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              Maria Luiza Soares

Burra, burra, burra!

Por que eu tenho de ser tão barraqueira?

Eu não entendo, simplesmente não entendo. Eu devia ter me controlado, não ter atacado a Gabriela do modo que a ataquei. Eu devia ter sido superior! Ter levado tudo numa boa e erguido uma sombrancelha, dado um sorrisinho sarcástico e uma resposta inteligente, como eu vejo nos filmes.

Mais isso não é um filme. Muito pelo contrário, aqui é a vida real. E eu não sou uma diva cinematográfica.

Perceber a cagada que eu havia feito, foi mais rápido que a velocidade da luz. Assim que Frederico nos interrompeu e nos vez ver o que estávamos fazendo, eu cai em mim. Eu estava fazendo um papelão na frente da mãe dele.

Eu fiz tudo que não deveria fazer.

Óbvio que o Fred não quer nem mais olhar em minha cara. Eu estraguei tudo, duas semanas de planejamento, jogados no ralo.

Quando vi o que havia feito, sem pensar duas vezes, eu sai correndo da casa do Fred. Eu só queria sair dali o mais rápido possível. Não poderia contar ali. Não mesmo.

Sabendo que não fazia a melhor ideia de como voltar pra casa, fiquei parada feito um dois de paus no meio da rua.

Chorando como uma criança birrenta.

Mas, coincidentemente, Cíntia é vizinha do Fred, e ela estava entrando em sua casa, quando notou a aberração chorando compulsivamente no meio da rua.

Assim que ela me reconheceu, veio correndo até mim.

—Malu? Meu Deus, o que você está fazendo aqui, desse jeito?

—E-eu quero sair daqui. —Soluço.

—Vem. Vamos até minha casa. Lá conversaremos. — Me puxa pelo cotovelo até sua casa gigaenorme.

—Agora me diga, o que você estava fazendo a essa hora no meio da rua e aqui? — Questiona depois de me servir uma caneca com um chá de camomila. —Pelo que você tinha me dito, você não mora aqui.

—Não, eu não moro aqui.—Tomo um gole.

—Então o que estava fazendo aqui? Temos algum trabalho para entregar? Mas então por que você estava chorando?

—Não temos trabalho para entregar, Cíntia. Eu estava aqui porque estava jantando com o Fred e sua mãe. —Falo.

—Fred?—Franze o cenho.— De quem você está falando, Malu?

Ah é. Eu havia esquecido que ela não sabia de nada do que estava acontecendo comigo. E quer saber? Vou contar tudinho pra Cíntia .A merda já está feita mesmo.

E assim faço. Conto tudo, desde do trote ao almoço na casa de meus pais e o bendito jantar de agora a pouco.

—C. A. R. A. L. H. O. —Fala boqueaberta, depois de eu conseguir narrar todos os meus últimos acontecimentos.

—Pois é.— Como mais um Biscoitinho que a moça que trabalha pra Cíntia nos serviu durante minha cômica, porém trágica, história.

—É muita loucura tudo isso que você me contou. Eu não consigo nem imaginar. Sério. Malu do céu! Desculpa, mais isso é hilário!— E começa a rir.

—Que bom que isso te diverte. Pelo menos você acha isso engraçado.

—Não. Desculpa eu estou sendo insensível. — Tenta, inutilmente, controlar o riso.  —Eu vou tentar me controlar. Mas é que é muito engraçado, amiga! Você jogou uma concha na testa da mimada da Gabriela! Eu queria ser uma mosca... Não, uma mosca não, uma borboleta, pra poder ver isso de pertinho.

—Espere aí? Você conhece a Gabriela?

—Claro que eu conheço aquela nariz empinado. Éramos muito próximas quando crianças. Mas então, ela se mudou pra França, e quando voltou, parecia que era outra pessoa. Uma entojada!

—Por essa eu não esperava!

—Quem não esperava aqui, sou eu! Como assim, fingir ser namorada do gatoso do palestrante?

—Gatoso? —Gargalho. —Essa é ótima!

—Que sorte!

—Sorte... Até parece. — Bufo. —Eu acabei e estragar tudo. Lembra?

—Isso são detalhes. Aposto que logo, logo essa farsa vai acabar.

—A farsa já acabou, Cíntia.

—Não nesse sentido, Malu. — Suspira. —Está estampado no seu rosto que você está apaixonada pelo Frederico. E, pelo que você me contou, ele também está caidinho por você. É só questão de tempo para vocês dois se acertarem.

—Não viaja. Ele só está fingindo estar comigo, justamente para não ter nada sério com ninguém, você acha que ele iria se apaixonar justamente por mim, tendo uma Gabriela linda atrás dele?— ergo as sombrancelhas. — Nem aqui, nem na China!

—Não viaja você, Maria Luiza! É óbvio que ele está gostando de você.

—Só não quero me iludir. — balanço os ombros.

                              ***

Merda!

O que a Cíntia me disse ficou me cutucando, como um percevejo, a noite toda.

Depois de sair da casa da Cíntia e chegar aqui em casa, eu juro que tentei dormir. Mas o tico e o teco tinham tomado energético e muito café, pois não me deixaram parar de pensar um só segundo durante as longas e torturantes oito horas que fiquei deitada.

E com tanto tempo para pensar, eu tomei uma decisão. Sei que foi a mais sábia. Quero dizer, é óbvio que isso já estava na minha cara. Mas eu tinha que eu mesma ter certeza do que iria acontecer.

Por isso, para fechar de vez esse ciclo doido, eu mando uma mensagem definitiva para Fred.

Desculpa por ontem. Não sei o que deu em mim. Peça desculpas em meu nome para sua mãe. Eu sinto muito, de verdade. Não precisamos continuar com isso.

                Até qualquer dia,

                                                 Malu.

Depois dessa mensagem, eu arrumei minhas coisas, peguei um ônibus até o terminal Tietê e de lá, peguei mais um ônibus direto para minha casa.

Passaria o final de semana na casa dos meus pais. Jogaria videogame com Lucas e segunda retomaria minha vida da onde eu nunca deveria ter parado.

Uma vida monótona, mas sem mentiras e muito menos paixões unilaterais.







Espero que tenham gostado.

Quinta tem mais.

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Próximo capítulo teremos surpresas...

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Beijos e até quinta ;)

Laís.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora