Capítulo 6

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Depois de sair do colégio, Donna foi direto para o seu apartamento, Adelle chegou em seguida, pois trocaram mensagens pela manhã combinando o encontro, em que a advogada ficou de levar comida japonesa para almoçarem juntas. Tinham muito o que conversar, passariam então a tarde juntas e a noite iriam sair para comemorar.
— Parabéns, noivinha! — disse Adelle já no apartamento, dando um abraço forte na amiga, em seguida colocando sua bolsa e algumas sacolas no sofá.
— Nossa, Ade, não estou acreditando, parece um sonho tudo isso! —Donna puxou a amiga pela mão para se sentar no sofá.
— Sonho, Donna, sério? É sua realidade, amiga, realidade que demorou, hein, eu estava achando seriamente que vocês estavam esperando que eu noivasse primeiro! — Riu irônica.
— Não brinca, Ade, eu também não ia querer esperar por mais uns cinco ou dez anos — disse rindo.
— Ai, como você é má! — Adelle fez careta. — Vamos comer, enquanto você me conta os detalhes de ontem, passei a semana toda ansiosa para saber como seria — disse a amiga se servindo.
— A semana? Você sabia que Vince ia me pedir em casamento? —perguntou surpresa.
— Vince me disse no almoço de final de semana — confessou.
— Mas quando que eu não vi... ah, era isso que vocês estavam cochichando? — indagou já sabendo a resposta, lembrando que tinha ficado chateada por aquela situação.
— Era sim. — Gargalhou.
— Não acredito, e você não me deu nenhuma dica, nada!
— Como não? Eu disse que viria te buscar hoje para comemorar! O que poderíamos comemorar, se não fosse algo do tipo?
— Vince disse que seria pela possibilidade do meu novo emprego.
— Na verdade, eu só soube disso quando você me ligou contando. —Riu. — Mas, e aí, onde vão passar a lua de mel?
— Vince disse para eu escolher, que vamos viajar para o lugar que eu quiser — falou animada.
— E aí? — perguntou Adelle curiosa.
— Olhe isso. — Donna apanhou da mesinha de centro algumas revistas de turismo, selecionou uma que tinha algumas páginas dobradas e estendeu para a amiga.

— Sério? Nada de Europa? Sabe quanta coisa histórica tem lá para você ver? — perguntou surpresa vendo as imagens na revista.
— Sei, mas é nossa lua de mel, não quero prestar atenção em nada que não seja o meu marido. Não quero ver nada que me lembre aulas de história, quero me divertir, relaxar, só isso!
— Está bem, mas para qual parte do nordeste brasileiro você quer ir?
— Nordeste? De jeito nenhum. Quero passar longe de calor e praias!
— Como assim, Donna? Olha essas praias maravilhosas, garota, se quer ir para o Brasil, como pode não querer ir para alguma praia? — disse folheando a revista mostrando lindas imagens paradisíacas para a amiga.
— Ade, já viu as brasileiras e os trajes que elas usam? Aqueles biquínis minúsculos! Não, Ade, não quero nada que distraia ele também — falou séria e enciumada.
— Sério isso, Donna? — Adelle gargalhou. — Você só pode estar brincando comigo! Vince só tem olhos para você, é a lua de mel de vocês, o que você está pensando é um absurdo!
— Até pode ser um pouco exagerado da minha parte, mas é que eu quero muito que seja tudo perfeito e romântico, penso que nada melhor que um lugarzinho frio e charmoso em que possamos ficar juntinhos em frente de uma lareira. Passei parte da madrugada pesquisando por algumas cidades assim, mas ainda não decidi qual.
— Donna, com tantos lugares que faz frio, que até neva, por que o
Brasil?
— No primeiro ano em que lecionei, tive uma aluna brasileira, que sempre contava maravilhas de seu país, e os pais dela eram tão simpáticos, que acabaram despertando meu interesse. Acho que essa é minha oportunidade! — Donna finalmente se serviu da comida.
— Ok, mas agora, me fala sobre ontem — disse Adelle, enquanto tirava seu blazer de cor bege, deixando à mostra seus ombros e braços, enquanto a regata verde e apertada destacava o volume dos seus seios. A saia colada em seu corpo, também de cor bege, não chegava aos seus joelhos.
— Está bem. Depois que saí da universidade liguei para ele contando que tinha tido sucesso em minha aula-teste, ele me falou que sairíamos a noite para comemorar, aí passei a tarde...
Donna contava tudo em detalhes e muito animada. Pausava algumas vezes para comer, enquanto Adelle ouvia atenta e quando não estava de boca cheia, interrompia a amiga com algum comentário divertido.
****
As horas passaram rapidamente, conversaram sobre os preparativos do casamento e a expectativa daquele momento. Donna contou que levaria algumas semanas para que pudesse se demitir do colégio e passar a dar aulas na universidade. Antes de anoitecer, resolveram se arrumar para saírem,combinaram de ir para alguma boate dançar, coisa que ambas amavam fazer.
Adelle praticamente tinha um guarda-roupa somente dela na casa da amiga, por causa das várias vezes em que dormiu ali nos últimos anos.
Às vinte e duas horas, as duas já estavam prontas para sair. Donna pôs um vestido de cor cinza, mais solto e discreto do que o da amiga, que usava uma peça branca colada no corpo, cujo decote salientava ainda mais os seus seios. Ambas prenderam os cabelos em coques altos, para se sentirem mais confortáveis enquanto dançassem. A franja de Adelle não incomodava e caía-
lhe perfeitamente no rosto bonito e delicado. A maquiagem de uma, era mais leve e até casual, enquanto da outra, chamava a atenção para os olhos e para a boca.
Decidiram ir no carro de Adelle. Chegaram a uma boate já lotada. Era a preferida de ambas e muito bem frequentada. Foi impossível para Donna não beber alguma coisa, embora pouco, mas o suficiente para se soltar mais e dançar sem qualquer timidez. No começo dançaram juntas na pista, mas não demorou que fossem puxadas por alguém, com quem continuaram a dançar.
A música tocava alta no ambiente pouco iluminado, cujas poucas luzes piscantes, incitavam-nas em um ritmo animado e envolvente. As pessoas dançavam coladas. Donna mantinha o copo nas mãos, não tinha pressa em terminar de beber, até porque não era acostumada e receava dar vexame.
O homem que a tirou da companhia de Adelle para uma dança, puxou-a pela cintura, colando-a ao seu corpo em um movimento rápido. Levou alguns segundos para que ela conseguisse tomar alguma distância. Ele era moreno, alto e mais forte que o seu noivo, além de ter um cheiro que lhe pareceu irresistível naquele momento. Dançaram por mais alguns minutos, até que ele a puxou novamente para si, encarando-a com uma expressão que Donna não pôde decifrar, até sentir uma de suas mãos escorregar pesada pelo seu corpo, apalpando-a com força, fazendo seu coração disparar. Tentou empurrá-lo, mas não conseguiu, ele olhou-a e pediu desculpas. Ele tentou conversar, disse se chamar Richard. Ela disse que se chamava Donna, o que o
fez sorrir.
Não falaram mais nada, até que, levado pela música, ele a virou de costas, fazendo-a derrubar o copo no chão, abraçando-a por trás. Donna tentou se afastar, quando sentiu a boca quente de Richard na sua orelha e em seguida no seu pescoço, puxando-a mais forte para o corpo dele, forçando-a a sentir o quão excitado estava. Instintivamente, ela deu-lhe uma cotovelada
com a força que tinha. O gesto inesperado o fez soltá-la.Donna encarou-o furiosa e saiu da pista.
Ela foi para o bar da boate, sentou e pediu algo para beber. Estava irritada com o que tinha acabado de acontecer. Do lugar que estava, tinha uma boa visão da pista de dança, conseguia ver Adelle dançando, ou melhor, se esfregando com um cara. Reparou em outros casais, percebendo aquele mesmo comportamento. Sentiu seu rosto queimar ao lembrar que com Richard também foi daquele jeito.
****
Adelle dançava com um homem, cujo cabelo castanho-claro estavam bastante bagunçados de tanto ela passar suas mãos. Estavam com os corpos colados, tanto as mãos dele, quanto as dela, não paravam de passear pelo corpo um do outro. Donna viu quando Adelle ficou de costas para ele e desceu dançando no ritmo da música, mas subiu devagar e rebolando sem se afastar do corpo dele. O rosto de ambos denunciava o desejo que compartilhavam, o que fez Donna lembrar de quantas vezes já tinha visto aquilo, pressentindo o que iria acontecer aquela noite.
Alguns rapazes se aproximavam convidando-a para dançar, mas receando uma nova situação embaraçosa, recusou todos os convites. Donna viu que Adelle e o parceiro pararam de dançar e conversavam na pista, adivinhando a conversa, se dirigiu ao banheiro e apanhou seu celular pedindo por um táxi. Voltou ao bar onde a amiga já a aguardava.
— Donna, eu não sei como te dizer, mas eu e o Erick, bem, vamos dar uma saidinha. Eu volto para te buscar, ok? — falou meio sem graça e visivelmente bêbada.
— Tudo bem, Adelle, também vou para casa — respondeu em um suspiro.
— Não, amiga, essa noite é sua, você tem que se divertir! — falou de forma atropelada.
— Não, Ade, também estou cansada e já é tarde, preciso mesmo ir.
— Tudo bem, amiga, eu te deixo no seu apartamento.
— Não precisa, Ade, não se preocupe comigo, pode ir se divertir com o Erick. Já chamei um táxi, chega em vinte minutos.
— Verdade mesmo?
Donna assentiu com a cabeça. Adelle lhe abraçou e correu para o Erick, que estava a uns quatro metros das duas esperando. Saíram abraçados.
Ela foi para fora da boate também, para esperar seu táxi chegar.
Lembrou das incontáveis vezes que a mesma coisa aconteceu, de saírem juntas para uma noite de amigas e Adelle acabar encontrando um futuro namorado. Lembrou que uma única vez ela ficou na balada sozinha, pois a amiga disse que voltaria para buscá-la, mas quatro horas depois, todos iam embora e a advogada não apareceu.
Adelle era maravilhosa, mas seu fraco era homens. Era incrível como conseguia relacionamentos relâmpagos, e com cada homem que nem dava para acreditar. Entre os namorados de Adelle, houve homens mais velhos e mais novos, um policial, um médico, o filho de um governador, um barman, alguns modelos e outros tantos de advogados.
O táxi chegou e Donna foi para seu apartamento feliz, apesar do inconveniente Richard e de ter acabado sozinha. Sabia que no dia seguinte sua amiga ligaria pedindo mil desculpas pelo acontecido, prometendo que nunca mais algo do tipo ia acontecer, assim como foi das outras vezes.
****
Dez meses passaram rapidamente para Vincent e Donna, que ficaram muito envolvidos com os preparativos do casamento. Já estavam em julho, com tudo preparado, pois o casamento seria logo na primeira semana de agosto, em um sábado à noite.
A cerimônia foi marcada na mesma igreja em que o casal participava ativamente, o que consistia em uma imensa alegria para todos que a frequentavam, já que Donna e Vincent eram muito queridos nessa instituição religiosa.
Fariam uma imensa festa no salão mais badalado de Los Angeles, onde receberiam em torno de duzentos convidados. Vincent convidou todos os seus colegas de trabalho do hospital, assim como muitos conhecidos e amigos de sua falecida mãe, além de seus tios e primo que viriam de outro Estado para o evento. Donna também convidou as pessoas com quem trabalhava,
tanto do colégio, de onde saíra há mais de seis meses, quanto da universidade em que agora lecionava, além de seu irmão e cunhada. Os amigos da igreja também marcariam presença.
Os padrinhos de Vincent seriam Adelle e seu único primo, Thomas Davis, que chegaria com os pais, Mark e Linda, alguns dias antes do casamento, para passarem um tempo com o sobrinho em Los Angeles. Os padrinhos de Donna, o seu irmão Allan e sua cunhada Jenifer, também
gozariam da hospitalidade do noivo.
Os noivos decidiram que viveriam na casa de Vincent, de forma que nos últimos quatro meses, Donna já havia mudado para lá. Decidiram alugar o apartamento de Donna, o que fizeram sem dificuldade. Assim, ela apenas retirou de seu apartamento o que fosse necessário para a nova fase de sua vida.
A lua de mel seria mesmo no Brasil. Donna escolheu ficar uma semana em Campos do Jordão, uma cidade interiorana paulista, bastante conhecida por seu clima frio e por ser repleta de atrativos naturais e culturais.
Reservaram o período da estadia em um resort, compraram as passagens aéreas e conseguiram contratar através de uma agência de turismo americana, um guia de turismo bilíngue, que os recepcionaria no Brasil, para atendê-los em todos os passeios que fossem fazer pela localidade, em que também deixaram reservado o aluguel de um carro. Donna estava entusiasmada, principalmente porque sabia que era inverno no Brasil, e pelas várias pesquisas que fez, somadas as informações maravilhosas que a agente de viagens lhe passou sobre o destino escolhido, ela sabia que teriam a lua de mel dos seus sonhos.

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