Capítulo 8.1

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Como todos os dias perfeitos na rotina de Donna, ela e o marido saíram cedo, tomaram café na Coffe Drinks, cuja segurança fora reforçada, e ele a deixou na universidade, antes de ir para o hospital.
Sentia-se incrivelmente recuperada, graças aos cuidados do homem que ela tanto amava. Também já estava preparada para as queixas dos alunos relacionadas às suas notas, como sempre, saberia lidar muito bem com elas, orientando-os a estudar mais para o próximo exame.
Donna caminhava pelo corredor entre as carteiras, entregando uma a uma as avaliações.
— Você foi muito bem, Evan, parabéns! — elogiou.
— Valeu, Donna — agradeceu o aluno com um sorriso.
— Henry, você também foi bem. Viu como não precisava ficar tão nervoso! — disse amável.
— Graças a Deus, professora! Nem acredito — falou em um suspiro.
— Karen, prefiro não comentar, ok? — Entregou a prova chateada.
— É, eu sei, profa — respondeu aparentando estar envergonhada.
— Esperava mais de você, Alana — cobrou a professora.
— Que droga, eu também — respondeu chateada a aluna.
— Peter, só lamento! — disse em tom divertido.
— Ah, suaviza aí, Donna, o que custa? Foi por pouco! — pediu.
— Por três pontos! Dá duro na próxima que você chega lá —
respondeu sarcástica.
— Hanna, parabéns! — elogiou sorrindo.
— Ai, professora, estudei tanto. Valeu a pena! — respondeu eufórica.
— Yuri, incrível como sempre! — comentou Donna.
— Obrigado — agradeceu com naturalidade.
— Stephanie, precisamos conversar depois das suas aulas. Vou te
esperar, certo? — falou baixo apenas para que a aluna ouvisse, ao que ela
assentiu com a cabeça, envergonhada.
A professora seguiu entregando as avaliações, para posteriormente
fazer uma correção coletiva.
****
— Já recebemos bastante, Jhoe — disse Vincent ao folhear
rapidamente os mais de vinte currículos que segurava, sentado no seu
escritório.
— E ainda vamos receber mais — respondeu o outro.
— Caramba! Randall ainda não liberou as novas contratações. Pelo
jeito, quando isso acontecer, terei mais de quinhentos candidatos para
avaliar!
— Nossa, chefe, acha que vai demorar tanto assim? — perguntou Jhoe
assustado.
— Ele me disse que não tem previsão, mas que pode ser logo, ou não
— respondeu Vincent pensativo.
— Cara, tu vai ter trabalho! — disse rindo.
— Vou sim, mas pelo menos, não agora, que preciso resolver os preparativos...
— Preparativos de quê, chefe?
— Um almoço em casa, no sábado, com um casal de amigos —
respondeu rápido.
— Entendi. Vou para o laboratório, vai também? — disse caminhando
para a porta.
— Depois, pode ir.
Vincent olhou para o calendário de sua mesa, era quinta-feira, ele
tinha um importante compromisso para o dia seguinte, para o qual estava
bastante ansioso.
****
O período de aulas já havia se encerrado e Donna aguardava
pacientemente por Stephanie. Se passaram dez minutos e ela não apareceu, o
que deixava claro o seu desinteresse em conversar com a professora.
A garota, que possuía um histórico exemplar, agora preocupava todos
os seus professores, por apresentar apenas resultados insatisfatórios.
Stephanie, embora não faltasse tanto, não prestava atenção nas aulas, não
fazia a atividade e não mais demonstrava qualquer interesse em aprender, ao
mesmo tempo em que parecia triste e envergonhada pela sua situação
acadêmica. Perceberam também que suas antigas amigas se afastaram dela,
chegando a evitá-la, enquanto outros alunos não tentavam qualquer
aproximação. Donna queria saber o que estava acontecendo e o que a
incomodava, para então, tentar ajudá-la.
Como a aluna não apareceu, a professora decidiu descobrir tudo de
outra forma. Saiu da sala apressada, indo direto a uma aglomeração de
pessoas em um ponto de ônibus na frente da universidade. Viu as duas
garotas que procurava e acenou para que elas fossem até ela, ao que
obedeceram.
— O que foi, professora? — perguntou Lia.
— Preciso falar com vocês — respondeu ela demonstrando urgência.
— Tá bom, sobre o quê? — indagou Anne.
— Stephanie Anderson — respondeu decidida, percebendo o
incômodo no semblante das duas amigas.
— Acha mesmo necessário? — perguntou Lia.
— Tenho certeza que sim.
— Professora, nosso ônibus está vindo, não podemos perder. — Anne
tentou evitar a conversa.
— Faço uma notificação aos seus pais, vão ter uma reunião comigo.
Depois eu pago um táxi para vocês.
— Ok — respondeu Lia vencida, enquanto Anne balançou
afirmativamente a cabeça.
As três retornaram para a universidade e entraram na primeira sala vazia, que não seria ocupada pelos alunos do período da tarde.
As garotas sentaram, Donna ficou na frente delas, olhando-as de forma
inquisidora.
— Meninas, sei que está acontecendo algo, e vocês sabem o que é!
— Já perguntou para a Stephanie?
— Sim, inclusive fiquei esperando por ela até agora, mas como veem,
ela não apareceu. Então, preciso que vocês me contem para que eu e a
instituição possa ajudá-la. Vocês sabem que ela era bastante aplicada!
— Era sim, mas não há nada que possa fazer por ela.
— Stephanie está usando drogas?
— Não que estejamos sabendo, é só que...
— Só quê?
— A Sté é uma puta! Pronto, falei.
— O quê? Expliquem isso, o que tem a ver ela, bem, fazer programas,
com o rendimento dela aqui?
— Ela não faz programas, Donna!
— Ai, meninas, sejam mais claras, por favor.
— Tá bom. Há quase um mês, nós fomos pra uma festa na casa de um
garoto, onde tinha uma galera de uns três campus diferentes lá, era bastante
gente, sabe, todo mundo se divertiu, dançamos e ficamos um pouco bêbadas
até. Os garotos ficavam encima da gente, você sabe como é!
— Sim, e aí?
— A Sté foi para o quarto com uns garotos. Ela deu para eles, para os
cinco.
— Espera, meninas, ela estava bêbada?
— Estava sim.
— Então ela foi estuprada!?
— Não vemos assim, quero dizer, não tínhamos visto por esse lado —
disse Anne olhando para Lia perturbada.
— Só que, no dia seguinte, ela quis agir como se nada tivesse
acontecido. Levamos de boa, guardamos o segredo, mas aí, depois de uns dias
ela começou a ficar estranha. Perguntamos o que estava acontecendo, ainda
mais depois de ver ela discutindo com um dos garotos com quem ela transou
aquele dia na festa. Só aí ela nos mostrou um vídeo dela com os cinco, mas aí
todo mundo daqui já tinha visto ele na internet.
— E depois desse, teve outro vídeo, mas só com dois garotos e ela não
estava bêbada!
— Todo mundo começou a falar mal dela, não dava para
continuarmos amigas. Nos afastamos, meus pais não querem que eu chegue
perto da Sté.
— Os meus também não. Tenho dó é dos pais dela, que moram longe
daqui e pagam tudo para ela estudar sem precisar trabalhar, enquanto fica de safadeza com aqueles idiotas.
Donna ficou sem palavras. Não conseguia ver aquela situação da
mesma maneira que as meninas viam, mas não tentou argumentar. Deu a elas o dinheiro do táxi e pegou um outro, indo para casa, ainda mais preocupada.

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