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                  Frederico Borges

Isso! Vamos jantar. — Concordo com minha mãe.

Eu havia me esquecido completamente que Gabriela não sabia do meu "namoro", mas foi melhor ela ter ficado sabendo aqui, agora. Deu mais emoção.

— Preciso falar com você. — Sussurra Malu com seu hálito quente em minha orelha.

— Agora? — A vejo acenar afirmando.

— Mãe, eu vou ter que falar com a Malu rapidinho. Logo nós estaremos com você.

—Tudo bem. Vem, Gabriela, vamos deixar os pombinhos à sós. —Diz, puxando Gabriela para sala de jantar.

Pombinhos? Que merda!

— Aconteceu alguma coisa? —Pergunto, assim que vejo elas se afastarem.

—Não. Ainda não aconteceu nada. —Responde aflita.

Fico preocupado.

—Como assim, Malu? —Seguro-a pela nuca.

—Eu estou nervosa. Muito nervosa, Fred. —Segura meus pulsos. —Eu sei que pode parecer bobeira minha, mas, sinceramente, não sei conseguirei. —Suspira. —Desculpa.

Olho para os olhos castanhos mais sinceros e lindos que já vi, depois olho para os lindos lábios em formato de coração da Malu.

—Fique calma. Vai dar tudo certo. Você vai ver. —Acaricio sua nuca.

Então, ela sorri. O sorriso mais lindo que eu já vi brilhar em seu rosto.

Então, não resistindo, eu a beijo.  A beijo como se não houvesse mentiras nos envolvendo, a beijo querendo tirar essa apreensão que insiste em pairar em seu rosto. Simplesmente, saboreio os lábios mais doces que já beijei em toda minha vida.

—Hum-rum. —Ouço alguém pigarrear, nos tirando da névoa só nossa em que estávamos. —Desculpe atrapalhar o casal —Começa, para nossa tristeza, Gabriela. —Mas o jantar já irá começar a ser servido.

Nós a ignoramos. Completamente.

E por que? Porque estamos nos encarando. Sem piscar.

Acho que ela está assustada. Também, não é para menos, eu a beijei do nada.

O que foi que eu fiz?

Malu...

—V-vamos para mesa, sua mãe está nos esperando. —Gagueja, e praticamente corre para sala de jantar.

Confuso e ainda meio inebriado, eu começo a segui-la.

—Fred, Fred, Fred. —Fala Gabriela, balançando a cabeça.

—O que você quer? —Suspiro.

—Agora para me fazer ciúmes você irá ficar contratando acompanhantes inexperientes?

Como é?

—Você é louca? —Sussurro me aproximando. —Nunca mais fale assim da Malu!

—Fred, pode parar com o teatro, okay? — Sorri debochada.

—Eu não vou discutir com você, Gabriela. —Digo cansado. —Vá embora, eu digo a minha mãe que você passou mal. —A expulso. Delicadamente.

—Não. Eu não irei. —Ergue o queixo em sinal de desafio. —Não é porque você trouxe uma qualquer para dentro da casa de sua mãe que eu irei embora. —E dizendo isso, ela vai para sala de jantar. Me deixando perplexo, para trás.

                              ***

—Gosta de frutos do mar, Malu? O Fred adora! —Mamãe pregunta quando já estão todos acomodados em seus devidos lugares.

... gosto. —Responde ao meu lado.

Dona Nair não foi bem um pouco modesta na preparação para o jantar, usou as louças turcas, os guardanapos de linho egípcio, e o cardápio pelo que me parece será frutos do mar...

Será que terá...

—E de entrada, será escargô com...

Não ouço mais nada do que minha mãe está falando. Eu só olho para Malu, que também me olha com olhos arregalados.

Escargô? Sério, destino? A menina me falou a semana inteira que odeia essas lesminhas e agora você me vem com essa?! Que porra!

—Mãe, a Malu é alér...

—Não, Fred. Deixa. —Sussurra Malu, apertando meu braço.

—Tem certeza? —Pergunto.

—Digamos que você me deve essa. — E sorri. Então eu descubro: está tudo bem. Acho até que ela gostou do beijo...

Para. Sem ir por esse caminho, Frederico Borges!

—O que está acontecendo? —Pergunta minha mãe desconfiada.

—Nada, Dona Nair. —Fala Malu.

—Sem Dona, Malu. Sem Dona. —Fala sorrindo. Minha mãe realmente gostou da Malu!  E eu não sei porque eu me sinto aliviado ao constatar isso.

—Então, Gabriela, cadê seus pais? — Pergunto esperando que venham-nos servir.

—Papai teve de fazer uma viagem de última hora para Gramado e mamãe o acompanhou. Por isso que ele não vieram. — Explica, se referindo-se a rede de hotéis que sua família possuí.

Ah! Chegaram. —Exclama mamãe quando servem os pratos.

Eu olho para o meu prato; depois olho para Malu, que encara o prato dela; E, novamente, encaro as conchinhas que guardam uma delícia que, infelizmente, Malu não gosta.

Concluindo: Terei de bolar um plano.

E eu já sei exatamente o que fazer para ajudar minha namorada.

Mentira ApaixonanteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora