Lunar

By ErikaFerCoelho

8.2K 573 26

Leitura indicada para maiores de 18 anos. PLÁGIO É CRIME! SINOPSE Daniela é uma jovem brilhante recém-formada... More

Capítulo 1 - Formatura
Capítulo 2 - Ressaca
Capítulo 3 - Mudanças
Capítulo 4 - Encarando a fera
Capítulo 5 - Lar doce Lar
Capítulo 6 - Revelações
Capítulo 8 - Esclarecimentos
Capítulo 9 - Conselhos
Capítulo 10 - Festa
Capítulo 11 - Problemas
Capítulo 12 - Proteção
Capítulo 13 - Precaução
Capítulo 14 - Solução
Capítulo Bônus Aleksander
Capítulo 15 - Inversão
Capítulo 16 - Investigação
Capítulo 17 - O Belo Desconhecido
Capítulo 18 - A Matilha
Capítulo 19 - Lua Cheia
Capítulo 20 - Provocação
Capítulo 21 - Ata-me!
Capítulo 22 - Ultimato
Capítulo Bônus Aleksander - Parte 1
Capítulo Bônus Aleksander - Parte 2
Capítulo 23 - Armadilha
Capítulo Bônus Aleksander &Diego
Capítulo 24 - Desabafo
Capítulo 25 - Reencontros
Capítulo Bônus - Leonardo
Capítulo 26 - A Origem
Capítulo 27 - Sofia
Capítulo Bônus Aleksander
Epílogo
AVISO - CONTINUAÇÃO

Capítulo 7 - Mistérios

278 19 1
By ErikaFerCoelho

Fiquei tremendo da cabeça aos pés sentada no chão por um longo tempo esperando que tudo aquilo não passasse de um sonho que eu estava tendo durante um cochilo no serviço, mas é claro que não era. Toda aquela cena havia sido muito real e pelo jeito todas aquelas histórias de lobisomens eram verdadeiras. Quando comecei a raciocinar direito lembrei-me de que talvez aquela fosse a primeira noite de lua cheia do mês, corri para a janela para conferir. Abri a cortina e vislumbrei a lua enorme brilhando no céu escuro. Só podia ser essa a única explicação para o fenômeno que eu presenciara. "Mas porque ele ficou comigo daquela maneira se ele sabia que ia se transformar naquele monstro?" fiquei perguntando-me repetidamente e tinha esperanças de que Dimitri pudesse me esclarecer o quanto antes o que havia acontecido para que eu conseguisse manter minha sanidade mental.

Permaneci impaciente na sala por um bom tempo, esperando que alguém me ligasse. Como isso não aconteceu decidi tomar um banho para esfriar a cabeça e colocar meus pensamentos no lugar de uma vez por todas. Entrei no banheiro e comecei a me despir, quando por fim olhei meu reflexo no espelho encarei a prova de que aquilo não fora uma ilusão. Em meu ombro esquerdo havia uma marca vermelha onde Aleksander havia me mordido. Estremeci ao recordar-me da sensação. Toquei o local do machucado e senti uma pequena dor, mas parecia que não ficaria com uma cicatriz para meu alívio, apenas ficaria marcada pela lembrança.

Estava claro que não poderia dividir aquele assunto com ninguém, nem mesmo com Luís se fosse o caso. O que ele pensaria quando eu contasse que não havia rolado sexo entre nós porque Alek decidiu que a lua cheia era mais atraente do que eu de uma hora para a outra? E então entrava outra questão em pauta, o que eu diria a ele? Que não rolou nada ou contaria que trocamos uns amassos e fomos interrompidos? Fiquei pensando em todos esses detalhes enquanto a água quente caia sobre meu corpo e ponderei sobre as consequências das minhas próximas decisões.

Quando saí do chuveiro fui tomada por uma imensa curiosidade e imediatamente liguei meu notebook com o intuito de pesquisar sobre lobisomens. Embora pareça ridículo eu achei necessário verificar se pelo menos haviam casos reais notificados, Aleksander não podia ser o único. "Não, eu não poderia ter tanto azar assim!" refleti. Iniciei a busca e fiquei surpresa ao notar a quantidade de sites que divulgavam famosos casos "reais" de ataques de lobisomens. Se estivesse lendo aquilo no dia anterior provavelmente diria que eram somente histórias para enganar criancinhas medrosas, mas depois do que vi naquela noite não podia deixar de acreditar que todos aqueles relatos só podiam ser verdadeiros.

A maioria deles havia acontecido na França e na Alemanha, então decidi conferir se haviam relatos de lobisomens na Grécia, já que ele é grego podia ter algo relacionado. Para minha decepção não havia nenhuma informação pertinente no seu país de origem, apenas descobri que uma das origens da lenda do lobisomem era grega e estava associada a mitologia, o que não ajudava muito em minha pesquisa sobre Aleksander. Fiquei entretida demais com o assunto e dei um pulo no sofá quando meu celular começou a vibrar na mesa de centro. "Só pode ser alguma noticia do Dimitri!" concluí esperançosa. Lancei-me rapidamente para pegar o telefone, mas infelizmente era somente Luís checando os resultados da noite.

"Amiga espero que você esteja agora aconchegada nos braços do seu gatão, caso contrário vou entender que você não executou corretamente minhas instruções. Beijos!"

Fiquei encarando o celular e depois de pensar muito decidi contar-lhe a verdade, omitindo é claro a parte do lobo. Enquanto não entendesse o que estava acontecendo não entraria em detalhes com meu amigo, envolvê-lo nessa situação talvez não gerasse bons resultados.

"Se você quer mesmo saber o plano foi executado com muita perfeição, mas não estou com ele L".

"Como assim menina? Detalhes eu quero detalhes!" - respondeu de imediato.

"A parte da sedução deu certo. Nós nos beijamos no escritório e quando começamos a nos empolgar o irmão dele entrou na sala e tivemos que parar tudo".

"Eu sabia! Eu sabia que ia dar certo! Mas e o que impediu vocês de continuarem depois que o irmão fosse embora? Vocês são vizinhos! Não me diga que ficou puritana de repente!"

"A culpa não foi minha. Eles foram viajar a negócios e não sei quando voltam" – menti porque não fazia a mínima ideia de para onde ele tinha tanta pressa em viajar e principalmente o que ele tinha que fazer nesse lugar.

"Ah que pena! Mas o primeiro passo foi dado, agora é só ter calma que ele vem querida J".

"Se a empolgação continuar... Mas vou dormir agora querido. Falamos-nos amanhã! Beijos!"

Encerrei a conversa, fechei meu notebook e fui dormir. Era o melhor que eu podia fazer naquele momento: tentar esquecer os fatos e esperar que houvesse uma justificativa plausível para tudo aquilo.

Para aumentar minha aflição o fim de semana parecia que não iria acabar nunca e para ajudar eu estava ficando louca, porque nem Dimitri muito menos Aleksander mandaram-me alguma notícia. Minha ansiedade era tamanha que cheguei a cogitar a possibilidade de telefonar para eles, mas como era muito provável que eles não aprovassem minha atitude investigativa preferi esclarecer tudo na segunda-feira.

Quando a segunda finalmente chegou arrumei-me o mais rápido que pude e esperei até o limite do meu horário para ver se Aleksander iria passar em meu apartamento para irmos juntos, mas é claro que isso não aconteceu. Quando estava de saída conversei com o porteiro, como quem não quer nada, e ele me informou que Alek não havia ido até o apartamento ainda. Presumi que ele só iria trabalhar mais tarde e tentei controlar meus nervos.

Tendo matado minha curiosidade saí correndo para o trabalho, mas mesmo assim cheguei ao escritório com dez minutos de atraso. Para minha infelicidade cruzei com a megera da Patrícia no corredor.

- Isso são horas secretária? – perguntou-me com o desdém costumeiro – Só porque seu chefe não está aqui para te supervisionar não significa que você pode chegar a hora que bem entender.

- Desculpe, mas é que eu tive de vir a pé e tenho certeza que meu chefe irá entender muito bem a situação quando conversar com ele. Esse é meu primeiro atraso e não irá se repetir – respondi a altura. Afinal quem era ela? Apenas uma assistente metida a besta.

- Querida deixa eu lhe contar um pequeno segredinho - aproximou-se de mim ameaçadoramente - Enquanto os senhores Papadopoulos estiverem fora você se reportará a mim e como você sabe não tolero atrasos. Hoje vai ser só uma advertência, mas pode virar demissão se isso se repetir. Fui clara?

- Sim – respondi cabisbaixa – mas posso lhe fazer uma pergunta?

- Anda logo que eu tenho muito que fazer! - disse impaciente.

- Por quanto tempo eles ficarão fora? O senhor Aleksander não me deu nenhuma informação, na verdade fui pega de surpresa...

- Só retornarão a empresa na sexta-feira, então até lá é melhor você se cuidar e fazer o seu trabalho direito – saiu rapidamente de perto de mim batendo o pé e com ar de superior.

Fui para minha mesa intimidada e quando pensei melhor percebi que o tempo de viagem coincidia com o período da lua cheia daquele mês. "Será que essa viagem tem algo a ver com o fato dele ser um lobisomem?"

***

Nos dias que se seguiram tentei agir normalmente. Fiz meu trabalho da melhor maneira possível e não dei motivos para que Patrícia implicasse comigo, o que é claro não funcionou. Sempre que havia algo inútil para ser feito era comigo que ela falava, estava se sentido a nova dona da empresa e escolheu-me como sua empregada preferida. Não podia nem ao menos parar para tomar um café, como sempre fazia, sem que ela não viesse com quatro pedras na mão. Para mim aqueles foram os quatro dias mais infernais na empresa e não via a hora que os Papas retornassem. Emma, por outro lado, parecia não dar bola para o autoritarismo de Patrícia e realizava tudo de uma maneira muito tranquila. Quando a questionei sobre o assunto ela simplesmente me respondeu que já estava acostumada com essas viagens dos patrões e que era melhor aturar a bruxa por alguns dias do que ser demitida, o que com certeza aconteceria caso Patrícia quisesse. Afinal, com Dimitri longe ela poderia inventar qualquer desculpa que nos tirasse do jogo sem que tivéssemos a chance de nos defender. Desse modo tirei duas conclusões dessa pequena conversa com Emma. Em primeiro lugar, parecia comum os irmãos ficarem fora pelo menos uma semana de cada mês, o que provavelmente não era uma feliz coincidência e sim algo relacionado a lua cheia, eu só precisava descobrir exatamente qual era essa relação. Em segundo lugar, decidi seguir o exemplo de Emma e cumprir todas as ordens sem questionar. Precisava manter meu emprego para começar a desvendar aqueles mistérios.

Ao menos de algo havia servido essa experiência, conseguia esquecer Aleksander enquanto estava ocupada demais resolvendo mil coisas ao mesmo tempo. Já quando chegava a minha casa tudo mudava, pois não conseguia ficar um instante sequer sem pensar nele e em tudo que tinha acontecido e continuava sem explicação. Até mesmo enquanto dormia as imagens não saiam de minha cabeça e todos os dias sonhei com aquilo.

Na maioria dos sonhos eu e ele nos beijávamos apaixonadamente e quando começava a despi-lo era como se entrasse no conto da chapeuzinho vermelho. Não era mais o homem que eu beijava e acariciava, mas o lobo feroz. Acordava assustada e suando todas às vezes. Não sabia mais o que fazer para que aqueles sonhos parassem. Cogitei inclusive a possibilidade de procurar um profissional, mas o que eu diria? "Olha doutor o problema aqui é que eu estou apaixonada por um homem que aparentemente vira um lobo de vez em quando e não paro de sonhar que estou fazendo sexo com ele nessa forma. Como procedo nessa situação?" No mínimo o que iria acontecer era ele me internar e eu continuar tendo aqueles sonhos horríveis. Não! Precisava resolver isso com o próprio Aleksander. Ele precisava me dar uma explicação, ele tinha a obrigação de fazer isso! Caso ele se recusasse a solução seria procurar Dimitri que pareceu mais solicito naquela noite. Quando comecei a pensar melhor em como abordar Dimitri notei havia outro detalhe que eu havia deixado escapar: será que ele também não passava pelo mesmo processo e se tornava lobisomem nas luas cheias? E assim mais uma dúvida entrou para minha lista e não via a hora de poder esclarecê-las.

A sexta-feira finalmente chegou e antes de sair de casa liguei para o porteiro para saber se Aleksander havia chego de viagem. Recebi a informação de que até agora ele não havia tido notícias de meu patrão. Não pude evitar minha decepção, mas como era inútil esperar segui para o trabalho a pé. Estava com esperança de conseguir uma carona na volta para casa (se ele aparecesse por lá é claro) e assim ter a chance de colocá-lo contra a parede.

Cheguei à empresa com alguns minutos de antecedência e parecia ser a única por lá. Emma não estava em sua mesa e Patrícia não havia surgido do nada, como ela sempre fazia, para ralhar comigo. Então antes de acomodar-me em minha mesa fui ao banheiro. Encarei-me no espelho e assustei-me com minha imagem. Estava pálida e abatida, um resultado de tantas noites mal dormidas. Como havia tempo, decidi colocar um pouco mais de maquiagem no rosto para que Alek não notasse meu estado e assim pudesse fingir que para mim tudo aquilo tinha sido totalmente normal e estava disposta a retomar nosso "assunto" como se nada tivesse acontecido.

Quando terminei admirei meu reflexo. Estava bem melhor. "Agora é só esperar a fera chegar!" Retornei a minha mesa e avistei Emma, que parecia ter acabado de chegar.

- Bom dia Emma! – cumprimentei-a alegremente.

- Bom dia! Que felicidade toda é essa Daniela? Viu o periquito verde ontem? – brincou. "Bem que eu queria ter visto um periquito e não um lobo!" pensei.

- Infelizmente não! – ela ficou me olhando esperando que eu explicasse então o verdadeiro motivo para tamanha alegria logo cedo – Hoje é o grande dia não? – ela não entendeu e eu tive de explicar – Vamos nos livrar da nossa ditadora – apontei para a sala de Patrícia discretamente.

- Ah sim! Tinha até me esquecido que nossos cavaleiros brancos voltam hoje. Aliás, já que você chegou antes, onde está a Patrícia?

- Tinha esperança que você pudesse me responder isso. Achei muito estranho não encontrá-la, geralmente ela está aqui quando nós chegamos e hoje que estou bem adiantada não há nem sinal dela.

- Estranho! Será que ela não deixou nenhum recado?

- Hum... Não sei. Nenhuma das recepcionistas me disse nada. Enfim, o jeito é esperar, daqui a pouco ela aparece. Ou para nossa sorte ela foi demitida - brinquei.

Mas não apareceu. Já passava das dez horas e não tivemos noticias nem dela nem de nossos chefes, estávamos por conta própria. Eu continuei analisando os relatórios nos quais estava trabalhando desde que tinha começado na empresa e Emma ocupou-se com as fofocas na internet, atendendo telefonemas vez ou outra. De repente meu telefone tocou e atendi mecanicamente.

- Vice-presidência da Lynx enterprise.

- Daniela, organize todas as suas anotações sobre os relatórios que deixei a seu encargo e deixe na minha sala. Estarei no escritório depois do almoço – ouvir a voz de Aleksander no outro lado da linha fez meu coração acelerar e naquele momento não me importava mais se ele era lobisomem ou apenas um homem.

- Farei isso senhor...

- Ótimo! – desligou de maneira ríspida sem me dar chance de falar nada e concluí que essa atitude não poderia ser um bom sinal.

