que chamamos de amizade.

          — Me diga que você mencionou isso apenas como um alívio cômico e não com base na seriedade, por favor — pedi enquanto ambos andávamos por volta do meio dia.

          — Não, prostituição é um meio viável de conseguir dinheiro rápido e em enorme quantia.

          — Tem que ser uma piada, você não pode se prostituir.

          — E quem disse que eu ia me prostituir?

          — Ah, que bom, então foi apenas um meio de me irritar.

          — É você quem vai.

          — Hã?

          Koa, este que outrora citei como meu melhor amigo — em fase de teste —, está me forçando a socar seu rosto deliberadamente.

          — Não sei por que vou perguntar isto, mas por que seria eu a me prostituir?

          Preparei-me para a resposta mais ousada e maligna possível. Estava quase certo que Koa usaria de um discurso enorme, mostrando detalhadamente o que me fazia ser apto para a prostituição.

          — Você é bonito.

          Então meu cérebro explodiu.

          — Quem é você e o que fez com Koa?

          — Hey, isso me ofende!

          — Eu que deveria ter sido ofendido, e de repente você me elogia.

          — Essa é a primeira vez que vejo alguém ficar chateado por um elogio.

          — Não é um elogio comum, ele vem de você.

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