Capítulo 4.1

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 — Tá, qual é? — perguntou Jhoe.

— Temos os resultados anteriores do uso do composto X-16? Quero um comparativo de todas as avaliações e resultados dos testes que foram feitos nos últimos seis anos, para obtermos um resultado mais satisfatório.

— Sério isso, chefe!? Não precisa, está tudo certo com ele, já dá para ser lançado no mercado essa nova fórmula — argumentou ele, surpreso com a decisão de Vincent.

— Não, Jhoe, vamos mesmo precisar revisar, acho que dá para melhorarmos em uns 60% essa fórmula.

— Caramba, você e seu perfeccionismo! — disse gargalhando. — Se acredita mesmo que dá para melhorar, tô contigo! Vamos rever o material e descobrir como que dá para melhorar, mas Vincent, só temos as anotações referente aos testes anteriores e sabe né, não é a mesma coisa.

— Sei, cara, precisamos das cópias desses testes, mancada minha não orientar vocês a arquivar isso também.

— Relaxa, chefe, ninguém manda arquivar isso, só importa mesmo os resultados finais. Além do quê, há seis anos você não estava lá com a gente, o chefe anterior também dispensava esses papéis — disse rindo. — O arquivamento de tudo fica por conta do Instituto de Pesquisas e ... é isso, chefe, é só pedir lá que eles fazem uma cópia pra tu.

— Boa, garoto! — disse Vincent sorrindo. — Bom ter por perto alguém que pense em tudo!

— Ah, fala sério, chefe, tu ia pensar nisso mais cedo ou mais tarde! — Jhoe gargalhou, agora mais desperto do seu sono. — Teu QI é elevado, dá pra bem mais que isso, chefe!

— Está legal, Jhoe, vou deixar você levantar, se arrumar e ir para o hospital — Vincent respondeu rindo.

— Como assim? Fiz o turno da noite, tô quebrado! — respondeu assustado. — Hoje só entro depois do almoço.

— Hoje você entra às oito, quero que prepare a equipe para quando eu chegar com o material.

— Mas, Vincent... — tentou argumentar.

— Quem falou que é preciso ir ao instituto? Quem vai? Pode se candidatar, se quiser, e poderá entrar um pouco mais tarde, mas não muito, porque preciso de você lá com a equipe — informou Vincent.

— Droga, sabe que ninguém gosta de te representar lá, aquele Clayton Freeman é um pé no saco!

— Ótimo, então esteja no hospital às oito, lembre-se que são horas extras bem remuneradas — disse rindo.

— Tá legal! — respondeu Jhoe vencido. — Eu e minha boca grande!

Desligaram. Vincent estava satisfeito, já tinha pretexto para chegar em Jaime, então devolveu o celular para o criado-mudo. Tirou o roupão e levou-o para o banheiro, estava seco e confortável, andando nu pelo quarto. Foi até seu closet, onde pegou um terno escuro, uma camisa salmão e uma gravata preta. Calçou as meias e os sapatos, e foi se ver no espelho.

Terminou de abotoar a camisa e ajeitar a gravata, enquanto focava o olhar no seu cabelo em frente ao espelho. Teve que penteá-los, embora não quisesse, pois achava que aqueles fios bagunçados lhe caíam bem, mas não podia deixar daquele jeito, tinha que ficar impecável e perfeito!

Vincent sabia que além das mulheres, os homens também o olhavam com admiração, em alguns casos, até com inveja. Ele sabia que chamava demasiada atenção, que sua presença era sempre notada e sempre o chamavam boa pinta.

Atentou-se a sua expressão serena, onde nada em sua aparência denunciava os seus pensamentos. Sorriu para si mesmo, um sorriso bonito e espontâneo, que chegava a ser sedutor e convidativo.

Ouviu o alarme do despertador do seu celular, o que fez ele lembrar que já passava das sete horas e que precisava ligar para o instituto.

Discou direto para o ramal do setor de seu interesse, torcendo para que Jaime atendesse, afinal, só o seu patrão Clayton e ele, por ser o assistente, eram autorizados a atender aquela linha. Mas naquele horário, Clayton não estaria no instituto, então se viesse a ser atendido, seria exatamente por quem Vincent queria.

Chamou uma, duas, três vezes...

— Escritório do doutor Clayton Freeman, bom dia! Em que posso ajudar?

— Bom dia, Jaime, como você está? — perguntou com naturalidade. — Aqui é Vincent Hughes, do Hospital Bom...

— Oi, Vincent, sei quem é você, não precisa dessas apresentações! — interrompeu Jaime com gentileza e simpatia. — Estou bem e você? Do que precisa?

— Opa, que bom que lembra de mim — respondeu educado, retribuindo a gentileza de Jaime. — Preciso de um favorzão, mas não sei se é você ou o Clayton que pode conseguir isso para mim.

— Pode falar, Vincent — incentivou Jaime.

— Quero cópias de todos os resultados referente aos testes que foram feitos com o composto X-16 pelo Hospital Bom Samaritano, mas tem que ser desde o início, de uns seis anos atrás.

— Nossa, é bastante tempo, hein... os últimos resultados da fórmula você já retirou?

— Já sim, mas preciso mesmo dos antigos, é importante! — disse aparentando urgência.

— Assim que o Clayton chegar vejo com ele para me liberar os arquivos antigos, acho que não vai ter problemas. Aí, adianto aqui para você.

— Valeu mesmo, Jaime, vai me ajudar muito, obrigadão, cara! — disse empolgado.

— Imagina, vai ser um prazer. Só me dá uma hora para falar com o Clayton e procurar os arquivos.

— Claro, Jaime, tranquilo, daqui uma hora estarei aí.

— Vou te esperar.

Vincent desligou o aparelho celular satisfeito e empolgado. Só precisava enrolar um pouco para ir ao instituto. Sorriu ao se lembrar de Donna, ela deveria estar no colégio a essa hora, não havia nenhum problema em dar uma passadinha por lá para vê-la.

Não demorou muito e Vincent estacionou próximo ao colégio em que a namorada trabalhava. Passou pela secretaria para perguntar a sala em que Donna estava lecionando, ao que um rapaz de aparelho informou ser na sala de leitura e o orientou em que direção seguir para chegar até lá.

Os funcionários já o conheciam e sabiam que estava ali para ver a professora Donna Dixon. Enquanto seguia pelo amplo corredor do colégio, Vincent cumprimentava com um bom dia seguido de um sorriso a todos que o olhavam, chegando a deixar uma ou outra pessoa sem jeito. Assim que se deparou com a sala de leitura, avistou sua namorada debruçada sobre a mesa de uma aluna, provavelmente ajudando-a a interpretar o texto que lia em seu livro de História.

Donna percebeu os olhares dos alunos que pararam com suas leituras e olhavam curiosos para a porta. Virou-se para saber o que havia atraído a atenção das crianças e sorriu ao ver Vince ali parado. Ela orientou os seus alunos a voltarem para a leitura de seus livros, que tratavam da Independência dos Estados Unidos. Pediu licença e saiu, fechando a porta atrás de si.

— Que surpresa boa! — disse sem se atrever a beijá-lo, pois receava ser repreendida por seu ato, apenas o abraçou.

— Estava com muita saudade de você, aí resolvi dar uma passadinha rápida aqui, antes de ir trabalhar — disse amoroso.

— Obrigada, amor. Vince, quero te ver essa noite! — murmurou ela sorrindo.

— Eu também, depois combinamos. Donna, e sua entrevista ontem, como foi? — indagou curioso.

Donna fechou a cara, mostrando-se irritada.

— Vou te contar depois, é melhor!

— Tudo bem, amor — disse ele, percebendo o quanto o assunto a desanimou. — Mas não importa o que aconteceu, você não pode desanimar, tenho certeza que vai conseguir! — falou em tom carinhoso.

Ela sorriu.

— Obrigada, Vince — disse dando um selinho rápido no namorado.

Se despediram. Ambos voltaram para as suas obrigações felizes, embora não pelas mesmas razões.

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