Assim que desliguei o telefone comecei a organizar tudo e passei para um pendrive que deixei em cima de sua mesa indicando onde ele deveria procurar o que queria. A última coisa que eu desejava era que ele brigasse comigo por ter atrasado essa tarefa. Tendo terminado isso fui almoçar com Emma e tratei de me distrair. Decidi que não iria procurá-lo de imediato, mas somente no final do expediente, a menos que ele criasse outra oportunidade e partisse dele a ideia da discussão, algo que eu duvidava muito que acontecesse.

Já passava da uma da tarde quando ele e Dimitri chegaram. Aleksander estava com um semblante irritado e apenas me perguntou se eu havia feito o que ele tinha mandado para então trancar-se em sua sala. Após vê-lo pessoalmente comecei a ficar nervosa e perdi um pouco da coragem de abordá-lo. O homem que eu havia conhecido em meu primeiro dia havia voltado e eu não fazia a mínima ideia de como lidar com ele. Só me sentia a vontade com o Aleksander educado e cordial pelo qual eu estava apaixonada.

Esperei que ele me chamasse em algum momento do dia nem que fosse só para me perguntar sobre o trabalho, mas isso não aconteceu. O fim do expediente estava próximo e eu observava nervosamente os ponteiros do relógio se mexerem lentamente. Batia meus pés no chão impacientemente enquanto atinava sobre o que eu deveria fazer quando chegasse o momento até que meus pensamentos foram interrompidos por Emma.

- Boa noite Dani! Estou indo embora, não aguento mais ficar nessa empresa. Chegou a hora de curtir a sexta!

- Ah sim! – respondi um pouco assustada – Boa noite! Divirta-se! - completei para disfarçar.

- Aconteceu alguma coisa Dani? Você está tão esquisita hoje! – "não aconteceu nada, tirando o fato de que eu preciso entrar na sala do meu chefe para questioná-lo e estou aterrorizada com o que pode acontecer".

- Não, não aconteceu nada! - afirmei confiante - só estava distraída pensando nos planos para a noite, só isso... – saí pela tangente e ela pareceu satisfeita com minha resposta.

- Bom, então se divirta também. Tchau! Vemos-nos segunda! – apenas sorri e voltei-me para encarar a porta da sala de Alek.

Esperei longos quinze minutos na esperança que ele viesse até mim, já que praticamente todo mundo já havia ido embora, inclusive Dimitri que tinha saído no meio da tarde para um compromisso acompanhado de Patrícia. "É agora!" respirei fundo e fui em direção à sala dele. Bati de leve na porta e esperei que ele me autorizasse a entrar. A última coisa que eu precisava era que ele me desse uma bronca por ter entrado sem bater.

- Entre! – ordenou rispidamente.

Abri a porta lentamente e ele estava concentrado em algo em seu computador, não se dando nem ao trabalho de levantar os olhos para ver quem era.

- Senhor... – engoli em seco e perguntei desajeitadamente tentando não gaguejar - Posso lhe falar algo?

- Diga de uma vez que eu estou com pressa! – continuava ainda sem me olhar e fiquei mais nervosa do que já estava.

- Sobre semana passada... – ele parecia não estar prestando a mínima atenção em mim – gostaria de dizer que o que aconteceu vai ficar só entre nós. Prometo que não contarei a ninguém o que eu vi – deixei claro que o problema ali não era o fato de termos nos envolvido fisicamente, mas o que se seguiu depois. Foi então que ele desviou o olhar da tela do computador e me encarou com seu olhar feroz e amedrontador que eu já estava familiarizada.

