Capítulo 5

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Vincent chegou ao instituto empolgado, tanto quanto uma criança fica ao ir passear com os pais. Atravessou o saguão do prédio apressado, mas sem deixar de cumprimentar os que passavam por ele, não importava se eram doutores renomados ou faxineiros, demonstrava a mesma simpatia e educação, o que fazia sua presença ser sempre agradável a todos.

Entrou em um elevador lotado, limitou-se a cumprimentar os presentes, sem dar brechas para diálogos. Sentia que o olhavam de canto, curiosos.

Chegando ao quinto andar, foi para a sala de espera, onde havia uma recepcionista atrás de um balcão. Abordou-a perguntando sobre o escritório de Jaime Carter e pedindo para que anunciasse sua chegada.

O escritório de Jaime ficava praticamente em frente à sala de Clayton Freeman, mas Vincent nunca havia lhe prestado atenção ou procurado diretamente por ele. Deu três batidas firmes na porta, obtendo resposta que vinha de uma voz grossa:

— Entre, Vincent.

Jaime era um homem com mais de quarenta, baixo, magro e calvo, cuja voz grossa chegava a surpreender, já que tinha um corpo tão franzino. Suas feições eram simpáticas, até alegres, embora estivesse visivelmente abatido.

— Com licença, olha só eu te dando trabalho logo cedo. — Entrou rindo.

— Que nada, Vincent, estou aqui para isso. Sente-se, fique à vontade!

Jaime estava entretido olhando para o monitor do seu computador, abria vários documentos ao mesmo tempo, buscando algo específico. Vincent, antes mesmo de se sentar, reparou na mesa de Jaime, lembrou que parte daquela papelada estava no escritório de Clayton no dia anterior, resolveu usar isso para iniciar uma conversa.

— Muito trabalho para fazer, Jaime?

— Pois é — respondeu ele, sem tirar os olhos do monitor.

Vincent decepcionou-se com a resposta, esperava mais que um simples pois é. Teve que insistir:

— O Clayton não gosta nada de acumular todo esse trabalho, deve estar te enchendo o saco! — Riu descontraído, esperando sua reação.

Jaime tirou as mãos do teclado e virou-se para ele:

— Ai, Vincent, o Clayton não entende. Você deve saber que ele é sozinho, a vida dele é esse trabalho, não tem família nem ninguém, mas eu não, eu tenho mulher e duas filhas. São minhas responsabilidades, se precisam de mim, eu tenho que estar lá com elas, entende? — justificou nervoso.

Vincent finalmente conseguiu iniciar a tão esperada conversa.

— Claro que entendo, Jaime, tenho uma namorada com quem quero me casar e não tenho filhos ainda, mas pretendo ter. Também faria tudo que fosse necessário para ficar perto da minha família, não há nada mais importante que isso! — disse aparentando comoção.

— Que bom que você entende. Família é tudo mesmo! E quem que quer ter problemas? Ninguém, Vincent, ninguém, mas não tem jeito, não dá para fugir deles, tem que enfrentar, né! — Jaime falou mais relaxado.

— É verdade, cara, não tem jeito. Mas me conta, resolveu o problema? — indagou curioso.

Jaime coçou a cabeça calva e encarou-o:

— Minha filhinha engravidou do namoradinho, os dois são muito jovens. Minha mulher ficou histérica quando Christine contou, assustou mais a menina!

— O Clayton comentou isso comigo, disse que estava preocupado com sua filha, que ela quase morreu tentando um aborto — disse para mostrar que estava a par da situação.

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