Capítulo 6.1

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Agosto chegou e para se criar um clima de curiosidade e mistério, além de aumentar a saudade entre os noivos, Donna foi para a casa de Adelle, que era tão grande e bonita quanto a de Vincent. Embora os dias parecessem passar lentamente, o que aumentava as expectativas da noiva para o grande e sonhado dia, ele finalmente chegou.
Donna, no quarto de hóspedes que ocupava na casa da amiga, já estava completamente vestida para a ocasião, e lhe faziam companhia apenas Adelle e sua cunhada Jenifer, que davam total atenção aos detalhes do vestido, da maquiagem e do cabelo da noiva, pois já haviam se retirados os profissionais contratados para esse propósito, mas naquele momento, parecia
necessário ajeitar o véu, arrumar algum detalhe no decote ou retocar parte da maquiagem. Estavam todas nervosas e muito ansiosas, afinal, era um momento muito esperado pelas três.
Da parte de Adelle, ver dois amigos tão amados se casando a deixava muito feliz, enquanto Jenifer, que junto do marido, praticamente ajudou a criar a linda noiva, estava bastante emocionada e contente. Quanto a Donna, bem, era o momento mais feliz da sua vida!
As duas madrinhas usavam vestidos longos de cor salmão, que deixavam todas as costas à mostra por baixo de uma renda fina. O cabelo de ambas consistia em um coque perfeito, sem deixar nem sequer um fio solto, exceto pela franja de Adelle. Para a maquiagem foram usadas cores claras, embora com algum brilho.
Jenifer, tinha estatura mediana, um corpo razoavelmente magro e bastante claro, cujas sardas no rosto, olhos de um verde claro e cabelos naturalmente alaranjados, lhe davam um ar jovem, sem denunciar o quão mais velha que sua cunhada ela era. Ao lado de Adelle, não fosse o traje, ela mais parecia uma adolescente.
Donna optou por um vestido de noiva do tipo princesa, todo branco, com bordados, rendas, várias camadas e uma longa cauda. Quanto ao seu penteado, apenas parte do cabelo foi preso, onde estrategicamente foi colocado o véu, deixando a maior parte dele solto e em cachos. O alto de sua cabeça estava enfeitado por uma linda e delicada tiara de brilhantes.
— Ei, estão prontas? — perguntou Allan do lado de trás da porta, enquanto batia para chamar a atenção delas.
— Ela está sim, amor, pode esperar lá embaixo que já vamos descer —respondeu Jenifer, tirando as mãos dos cachos louros da noiva, enquanto Adelle se levantava, depois de arrumar, mais uma vez, a cauda do vestido.
— Jen, vocês já disseram isso faz meia hora — disse impaciente. —Maninha, se não mudou de ideia, vamos logo, antes que ele mude —completou rindo.
— Ok, Allan, estou indo — Donna respondeu, sobressaltada.

— Estou lá embaixo, cinco minutos, hein. 

— Tá bom, amor, vai lá — Jenifer incentivou o marido.
— Ele está certo, né, gente! Vamos descer logo — disse olhando para as duas em um tom indeciso.
— Preparada mesmo? — perguntou Adelle fazendo careta.
— É que estou nervosa. A verdade é que já estamos juntos, na mesma casa... vocês sabem. Mas estou tão nervosa. Só em pensar em caminhar por aquele corredor, olhar para ele, dizer e ouvir aquele sim, está me batendo um desespero. Estranho, não acham? Quero dizer, é o dia mais feliz da minha vida, vou realizar meu sonho, mas estou apavorada! — Riu nervosa.
— Está faltando algo, minha querida? Tem alguma dúvida sobre o que sente ou... — perguntou Jenifer se aproximando e segurando em suas mãos.
— Não, meu Deus, não é isso. Eu amo ele mais que minha própria vida.
E não está faltando nada, só que está tudo tão lindo, tão perfeito. Sabe quando parece bom demais para ser verdade?
— Deixa de ser boba Donna e aproveite o que a vida te oferece —falou Adelle entusiasmada.
— Você está certa, Ade. Meninas, muito obrigada, por tudo que já fizeram e estão fazendo por mim — falou com os olhos começando a lacrimejar, enquanto elas a abraçavam, incentivando-a a se acalmar. — Bem, vamos lá — disse decidida.
Donna seguiu com Adelle, Jenifer e Allan para a igreja em uma limusine preta. 

****

Thomas Davis, primo e padrinho, já aguardava o seu par ao lado do noivo, no altar.
O noivo trajava um fraque cinza, cujo colete de mesma cor e em tonalidade mais clara, cobria parte da camisa branca de colarinho rígido, cuja gravata cinza-prateada, que mais parecia preta, combinava perfeitamente com os seus sapatos sociais pretos. Seus cabelos estavam penteados de lado e a barba bem-feita, seus olhos brilhavam e o seu sorriso lindo e espontâneo tomavam conta de sua expressão feliz. Fora a felicidade, não se percebia nele qualquer sinal de impaciência ou nervosismo.
A igreja estava toda decorada com rosas, nas cores salmão e brancas. Ela estava lotada, ao que parecia, todos os convidados se fizeram presentes.
Donna desceu da limusine mais confiante, seu buquê era de rosas também de cor salmão e brancas, como a decoração que escolheu. Esperou mais alguns minutos do lado de fora, com o seu irmão, que a levaria ao altar, enquanto Adelle e Jenifer entraram no recinto, como que informando a chegada da noiva. A música começou, como um convite para Donna entrar.
Vincent sorriu ao ver sua futura esposa, parecendo não perceber o seu cunhado de braços dados com ela. Donna estava incrivelmente linda, como uma noiva saída de um ensaio fotográfico. Ele apenas lhe sorria.
Ela caminhava devagar, olhos fixos em seu futuro marido, com o seu coração aos pulos. Sentiu que seus olhos se enxeriam de lágrimas de novo.
Lágrimas de felicidade. Embora achasse Vincent perfeito, achava incrível como o percebia ainda mais bonito naquele momento, e aquele sorriso, sempre tão lindo, também lhe parecia ainda mais perfeito.
A lenta caminhada da noiva, a beleza estonteante do casal e a felicidade que ambos emanavam, emocionou a todos os presentes, que abriam suas bocas admirados, cochichavam elogios ou secavam algumas lágrimas.
Donna caminhava com a certeza de que, após a cerimônia, aproveitariam a festa, para no dia seguinte voarem para o Brasil e curtirem a lua de mel, e só depois, ao retornarem para Los Angeles, viverem juntos a vida de casados. Ela tinha certeza que viveria feliz para sempre ao lado do homem perfeito que a escolheu.

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