- É claro que você não vai dizer nada! Caso você tenha se esquecido, ao aceitar trabalhar na empresa a senhorita assinou um contrato de confidencialidade, logo, se a senhorita colocar a informação em público será automaticamente demitida e processada. Estamos entendidos? – disse rude e mostrou que para ele pouco importava o que eu pensava – E também tem outra coisa... – levantou-se lentamente e veio em minha direção – quem acreditaria em você? – fiquei sem palavras. Ele estava certo e eu estava me comportando como uma perfeita idiota ao vir-lhe dizer aquilo. E eu que pensei que ele ficaria feliz em saber que eu manteria seu segredo guardado e quem sabe até me beijasse novamente em retribuição. "Como eu sou ingênua! Para ele não passou de uma aventura estúpida com a secretária deslumbrada!" – Era só isso que você gostaria de me dizer? – estava intimidada, mas naquele momento nada mais parecia importar, então decidi colocar para fora tudo que estava sentindo.

- Não! Eu exijo uma explicação! Afinal de contas o que o senhor é? – ele foi pego de surpresa com minha pergunta e nem eu mesma entendi como consegui questioná-lo daquela maneira tão direta.

- A senhorita não tem o direito de exigir nada de mim! Eu sou o seu chefe e não o contrário! Se não estiver satisfeita com isso eu sugiro que peça sua demissão! Ficou claro? – ele gritou e percebi que ele falava sério. Se eu continuasse a pressioná-lo daquela maneira ele iria me demitir antes de falar qualquer coisa a respeito, mas não consegui evitar. Algo dentro de mim me impulsionava a fazer mais perguntas.

- Foi por isso que as outras duas secretárias não duraram? – ele ficou pasmo com minha pergunta.

- Isso não tem nada a ver com as outras, estamos falando da senhorita. As suas antecessoras foram despedidas porque eram duas incompetentes. Você por outro lado é uma excelente assistente, mas se continuar me importunando não terei outra escolha se não demiti-la – por um lado eu fiquei contente em saber que ele me achava competente, mas por outro fiquei decepcionada por saber que ele não me diria nada sobre aquela transformação repentina. Decidi então mudar de tática e parar de brigar.

- Desculpe-me senhor, não queria importuná-lo muito menos ofendê-lo... Só queria entender o que aconteceu, mas se o senhor prefere que eu não saiba de nada vou me conformar. Não quero ser demitida, gosto muito de trabalhar aqui... – "ao seu lado" gostaria de ter dito, mas isso poderia enfurecê-lo ainda mais.

- Tem coisas que é melhor não entender Daniela, acredite! – ele tinha se acalmado – Não quero que você se envolva, é só isso! Vamos continuar como se nada tivesse acontecido, tudo bem?

- Tudo bem... – "como poderia ficar tudo bem? Como eu poderia esquecer o beijo dele, seu toque e suas carícias que me levaram a loucura como nenhum outro homem havia feito? Não, eu não quero voltar ao que éramos antes!" com isso em mente diminui a distância entre nós dois e tentei beijá-lo. O resultado não poderia ser pior, ele virou o rosto e afastou-se de mim.

- Daniela, por favor, isso não pode mais acontecer. O que fizemos na semana passada foi uma insensatez, você é minha empregada. Devemos manter a ética profissional! – "a ética que se exploda! Desejo você com todo meu coração será que não percebe?".

- Mas... – pensei em fazê-lo mudar de ideia, mas seu olhar me fez desistir. Talvez o motivo não fosse apenas eu ser empregada dele e eu estivesse fazendo papel de boba implorando daquele jeito. Respirei profundamente e perguntei séria – o senhor precisa de mais alguma coisa de mim?

- Não Daniela. Por enquanto, estou tentando entender as conclusões que você chegou sobre os relatórios enquanto eu estava fora. Na próxima semana discutiremos a respeito.

- Sendo assim, vou embora. Até semana que vem senhor! – saí o mais rápido que pude. Sentia-me frustrada e estava me segurando para não chorar. Como ele podia me recusar depois da maneira apaixonada com que me beijou? Algo ali não fazia sentido e eu precisava descobrir porque ele havia agido daquela maneira. Minha primeira atitude foi ligar para Luís. Pedi para passar em sua casa para conversarmos e como ele estava todo animado achando que as notícias eram "quentes", concordou em me receber mesmo tendo um compromisso depois. Tomei um táxi e como cheguei antes dele tive de esperá-lo na portaria.

