Simplório Ivhan - parte 5

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Simplório Ivhan – parte 5

          — H-Hm...?

          Meus olhos doem.

          Só consigo me lembrar de estar no festival, como se isso tivesse acontecido há dias.

          Não consigo pensar direito, apenas uma dor, como se estivesse amarrado em algum lugar.

          É porque estou.

          Só uns segundos depois que consigo voltar a mim e notar que estou preso em uma cadeira. Parece pesado, são algemas, e não das normais que se encontram em qualquer sex-shop. Lá se vai minha ideia de fantasia sexual. A grossura das algemas é de pelo menos o triplo dos meus pulsos, pode-se dizer que são fortes o suficiente como para impedir qualquer coisa viva de se mover.

          Não posso dizer que estou calmo, talvez seja só o efeito da droga que me colocaram ainda estar passando.

          O lugar parece velho como um quarto de um prédio antigo, o teto está despedaçado, há uma janela ao meu lado esquerdo, ela está um pouco quebrada, mas dá para ver as luzes do festival, ou seja, não faz muito tempo que fui trazido até aqui.

          Estou tentando me lembrar de mais do que fiz ou do que aconteceu comigo antes de parar aqui, não consigo pensar muito bem, só de andar um pouco, ver umas pessoas jogando e topar com uma garota.

          A garota.

          Tudo bem, Hamada, você é esperto, o que liga você estar aqui com ter topado com a garota?

          Tudo bem, não consigo pensar em nada. Bem, consigo pensar claramente que ela está envolvida, pois só me recordo dos eventos até topar com ela, mas só vai até aí.

          — I-Ivhan... será que...

          Logo sou surpreendido com alguém entrando pela porta.

          É uma mulher.

         Isto ainda pode ser parte de uma fantasia sexual se ela tirar um chicote curto e aparecer de máscara.

          — Devo esquecer as revistas do Koa.

          — Huh. — É o que ouço dela, pouco antes de seus passos começarem a se aproximar de mim.

          — Você... é bem bonitinho.

          — E-Eu... sou?

          Estou ficando nervoso, ela está me encarando muito de perto, seu rosto não é muito expressivo, quero dizer, não é muito humano.

          Não me entendam mal, ela é visivelmente bonita, mas seu rosto não demonstra nenhum tipo de moldura ou empatia, é quase uma boneca.

          — Muito bem, agora vou te deixar aqui até ele aparecer, você deve servir melhor que o último.

          — E-Ele?

          Ela não responde, apenas sorri e se afasta de mim até a porta e a fecha.

          Com "ele", estou pensando em Ivhan, é a única pessoa que consigo imaginar estar ligado com isto. Talvez ela seja a pessoa que ele quer matar, essa moça inexpressiva.

          Passaram-se alguns minutos até ela voltar para conferir o quarto, parecia convencida de que em algum momento eu faria algo, não levou mais do que alguns segundos de conversa até ela pôr uma mordaça em minha boca e me calar. É incomodo.

Zokugatari: ExodusLeia esta história GRATUITAMENTE!