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Maria Luiza Soares

Chego na pequena rodoviária de minha cidade, depois de três horas de viagem.

Não quis avisar meus pais da minha vinda, por obviamente, eles iriam querer me buscar.

Depois de andar alguns quarteirões e subir o morro que tem antes de chegar ao conjunto de chácaras que minha família mora, eu finalmente chego.

Abro o portão, ando até a entrada do sobrado laranja com as paredes da sala de vidro em que passei minha vida toda, e já consigo ouvir o som alto da televisão ecoando por todo ambiente silencioso.

Já é por volta do meio-dia, minha mãe deve estar preparando o almoço, e meu pai e irmão, vendo algum programa esportivo.

-Filha!-Exclama papai surpreso, logo quando entro na casa. -Por que não me acusou que estava vindo, para eu te buscar?- Pergunta, antes mesmo de me cumprimentar.

-Oi pra você também, pai. -Reviro os olhos.

-Oi, filha. -Me abraça. - E então, por que não me ligou?

-Só não achei necessário, pai. É só pegar um ônibus. -Sorrio, abraçando novamente.

Como eu senti saudades de abraçar esse meu careca!

-Lucas!- O abraço também.

-Fala, Maninha!-Lucas mesmo sendo mais novo que eu, quatro anos, é bem mais alto que eu, me fazendo ficar com o rosto em seus ombros toda vez que o abraço.

-Cadê a mãe?- Pergunto.

-Esta na cozinha, terminando de preparar o almoço.

-Vou lá abraça-la. - Informo, colocando minha mochila no sofá e indo em direção a cozinha.

Chego silenciosamente na cozinha e a vejo mexendo num panela e cantando uma de suas músicas preferidas.

Lembro-me de ela me dizer uma vez que roda vez que ela ouve está música, ela lembra dela e de papai.

-... A gente nasceu e cresceu na mesma rua, como se fosse o sol e a lua, dividindo o mesmo...- Canta remexendo os quadris, me fazendo rir alto. -Malu! -Grita quando nota minha presença, vindo me abraça. - Querida, nem nos avisou que viria!

-Achei legal me fazer uma surpresa!

-E o Fred, ele veio com você?- Pergunta.

-Não, mãe. O Fred não veio. -Suspiro, me sentando na cadeira próxima.

-O que houve? O jantar de ontem foi ruim?-Se senta ao meu lado e segura minhas mãos por cima da mesa.

-Ruim é um tremendo eufemismo! Foi um desastre, mãe.

-Me diga, a mãe do Fred te destratou? É isso?

-Não, a Nair é um amorzinho de pessoa. Fui eu que estraguei tudo.

-O que você fez, Maria Luiza?-Mamãe se irrita.

-Eu joguei umas conchas, poucas conchas, na convidada deles.

-Você o quê? -Grita.

-Ai mãe, calma! Eu te explico tudo.

Conto tudo a minha mãe. Menos, é claro, sobre a mentira. Minha mãe, como a Cíntia, rio bastante da minha cara. Principalmente da parte em que chamei Gabriela de Annabelle.

-Malu, sua louca!-Fala em meio aos risos.

-Você tem culpa em partes, mãe.

-Eu? Por que eu teria culpa?-Franze o cenho, mas eu noto seu divertimento. -Eu sei que eu e seu pai, fizemos você... Mas a louca aqui é você, Malu. Jogar uma concha...- Balança a cabeça rindo.

-Não é nada disso, mãe! ECA! Você não precisa falar que me fez com meu pai... É estranho! - Prefiro nem imaginar! - E você tem culpa sim! Afinal, você me disse que não teria aquelas lesminhas lá, e teve!- Acuso-a.

-Nananinanão! Nem venha me culpar!-Fala se levantando e voltando a mexer nas panelas. - Mas, filha, e o Fred? Ele te procurou?

- Ele me ligou agora de manhã algumas vezes, mas eu tinha desligado o celular. Vi somente quando estava chegando na rodoviária e liguei o celular.

Sim, Fred me procurou. Provavelmente ele está puto comigo por ter quebrado o nosso acordo e quer dizer umas poucas e boas para mim.

-E você não retornou?

Neguei.

-E nem irei retornar. Ele deve estar muito bravo comigo, mãe. Eu sou uma barraqueira.

-Filha, você nem ao menos ouviu o que ele tem a te dizer. Não tome decisões precipitadas. - Desliga o fogo e se vira me olhando. -Ligue para ele.

-Okay, mãe. Eu ligo. -Falo só para deixá-la menos preocupada.

Por que é lógico que eu não irei ligar.

***

Com um maravilhoso almoço, com direito a frango assado, estamos nós quatro reunidos na mesa comendo sobremesa. Um delicioso pudim de pão.

-Então, Malu. Cadê o Fred?-Perunta papai, pegando mais um pedaço de pudim.

-Dá pra maneirar, Sérgio? -Mamãe o repreende. -Ou você quer ficar com o colesterol mais alto do que já está?

-Calma, mulher! É só mais um pedacinho!

-O Fred ficou com a mãe dele. -Respondo-o.

-Ah sim, entendi. - Papai assente. - Mas diga a ele que semana que vem é pra ele vir pra gente assistir o jogo do timão!

-Pode deixar, pai, eu falo.

Até minha família está gostando do Fred, e eu, definitivamente, não sei como acabar com esse emaranhado de mentiras que eu me envolvi.



A vencedora do sorteio foi....



Parabéns, flor! Me passe seus dados por msg privada!

Espero que tenham gostado!

Os capítulos estão tendo cada vez mais comentários incríveis, e eu estou amando isso! Espero que continuem comentando❤❤❤

Comentem e votemmmmmm.

Quinta tem mais!

Beijocas!

Laís.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora