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              Maria Luiza Soares

Nunca tive vergonha de absolutamente nada relacionado ao meu corpo. Muito pelo contrário, sempre fui muito de boa, sei que tenho algumas estrias e celulites, como toda mulher. Mas se eu fosse me ater com isso eu nunca usaria um biquíni ou uma roupa que mostre mais as carnes (como diz tia Juju) .
Mas agora eu estou encabulada. Bastante pra ser sincera.

Por que?

Oras, porque o Fred está me olhando como se estivesse com um raio-x impregnado nos olhos inspecionando todo o meu corpo.

Lucas, também notando o olhar nem um pouco discreto do Fred, lhe dá um pescotapa e diz alguma coisa pra ele que eu não consigo ouvir.

Hum-hum. – chamo a atenção  deles. – Vamos logo achar um lugar pra gente ficar? Tenho que passar o protetor solar.

— Vamos ficar ali  – Alessandra aponta para um pequena área, ao lado  de um grupo de meninos,  vazia.

— Beleza.

— Vamos, Fred! – O chamo quando noto que ele não se moveu um só milímetro.

— P-pra onde?

— Pra onde será, Frederico? Eu heim! – Vou andando na frente  dele. Que doido!

Assim que nos acomodamos no local escolhido e o Fred e Lucas vão para a água, começo a passar o protetor em meu  corpo, mas uma coisa é fato: eu não sou nada flexível, sou do tipo que até para virar uma cambalhota, eu me enrolo toda e mais pareço um animal entrando em colapso do que uma pessoa fazendo cambalhota. E como  sempre, toda a vez que eu vou passar o bendito protetor em  mim, nas costas torna-se uma missão impossível de ser feita.

E, por este  motivo, eu estou toda torta tentando passar em minhas costas. Tento algumas vezes e com dor no braço, desisto.

— Alê, me ajuda aqui, por favor? — olho para baixo e encontro Alessandra usando fones de  ouvido, ouvindo alguma música muito deprê e olhando pro horizonte.

Bufo.

Se o Fred ou o Lucas aparecessem, eu podia pe...

— Com problemas aí? — Uma voz grossa interrompe minha linha de pensamentos.

Me viro e encontro o dono da voz. E, Meu Deus! Que pão! É, definitivamente, estou convivendo muito com a tia Juju, pão? Que coisa mais antiga!

Mas é verdade, o cara é uma padaria inteira! Que cabelos no ombro são esses? Que rosto másculo é esse? E esse corpo? Me segura, Brasil!

— Então, precisa de  ajuda? — Pergunta, quando eu não digo nada, apontando para o protetor.

— Ah, sim. Preciso. — Sorrio.

— Eu estava ali  – aponta para o grupo de homens ao nosso lado. — Quando vi uma linda mulher com dificuldades para passar o protetor. — Sorri de lado, todo galanteador.

Mas eu não sinto nenhuma atração. Nada.

Ele é lindo. Não tem nem como negar. Mas eu já vi um sorriso muito mais bonito que este. Um sorriso de um certo mentiroso irreversível...

Sério mesmo que eu estou pensando no Fred?

— Dificuldades — balanço a cabeça  rindo. — Eu estava perdendo de sete à um do protetor!

— Além de linda é engraçada. Qual é o seu nome, princesa?

— O meu no...

— O nome dela é: Não é pro teu bico, otário! — Fred me interrompe, surgindo do nada.

— Ela é sua, por acaso?

— É. Minha namorada.

— Então cuida melhor da gostosinha aí! — Ele me chamou de quê?

— Olha  aqui, seu...

E, novamente, o Fred me interrompe. Só que, desta  vez, foi dando um soco na maçã do rosto do cara de sufista de meia tigela!

— Não a chame assim nunca  mais, seu merda! – Vocifera jogando o cara na areia.

O Fred é mais magro e um pouco mais baixo que a muralha de cabelos dourados e longos, mas ele está tão nervoso que acho que ninguém o pararia.

E tudo por minha causa. Para me defender. Que fofo!

— Calma aí, cara. Foi só um elogio. – o grandalhão recua.

— Joga areia no olho dele, Fred! – Lucas atiça.

— Dá pra calar a boca, Lucas? — Encaro-o

— O quê está acontecendo? — Alessandra finalmente nos nota. — Uau! Thor, é você? – Não acredito que ela disse isso.

Me seguro para não gargalhar.

– Posso ser o que você quiser,  gata. — Responde ainda no chão, com o local onde o Fred deu o soco avermelhado.

Ela cora violentamente e sorri.

Fred me olha completamente confuso.

— Tá afim de uma paleta mexicana? Tem um quiosque aqui perto que é ótimo!

— Claro! Prima, eu encontro com vocês em casa. Diga a minha mãe que eu saí. — E colocando a saída de praia, ela e o Thor, se afastam.

— Alguém aqui, entendeu alguma coisa? — Eu pergunto.

— Eu não. Eu queria ver treta, mas o cara é um bu.ndão e fugiu. — Lucas dá de ombros. — Vou ali comprar um sorverte de limão para o seu namorado colocar na mão. — Olhamos para o Fred massageando a mão. — Ih! Rimou!— Se afasta rindo.

Reviro os olhos e vou até o Fred.

— Está doendo?

— Espero que bem menos que o rosto daquele idiota.

— Hum... Obrigada por te me defendido— começo. — Eu sei que você não tinha a obri...

— Tinha  sim, Malu. — me encara sério. — Eu gosto de você. De verdade.






Obrigada a todas que comentaram me desejando força. De coração, muito obrigada. Está sendo difícil, minha cachorrinha era da família, e perder alguém da família é sempre muito difícil. Estou melhorando, e não irei parar de postar, fiquem tranquilas.

Comentem e votemmmmmm❤❤❤❤❤

Beijos e até logo. 😉😘

Laís.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora