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                   Frederico Borges

Olho nos lindos olhos castanhos de Maria Luiza e noto a curiosidade cintilarem neles. Ela provavelmente deve estar pensando o quê irei fazer. Claro que minha maior vontade e provar esses lábios carnudos que tanto pedem para serem saboreados.

Entretanto, não é isto que faço.

—Esse restinho de molho de tomate na sua bochecha estava me dando nos nervos. —Falo limpando a mancha inexistente em seu rosto.

—Ah! Hum... molho... —Pondera. —Certo... hum... eu já vou, então.

—Tudo bem. —Suspiro pesadamente. Tudo o que menos queria agora era me afastar de Malu. Ei! Que pensamento idiota é este que eu tive agora? Deve ser o cansaço. Isso! Com certeza é o cansaço. —Então eu te ligo. — Falo depois de um silêncio constrangedor pairando entre nós.

—Okay. Você me liga. Ér... tchau, Fred. — E apressadamente sai do carro.

—Tchau, Malu. —Sussuro quando ela já está entrando no antigo prédio.

Isso foi estranho. Muito estranho.

                            ***

—Onde você esteve, Frederico Borges? —Definitivamente minha mãe está irritasíssima comigo.

—Eu estava na casa da minha namorada. —Mesmo tendo 25 anos, me sinto na necessidade de informa-la onde estou.

—Mas por que não me avisou? Você sabe ... espere aí! —Se senta ao meu lado. —Namorada?

—Sim, mãe, namorada. —Minha mãe amplia considerávelmente seus olhos surpresa.

—Fred! — Diz me abraçando. —Eu sabia que cedo ou tarde você iria se arranjar com a Gabriela!

Oh-oh esta senhora está tirando conclusões precipitadas.

—Não, mãe, não é a Gabriela. —Me afasto.

—Não? Então quem é?

—Você não a conhece.

—Mas irei conhecer. —Afirma. —Diga-me logo onde a conheceu, como, porque se interessou nela... ela é bonita? —Quando eu disse que minha mãe era curiosa, eu quis dizer muito curiosa. Ao extremo.

—Eu a conheci na faculdade, no dia da palestra e ela é linda, inteligente, bem humorada... —Não disse nenhuma mentira. Malu é isso e muito mais.

—Qual é o nome dela? —Percebo que minha mãe está radiante com a notícia e muitíssimo empolgada com a notícia de ter uma nora.

Mesmo que uma nora de mentira. Mas isso não vem ao caso. Não me julguem!

—Maria Luiza.

—Que nome lindo! —Diz sorrindo abertamente. —Ai, filho, estou tão feliz por você! Dá até para ver seus olhinhos brilhando quando fala dela. — Mulheres e suas baboseiras românticas. Eu com olhos brilhando? Até parece!

—Você pode conhecê-la na sexta-feira, no dia do tal jantar que a senhora marcou com a família Siqueira. —Matarei dois coelhos em um tiro só: Me livrarei da louca da Gabriela e ainda conseguirei com que minha mãe pare com essa neura de querer me ver casado.

—Ó! —Coloca as delicadas mãos, já enrugadas pelo tempo, no rosto. —Eu havia me esquecido! Que bom que me lembrou. Você acredita que eu já os convidei e me esqueci completamente?! Sua mãe está ficando velha mesmo, viu?! —Diz rindo.

—Fique tranquila, o jantar é só sexta. Você tem o resto da semana para organizar.

—Oh meu Deus! —Levanta com as mãos na cabeça. —Só tenho cinco dias! Tenho que escolher os cardápio que será servido! Qual louça eu irei usar, Fred? As louças portuguesas da mãe de Mário ou as que eu comprei na nossa última viagem  a Turquia?

Mãe...

—Acho que as que comprei na Turquia combinam mais com a ocasião...

Mãe...

—Entretanto, não sei se o guardanapos de linho combinaram com a...

—Mãe!

—O que foi? —Até que enfim ela me ouviu!

—Não precisa ser nada exagerado. É só um jantar. —Falo me levantando e indo em direção às escadas.

—Só um jantar? Eu vou conhecer sua namorada! —Ouço-a gritar da sala. Reviro os olhos,  minha mãe definitivamente vai fazer deste jantar inesquecível!

                             ***

—Ok. Então se sua mãe perguntar onde nos conhecemos, falaremos a mesma coisa que falamos a minha família? —Pergunta-me Malu, novamente.

Hoje já é quinta-feira e nós estamos combinando tudo o que iremos dizer amanhã no tão esperado jantar em minha casa.

Ontem, nós já havíamos nos encontrado numa lanchonete fast-food (local escolhido pela Malu), onde tentamos conhecer mais um ao outro para eventuais perguntas que podem ocorrer durante nossa pequena farsa.

—Me diga qual é o seu tipo de comida preferida. —Pergunta Malu dando uma mordida no seu hambúrguer.

—Eu gosto muito de frutos do mar. Mas como de tudo um pouco. —Respondo. —E você?

—Você vai rir. —Ela cora e da mais uma mega mordida no hambúrguer, que já está na metade.

—Prometo não rir. —Como as batatinhas do meu lanche.

—Frango com quiabo. —Fala.

—Sério? —Por essa eu não esperava.

—Sim, eu adoro! Quando minha mãe faz lá em casa, eu sou a que mais como! Mas eu sou do tipo que come qualquer coisa, menos escargot. Aquelas lesminhas não é comigo! — Diz me fazendo rir.

—Eu adoro escargot. E não são lesmas!

—Para mim são. —Dá de ombros e come o resto do hambúrguer. —Acho que vou pedir outro! Já volto! —Se levanta e vai até o balcão pedir mais.

—Fred? —Chama-me abanando às mão em meu rosto. —De repente você ficou olhando para o nada e não me respondeu.

—Me desculpe. Estava pensando.

—Pensando em quê? —Levanta as sobrancelhas.

—Nada de importante. —Desconverso. —Qual era sua pergunta mesmo?

—Se falaremos a mesma coisa que falamos para minha família!

—Sim, eu já até adiantei para ela que nos conhecemos na palestra.

—Mas Fred, eu tenho uma dúvida que eu venho pensado bastante desde domingo.

—Que dúvida?

—Até quando vamos fingir tudo isso? Quando... quando tudo isso vai acabar?







Espero que tenham gostado. Semana que vem tem mais!

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Beijos.

Laís.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora