Capítulo 5.3

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 — Bom dia, Chris — cumprimentou Ramona ao entrar no carro do parceiro, fechando a porta. — Para onde vamos tão cedo? — Bocejou cansada, pois foi dormir de madrugada e ainda não passava das seis da manhã.

Christopher sorriu de canto ao olhar para Ramona, enquanto ligava o carro.

— Para a Floresta Nacional de Angeles — falou com naturalidade.

— Nossa, que jeito melhor de começar um sábado! Desova de corpos? — questionou curiosa, lembrando das várias chamadas do tipo que haviam atendido.

— Acho que pior. Jeremy disse que precisamos ver ao vivo a nossa vítima, em tom de quem diz vocês não sabem o que os espera! — Olhou para ela sorrindo.

Christopher passou as informações que tinha para sua parceira, que não eram muitas: um rapaz havia andado oito quilômetros durante a madrugada para chegar até a primeira casa que encontrou para pedir ajuda, dizendo ter sido atacado e desconhecer o paradeiro da namorada que estava com ele antes do ataque. Chamaram a polícia, levaram-no para o hospital e iniciaram as buscas pela desaparecida. Encontraram-na, por isso, os detetives foram chamados com urgência.

Enfrentaram um pequeno, mas considerável trânsito, de forma que levaram aproximadamente quarenta minutos para chegarem ao local, uma charmosa cabana rodeada pela floresta, uns cinco quilômetros de distância da rodovia.

— Os urubus chegaram antes de nós — rosnou Christopher, ao perceber a presença de repórteres e jornalistas, afastados da cabana e impedidos de adentrar a floresta por uma extensa faixa de interdição, além de contarem ali dezenas de policiais.

Os detetives se esquivaram dos curiosos presentes e se aproximaram de um policial, para o qual mostraram seus distintivos. O acesso foi liberado para ambos, eles foram em direção a equipe de perícia, que estava reunida dentro da cabana.

Não se surpreenderam ao constatar que Ladonna Ortega estava presente, como perita e médica legista chefe, acompanhada por sua equipe. Nos últimos anos, era bastante comum o encontro deles, tanto nos locais em que encontravam os corpos, quanto no necrotério.

— Finalmente chegaram! — disse a legista com uma carranca, enquanto sua equipe se afastou, deixando-a na presença dos detetives.

— Faz tempo que está aqui? — perguntou Ramona, ignorando o mau humor de Ladonna, pois sabia que era devido aos jornalistas no local, cuja presença, na maioria das vezes, só atrapalhava.

— Há quase três horas. Liguei para Jeremy dez minutos depois de chegar aqui. E os nossos amiguinhos lá fora, estão aqui há mais de uma!

— Lamento não chegarmos antes, o que perdemos? — perguntou Christopher olhando mais atento o interior da cabana, cujos móveis rústicos e a organização impecável naquele espaço era de certa forma aconchegante, fora o telefone caído no chão, não havia nada ali que denunciasse a presença de um corpo, o que o fez deduzir que o mesmo deveria estar na floresta.

— Nada que não quisessem ter perdido! Nossa garota, Christine Vonda Carter, dezoito anos, estava nesse fim de mundo com o namorado, também de dezoito. Segundo ele, estavam dormindo quando ela o acordou dizendo que ouviu um barulho aqui embaixo. Ele desceu e foi atacado por trás com o fio do telefone, desmaiou sem ar e quando acordou, viu a porta aberta, mas subiu primeiro no quarto chamando a namorada, que não estava lá. Chamou do lado de fora e não teve resposta, pegou uma lanterna e seguiu pela estrada sem querer acreditar que a garota havia entrado na floresta no estado em que estava.

— No estado em que estava? O que isso significa? E por que dois jovens estavam aqui sozinhos? — perguntou Christopher.

— A cabana pertence à família da vítima, está em nome do pai dela, Jaime Carter. E o namorado não quis acreditar que ela entrou na floresta porque ela estava grávida.

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