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              Maria Luiza Soares

-Até quando vamos fingir tudo isso? Quando... quando tudo isso vai acabar? - Olho para o seu rosto.

-Até a Gabriela voltar para Paris. Porque quando ela for embora, eu conseguirei enrolar minha mãe mais um pouco. -Explica.

Eu passei a semana inteira, praticamente, pensando nesse tal jantar na casa do Fred. Eu não sei como devo me portar diante a mãe e essa tal Gabriela.

Hoje já é a segunda vez que nos encontramos para combinarmos melhor a versão que contaremos a sua mãe amanhã de como nos conhecemos. Ontem fomos a uma lanchonete e hoje estamos numa sorveteria daqui do shopping em que trabalho, já que estou no meu horário de almoço, nós achamos melhor nos encontrarmos aqui.

-Mas quanto tempo? Dias? Semanas?

-Está querendo se ver livre de mim, Malu? -Pergunta parecendo magoado.

-Não! -Praticamente grito. -Eu só quero ir preparando minha família antes, sabe? -Desvio o olhar. - Tipo, alguns dias antes falar pra eles que nós brigamos ou algo assim para não terminarmos do nada. Entende?

-Entendo. Ela veio para passar um mês no máximo. Acho que até domingo que vem ela já embarcará para Paris.

-Então quer dizer que daqui a uma semana e pouco, nós iremos acabar com essa farsa. - Constato, por incrível que pareça, amargamente.

-É... -Diz sério.

E o incômodo silêncio se faz presente entre nós. Tentando disfarçar o meu constrangimento eu vou ao meu refúgio para momentos como esse: Meu celular.

Desbloqueio a tela do aparelho e vejo que já são 15:30, ou seja, estou atrasada para voltar para o meu emprego.

-Fred, eu tenho que ir, era para mim estar entrando na loja agora. -Digo me levantando. -Acho que já sabemos o suficiente, ?

-Acho que sim. -Se levanta também. -Amanhã eu te busco na sua casa, pode ser?

-Claro! -Sorrio e abro minha carteira para pagar o sorvete.

-Pode parando aí! Eu vou pagar, e nem adianta reclamar! -Fala.

-Tudo bem, já que você insiste. -Dou de ombros. - Eu já vou indo então. Tchau, Fred. -Quando, inocentemente, eu vou dar um beijo em sua bochecha, ele (eu acho que sem querer) vira o rosto e os meus lábios tocam os seus. -Eu... Ér... Tchau, Fred! - E corro até a loja.

***

- Finalmente meu sofá! - Exclamo me jogando no sofá.

Depois de um exaustivo dia de faculdade seguido de trabalho, eu finalmente chego em meu Apê.

Depois de ter me encontrado com Fred na sorveteria, eu passei o restante do dia pensando naquele meio selinho... se é que isso existe, meio selinho.

-Argh! Maria Luiza, pare com isso! É tudo uma farsa, logo tudo isso vai acabar e ele nem se lembrará mais de mim. -Repreendo-me levantando e indo preparar algo para comer.

Estou comendo tranquilamente quando meu celular começa a tocar.

Será que é o Fred? - Penso. Mas não, não é o Fred e sim minha mãe.

-Oi, mãe. -Digo quando atendo.

-Oi, filha! Tudo bem ai? -Fala toda animada.

-... tudo bem sim...

-Que voz desanimada é essa, Maria Luiza?

-Nada, mãe. É só cansaço.

-Ah sim. Você está se alimentando bem? - Olho para o prato de macarrão instantâneo que eu preparei minutos atrás.

Engulo em seco.

-... claro, mãe!

-Não minta para mim, Maria Luiza Soares! Sei bem quando está mentindo! - Menos quando eu invento um namorado de mentira. - Aposto que você deve estar comendo uma dessas porcarias que é só colocar água que já fica pronto! -Tudo bem, ela pode ter descrito exatamente como se faz macarrão instantâneo, mas eu não irei admitir isso jamais! -Isso parece comida de astronautas dos filmes que seu irmão assiste, é só jogar água ou colocar no micro-ondas e cabum! Está pronto. -E então a velha ladainha de comer comidas saudáveis, feitas em casa e com muito carinho começa. -... Esses alimentos tem mais química que o cabelo de Julieta, e você sabe disso não é?

-Sei...

-Ontem ela fez outro daqueles alisamentos malucos dela. Um dia o cabelo dela vai acabar caindo.

-Verdade...

Uma dica importantíssima: quando alguém começar a falar e falar... sem parar, existe algumas palavras que sempre demonstram que tem interesse no assunto (mesmo não tendo). Dentre essas palavras as mais usada são: sei, verdade, arrã, hum e é.

-Arrã... - Deixo o prato na pia e vou para sala.

-Arrã o quê, Maria Luiza? -diz me fazendo prestar atenção novamente. -Você está me ouvindo?

-Ah, mamãe. Me desculpe. Eu estou muito cansada e acabei me perdendo na conversa... o que a senhora havia falado?

-Como o Fred está? -Pergunta.

Me jogo no sofá.

-Está bem.

-Por que eu acho que você está preocupada com alguma coisa? Vocês brigaram?

-Não, mãe. Nós não brigamos. É que amanhã eu vou jantar na casa do Fred. -Suspiro.

-E você está preocupada se a mãe dele vai gostar de você?

-Não. Eu não estou nem ligando se ela vai gostar de mim ou não! - Não vai durar nada, de qualquer maneira.

-E por quê não? -Questiona.

Merda!

-Porque... -Pense em algo, sua idiota! - Porque quem tem que gostar de mim é o Fred, a opinião da família dele não irá mudar nada em nosso relacionamento.

-É assim que se fala, filha! -Comemora. Ufa! Ela acreditou. - Mas o que te aflige?

-Eles são muito ricos, mãe. Não sei se me portarei direito. Sei que não estou preocupada em relação se a mãe dele vai gostar de mim ou não, mas, é que eu quero passar uma boa impressão.

Principalmente para a tal de Gabriela.

-Você vai passar uma boa impressão! Nós te educamos muito bem! - Diz parecendo magoada.

-Eu sei, mãe! É que essas pessoas mais ricas tem a mania de serem muito frescurentos e tal...

-Não julguem sem conhecer a pessoa realmente, Maria Luiza!

-É, a senhora está certa. Vai ver eu estou me preocupando atoa, e, pode até ser um churras! -Animo-me.

-Um churras, só você mesmo, Malu. -Gargalha. -Acho que um jantar informal, filha.

-Espero que não tenha escargot, aquela vez que a tia Julieta tentou se refinar me traumatizou.

Uma vez minha tia tentou entrar num programa de culinária, e antes de fazer o teste para participar do programa, ela fazia diversas receitas refinadas e nos usava como suas cobaias e uma vez, infelizmente, ela inventou de fazer estas lesminhas. O problema é que ela não sabia que escargot era daquele jeito ela imaginou que era uma proteína ou algo do tipo e bem, o resultado não foi um dos melhores. E ela desistiu de participar do programa. Pra ela comida de verdade tem tempero e não uma lesma dentro de uma concha.

-Sua tia teve um contratempo neste dia. -Fala rindo. -E, provavelmente, não terá escargot amanhã, filha. Não se preocupe. Agora vai descansar que amanhã você vai ter um dia e tanto!





Espero que tenham gostado, quarta-feira tem mais.

Comentem e votem, por favozinho?

Beijocas,

Laís.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora