Capítulo 1.1

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— Peter, precisamos das fotos — disse Ramona ao adentrar o escritório do necrotério, onde o médico preenchia alguns papéis.

— Claro, estão aqui com as informações recolhidas pelos policiais. E olhem, talvez queiram falar com o casal que está lá na recepção. — Apontou para algumas cadeiras fora do escritório, onde haviam duas pessoas desconfortavelmente sentadas.

— Quem são?

— Parentes da mulher. A irmã com o noivo, acho que Kathy e James White. Foram avisados do acidente logo que os policiais identificaram as vítimas. Eles estão aguardando para reconhecerem os corpos.

— Vamos falar com eles, obrigado.

— Com licença, detetives Christopher Lang e minha parceira Ramona Hale. Vocês são parentes de Barbara e William Tompson?

— Sim. Kathy Burks, sou irmã da Barbara e esse é meu noivo, James White. Tompson é o sobrenome do Will... — respondeu secando as lágrimas. — O que querem saber? Por que estão investigando o acidente da minha irmã?

— No local do acidente só foram encontrados o casal, mas estamos averiguando a possibilidade de ter sido provocado por outra pessoa — respondeu o detetive.

— Meu Deus, o que aconteceu? — perguntou Kathy assustada.

— Não podemos ainda dividir qualquer detalhe da investigação, mas é muito importante que vocês nos ajudem respondendo algumas perguntas — explicou Ramona.

— Claro, podem perguntar — concordou ela.

— A Barbara estava grávida?

— Sim, de seis meses, estávamos todos tão contentes, ia ser meu primeiro sobrinho, era um menino! — disse entre lágrimas, ao mesmo tempo em que o noivo a abraçou, tentando confortá-la.

— Sentimos muito a sua perda! — declarou a detetive gentil.

— Obrigada. O que mais querem saber? — disse secando os olhos, enquanto seu noivo a amparava.

— Quando foi a última vez que vocês os viram?

— Hoje de manhã, quando me despedi deles. Nesse final de semana eles estavam em casa, foi nosso noivado, ela disse que não perderia por nada... Somos de Sacramento, a Barbara casou e mudou para Los Angeles, mas nossa família toda é de lá.

— Sua irmã e o seu cunhado estavam bem quando saíram da sua casa? E a gestação estava... normal?

— Claro. Estavam todos bem ou eu não deixaria que eles voltassem hoje. E a gestação estava normal sim, mas o que tem a ver? Acha que sofreram o acidente porque ela passou mal, por causa do bebê ou algo assim?

— Ainda não sabemos, Kathy, só precisamos confirmar se tudo estava em ordem na viagem.

— Tá. Eles foram para nossa casa no sábado, porque o Will trabalhou até tarde na sexta, e conseguiu a segunda, hoje, de folga. Saíram cedo de casa para ele poder descansar da viagem, para voltar ao trabalho amanhã — contou. — Já podemos ir ver se vão liberar os corpos?

— Só mais uma pergunta: eles falaram sobre alguém que tenha feito qualquer ameaça ou você tem ideia de quem faria algum mal a eles?

— Não, claro que não. Parece mesmo que vocês acham que foram assassinados! — observou Kathy.

— E quanto a você, percebeu algo estranho em sua cunhada ou concunhado? — perguntou Christopher se dirigindo a James, ignorando o comentário da noiva dele.

— Bem, desde que Kathy e eu estamos juntos, como moramos longe, vi poucas vezes a irmã e o marido dela, mas para mim, nesse final de semana eles estavam normais, pareciam bem e felizes! — respondeu James.

— Podem ir até a legista. É só seguirem em frente por aquele corredor. Agradecemos pela atenção de vocês.

Com as informações necessárias em mãos, antes mesmo de alcançarem o carro de Christopher, ligaram para o departamento pedindo que enviassem uma equipe com peritos para o local do acidente. Dirigiram direto para lá. Embora já tivesse sido feita a perícia no local, a primeira equipe não buscava nada de diferente, somente documentar uma triste tragédia, mas agora, sabiam que precisavam ser mais detalhistas. Buscavam por qualquer coisa: sangue pelas proximidades, qualquer sinal de que esteve ali mais alguém além do casal e também um feto.

O trecho da estrada em que ocorreu o acidente era em meio a uma área totalmente desértica, sem qualquer vegetação ou instalações humanas. Praticamente sem tráfego, chegando até a levar dez minutos para passar um veículo, isso quando passava algum.

Enquanto analisavam o espaço, Christopher e Ramona discutiam as hipóteses. Sabiam que o carro da vítima saiu da estrada, provavelmente estavam em alta velocidade e erraram ao fazer a curva, o carro capotou e explodiu. Ao redor dele, não haviam marcas senão do próprio carro acidentado. Se alguém esteve ali e se estava de carro, que seria o mais lógico, deixou-o na estrada e camuflou suas pegadas. Nas fotos que pegaram com Peter, viram o corpo dela ao lado do veículo, pela posição dele, estava claro que não era de alguém que se desequilibrou e caiu, ou mesmo que tentava se afastar do acidente. Barbara foi colocada ali, e não haviam sinais de que tenha sido arrastada, ela foi carregada. Não havia nada ali que pudesse ajudar, iriam aguardar os resultados da perícia.

Três dias se passaram, os resultados haviam chegado e em nada colaborou com a investigação. O motivo do acidente não foi devido nenhum defeito ou fraude no veículo. O motorista perdeu o controle na curva e estava em alta velocidade, capotou, pelo impacto sofrido acabou vazando combustível, que chegando ao motor superaquecido pelas cinco horas em funcionamento, de Sacramento até Los Angeles, explodiu.

Até aí tudo tinha uma explicação. Mas alguém esteve lá e extraiu um feto de uma vítima de acidente de carro e a deixou para morrer queimada. Levantaram muitas hipóteses, mas sem quaisquer evidências e sem novas provas, não tinham como continuar. Tinham o aval do chefe para encerrarem ali. Frustrados, foi o que fizeram.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!