Capítulo 5.2

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Era tarde, já passava das dezessete horas, mas o interior da mata já se fazia sombria. O carro de Vincent estava bem escondido entre a vegetação espessa, pois havia adentrado a floresta. Ninguém que passasse pela estrada poderia vê-lo e ninguém entraria ali, era uma área particular com pouca movimentação.

Ficaria ali até o anoitecer e depois seguiria para perto da cabana, que não ficava muito longe dali. Conferiu mais uma vez sua mochila, verificando se tudo que poderia precisar estava lá, constatou que estava. Tirou as roupas que estava usando, apanhou outro traje, de cor escura, composto por uma calça não muito fina e uma camisa de mangas compridas sem botões. Embora ficassem bem coladas em seu corpo, as novas vestes estavam bem confortáveis. Calçou botas de borracha que eram pelo menos dois números maiores que o seu, cujos canos iam quase até os seus joelhos e eram bem estreitos, impedindo que elas saíssem conforme ele se movesse. Vincent havia treinado bastante com esses calçados, não teria muitos problemas de locomoção, de qualquer forma, não era apropriado que deixasse seu rastro ali, pelo menos, não o verdadeiro.

Esperou até as dezenove horas, pôs a mochila nas costas e se aproximou devagar, ficando a uma distância segura da cabana. Apanhou seu binóculo para ver melhor. Era uma casa bonita e grande, as luzes do térreo ainda estavam acesas e dava para perceber a movimentação do casal. Eram jovens, provavelmente demorariam a subir para o quarto e dormirem. Esperaria até que abaixassem a guarda, até porque não tinha pressa e não importava o que acontecesse, não passaria daquela noite.

Christine era uma garota magra, de estatura baixa, pele clara e olhos escuros. Embora já tivesse seus dezoito anos, a magreza somada aos seios pequenos e nádegas pouco privilegiadas davam a ela um ar mais jovem. Não era feia, pelo contrário, tinha uma beleza juvenil de menina inocente, apesar da barriguinha estar bem saliente, mostrando que não tinha tanta inocência como parecia. Christine possuía uma expressão arteira e alegre, de um jeito que lembrava o seu pai. Ela falava e gesticulava bastante com o namorado, ao que ele respondia animado.

Samuel, também com dezoito anos, era um rapaz alegre e divertido. Seus cabelos castanhos e lisos que iam até o ombro lhe davam um certo charme. Era de estatura mediana e tinha o corpo mais trabalhado que muitos garotos da sua idade.

O casal namorou por todo o colegial e muitas vezes planejaram uma vida juntos, só não esperavam que acontecesse daquela forma. Samuel amava Christine e sofreu muito com a possibilidade de perdê-la, quando ela quase morreu tentando abortar o filho. Ele ainda não tinha ideia de como seria se tornar pai, mas estava feliz e empolgado com essa nova realidade.

Estavam na cabana há dois dias e se curtiam muito, como se estivessem em lua de mel. Algumas vezes discutiam, mas na maior parte do tempo, brincavam um com o outro ou namoravam, a barriguinha de Christine não era nenhum impedimento. Acabavam indo dormir por volta da meia noite, acordavam tarde e preparavam o café juntos, assim como o almoço e o jantar. Jaime Carter havia deixado a despensa cheia de mantimentos, de forma que nada lhes faltava.

Vincent viu as luzes do térreo serem apagadas. Assistiu de longe o casal namorar na parte superior da cabana, no quarto. Esperou pacientemente que terminassem e apagassem as luzes, o que aconteceu depois das vinte e três horas.

Esperou um pouco mais, era importante que estivessem mais relaxados. Enquanto esperava, se preparou para o grande momento. Vestiu nas suas mãos um par de luvas cirúrgicas azuis e colocou um capuz feito de meia fina, que só deixava visíveis os seus olhos, que foram logo escondidos após ajeitar seus recém-comprados óculos de visão noturna.

Caminhou sem pressa para perto da cabana, deixando a mochila ali, onde poderia pegar depois de terminar o serviço. Os únicos ruídos que ouvia vinham de dentro da mata, fora isso, havia apenas escuridão e silêncio.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!