Prólogo

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               Frederico Borges

Em pé, de frente a grande parede de vidro do meu escritório, eu vejo a avenida Paulista. O Centro financeiro da maior metrópole do país. O local onde meu pai escolheu para construir o seu império, a CMB, a Construtora Mário Borges.

E foi aqui, nesta mesma sala, que comandou e administrou tudo durante longos 30 anos. Até que ele se foi. E eu, com 25 anos, estou no seu lugar. Não que eu não esteja preparado para tal cargo, muito pelo contrário, eu era o seu vice-presidente, e, sou completamente apto para sua substituição.

Mas não queria agora, não por ter perdido o meu pai.

Lembro-me perfeitamente do dia em que ele descobriu que tinha aquela maldita doença.

Fred, saiba que, antes de qualquer coisa, quero que você me prometa que cuidará de tudo na minha ausência. — Disse me olhando atentamente.

Claro, pai, eu prometo. Mas diga-me logo, o que você tem tanto para falar, está me deixando assustado. — Meu Deus, o que meu pai tem tanto pra falar comigo?

Eu... Eu estou com câncer.

Levanto-me num rompante, e já sentindo meus olhos arderem, eu me viro e olho para o meu herói.

Pai, vai dar tudo certo. Você verá! — Afirmo tentando convencer mais a mim do que ele.

Não estou tão certo disso, meu filho, descobri a doença a pouco tempo, e pelo o que o médico me disse, o tumor já se alastrou consideravelmente. — Explica-me.

Mas ainda temos chance! Vamos para os Estados Unidos, lá deve ter algum especialista que pode oferecer um tratamento específico! —Falo esperançoso, me agachando a sua frente.

Não, meu filho. Aqui no Brasil também temos ótimos médicos. — Acaricia meus cabelos como fazia quando eu era criança. — Só te peço para que me reafirme o que havia me prometido anteriormente.

Eu prometo, meu pai. Eu prometo.

Depois desse dia meu pai só regrediu. Sua doença se alastrou e em menos de três meses depois de tê-la descoberto, ele se foi.

—Sr.Borges? —Chama-me minha secretária, tirando-me do meu devaneio.

—Entre! —Vou até minha mesa e me sento.

—A sua mãe está aqui! — Diz com apenas a cabeça dentro do escritório.

—Mande-a entrar, senhora Mirtes. — Digo a senhora que foi secretária do meu pai e que agora, competentemente, é a minha.

— Claro.

—Obrigado. —Agradeço, e logo em seguida minha mãe entra com toda sua elegância.

—Oi, mãe! — Me levanto e vou abraça-la.

—Meu filho! — Diz retribuindo o abraço.

A acompanho até a poltrona em frente a minha, e logo ocupo meu lugar.

— Então, Fred, aposto que está se perguntando o que estou fazendo aqui, não é? — Sorri.

—Provavelmente estou me fazendo essa pergunta.

— E como gentleman, não me fez!— Completa. — Filho, sei que já toquei nesse assunto mais de uma vez e você sempre sai pela tangente. —começa e já sei bem sobre o que ela vai falar.

Mãe... — Ela com certeza irá começar a fala sobre eu arrumar uma esposa e que isso vai ser bom pra mim... etc.

— Mas meu filho! Você já tem 25 anos! - diz dramática. — Eu quero netos!

— Mãe, sei que quer netos. Mas eu não quero me casar agora. É muito cedo e nem encontrei uma mulher especial o bastante, para que eu queira ir mais adiante em um relacionamento. — digo já cansado, minha mãe ainda não entendeu que eu não quero uma família agora!

— E a Gabriela? Vocês se gostam, eu sei disso. — diz se referindo a filha do Flávio Siqueira, primo de meu pai.

— Não gosto da Gabriela, mãe. — Definitivamente minha mãe ainda não entendeu que aquela garota mimada e fútil, não me interessa nem um pouco?!

— Mas com o tempo quem sabe vocês não se conhecem melhor... — tenha a santa paciência!

— Não, mãe, isso não vai acontecer.

— Vou fazer um jantar lá em casa, assim que ela voltar da sua viagem! — diz ignorando meu comentário anterior.

— Mãe, entenda logo, eu não quero conhecer a Gabriela melhor! Entendeu?

— Mas você precisa tentar! E não se fala mais nisso! Vou fazer o jantar e nem adianta ficar reclamando.

Então, cansado desse assunto, trato logo de muda-lo.

— Mãe, o Clécio Gusmão me ligou.

— O Clécio?! — diz surpresa. — Mas o que ele queria?

— Ele pediu para que eu fosse dar uma palestra para uma turma de calouros do curso de administração.

—Nossa que bom! E você aceitou?

Clécio sempre foi um grande amigo do meu pai, e como o reitor da maior Universidade do país, ele sempre o chamou para dar palestras principalmente para estudantes de administração, onde no qual, eu e meu pai somos formados.

— Sim, eu aceitei. — respondo-a.

—Que bom, fred, Clécio sempre foi um bom amigo para seu pai. É muito bom saber que você está mantendo essa amizade. — sorri ternamente.

— É. É muito bom manter as amizades que meu pai tinha.

— E quando vai ser essa palestra?

— Vai ser no primeiro dia de aula deles, não sei ao certo quando. Vou verificar para já começar a prepará-la.

               Maria Luiza Soares

Eu não acredito! Se o que eu estou vendo for verdade, eu vou ser a mulher mais feliz da semana!

— Mãe! — grito ainda olhando hipnotizada para a tela do computador.

— O que foi Malu? — diz limpando a mão no seu avental e me olhando com curiosidade.

— Eu passei! — digo dando pulinhos de alegria.

—No vestibular?! —Me encara com os olhos arregalados. — Oh, meu Deus! — diz vindo me abraçar emocionada.

— Eu estou tão feliz, mãe. — digo igualmente emocionada.

— Também, o tanto que você estudou para fazer esse vestibular, se não passasse, eu mesma iria lá naquela Universidade e faria um barraco! — diz rindo em meio às lágrimas.

— Não duvido que faria isso.

— E quando você terá que ir lá?

— Ainda essa semana, vou ter que levar a documentação necessária para a matrícula.

— Então vamos descer e dizer ao seu pai! Quem sabe assim ele desgruda os olhos da TV. —diz me puxando.

—Com certeza ele vai desgrudar os olhos do seu sagrado jogo de futebol, afinal, não é todo dia que ele tem uma filha que passa em administração na melhor faculdade do país!

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora