Capítulo 3.1

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— Carolina, e seu irmão, o que realmente aconteceu com ele? — Os detetives já tinham visto o atestado de óbito do garoto, no mês anterior, quando ela fez a acusação. Rick Gale, tinha quinze anos, o laudo do médico legista dizia que sua morte era devido a dezenas de fraturas ocasionadas por ele ter caído acidentalmente da sacada do apartamento em que morava com a família. Fazia todo sentido, pois moravam no 14° andar e era comum que os jovens se arriscassem sentando no parapeito de suas varandas. Sua irmã, na ocasião tinha apenas dez anos e estava em casa quando o acidente aconteceu, já a sua mãe estava no trabalho.

— Meu irmão sempre tinha apanhado quieto, mas não aguentava mais, naquele dia ele tentou reagir empurrando nosso pai, o que deixou ele mais bravo. Ele levou o Rick para a sacada e disse que ia jogá-lo se ele não pedisse perdão. Acho que o Rick não acreditou nele, pensou que mesmo bêbado não teria coragem, mas ele teve... eu fiquei desesperada, quando a polícia chegou, meu pai me abraçava e eu não disse nada. Todo mundo achou que foi um acidente, mas não foi. Quando contei para minha mãe, ela não acreditou em mim, disse que eu exagerava as coisas. Aí saímos do apartamento e fomos para a casa que... vocês sabem. Meu pai passou a beber cada vez mais depois da morte do meu irmão.

— Além de você, mais alguém sabia das agressões que seu irmão sofria? — questionou Ramona.

Carolina olhou para a tia, que se apressou em dizer:

— A família toda. Meu cunhado sempre foi muito violento com a esposa e com as crianças. Só não sabíamos que ele tinha matado Rick, Carolina nunca nos falou.

— É verdade, eu só falei para a mãe, mas ela dizia que eu não podia sair inventando coisas do meu pai.

— Se acusarmos seu pai da morte de seu irmão, você vai testemunhar? — perguntou Christopher.

Carolina assentiu com a cabeça.

— Agora, precisamos pegá-lo, Carolina! Sabe em que lugar ele está?

Carolina olhou novamente para a tia, que falou bastante nervosa:

— Não sabemos, aqui ele não está!

— Tia, por favor, conte para eles — pediu com tristeza para sua tia Ruth, e virando-se para Christopher: — Ela sabe onde ele está, eu não...

— Precisa nos contar, senhora, ou terá problemas com a lei — disse ele de forma autoritária, olhando nos olhos daquela mulher visivelmente assustada.

Ela hesitou, mas acabou falando:

— Não gosto dele, nunca gostei. Ele é um monstro, olha o que fez com a família dele, mas entendam, é irmão do meu Charles, e meu marido gosta muito dele. Ontem durante a noite, quando ele fez o que fez, ligou para cá, fui eu quem atendi, estava transtornado, gritava dizendo que queria falar com o irmão dele. O Charles atendeu, desligou apavorado. Olhou para mim e disse que o idiota do irmão dele tinha feito besteira e que tinha que ajudar. Aí ligou para o hospital pedindo uma ambulância e me mandou ir para lá também, para ver a menina. Saiu às pressas e eu o obedeci.

— Onde podemos encontrar seu marido? Alguma ideia de onde tenha levado o irmão? — questionou Ramona.

— Meu marido trabalha em um frigorífico, o Best Meat, ao lado tem um depósito abandonado, que os funcionários costumam ir lá para descansarem em suas horas de almoço. Charles ia deixar ele lá, até que decidisse o que fazer.

— Conheço o frigorífico e sei onde é o depósito. Se avisar seu marido, ambos serão acusados de cúmplices, então não faça nada — disse Christopher.

Ela assentiu com a cabeça.

Logo que saíram da casa de Ruth Gale, Christopher apanhou o celular e discou rapidamente.

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