- Amiga desculpa o atraso, mas sexta-feira é sempre uma loucura! – começou a se justificar assim que me viu.

- Não tem problema! Foi bom esperar! – "mesmo porque tem certas coisas que eu não posso te contar e eu precisava organizar minhas ideias antes de começar minhas confissões".

Seguimos para seu apartamento e ele não parava de dizer o quanto estava curioso a respeito do motivo que havia me levado até ali, embora eu lhe garantisse que não era nada de mais. Ao entrarmos ele puxou-me pela mão e me levou rapidamente ao sofá.

- O bofe chegou hoje não é? – confirmei – E o que aconteceu? Rolou o sexo selvagem na mesa? Ai isso é tão excitante!

- Não fique tão animado, não rolou nada. Aliás, ele me deu um fora – contei triste e sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas.

- Ai querida não fique assim! Que tipo de fora ele te deu? – me abraçou para me consolar.

- Do tipo: Sou seu chefe e não posso fazer sexo com você, entendido? Como se isso não acontecesse em praticamente todas as empresas. E digo mais, se o irmão dele não fosse noivo eu podia apostar que ele mantém um caso com a Patrícia. Será que o problema é que eu sou uma secretária fora dos padrões? Que não sou linda e esbelta como aquela ruiva nojenta?

- Calma Dani! Você sabe que no fundo ele está certo, porque, embora ninguém respeite, o ideal é não se envolver com colegas do trabalho, muito menos de hierarquia diferente. Agora eu só não entendo porque ele resolveu vir com esse papo depois de quase te violar na semana passada, sem dó nem piedade.

- É esse o problema! Não faz sentido! Hoje ele me ignorou o dia todo e quando pôde me tratou mal, não dá para entender! Ajuda-me Luís! O que eu faço?

- A única coisa que eu posso-te dizer é que você precisa dar um tempo para o bofe colocar a cabeça no lugar. Se você ficar pressionando vai ser pior. Com o tempo ele vai perceber que não tem nada a ver isso de você ser secretária dele e vai tomar uma atitude.

- Mas e se ele não fizer? Como eu fico nessa história? Estou muito envolvida, não consigo nem olhar para ele sem pensar no que rolou e principalmente no que poderia rolar se ele não tivesse... – detive-me, por pouco não contei que ele havia se transformado em lobo e por isso tivemos de parar na metade.

- Sei que é difícil querida, mas se ele não mudar de ideia você vai ter de seguir em frente. Se resolvesse eu mesmo ia atrás dele para que ele tomasse uma decisão, mas você sabe que não tem jeito, agora é esperar o tempo passar.

- E se ele arrumar alguém? E se aparecer uma Samantha na vida dele? - de repente a imagem da loira que o acompanhava no elevador veio a minha mente.

- Se ele preferir uma mocreia magrela ao invés de você então ele não te merece! Você é linda, inteligente, sexy, o que mais um homem iria querer? Se eu gostasse de mulher você seria minha primeira opção de longe.

- Aposto que você diz isso para todas – brinquei – mas vamos parar de falar de mim, ultimamente tenho sido muito egoísta. Como vai você? Que compromisso secreto é esse que você tem hoje?

- Eu não queria contar, mas vou te fazer esse favor para te deixar mais alegrinha. Conheci um bofe novo e hoje é nosso primeiro encontro.

- Que bom Luís! – era a primeira vez que ele saía com alguém desde Carlos – mas porque você não queria contar?

- Queria esperar um tempo, para ver como as coisas iam acontecer sabe? Ainda não me sinto preparado para entrar em um relacionamento, mas vou tentar pelo menos.

- Isso! Se não der certo paciência. Mas e vocês vão onde?

- Vamos jantar e depois pegar um cinema.

- Hum! E você já decidiu o que vai vestir?

- Decidi faz uma semana querida. Arrumei três looks, um para cada tipo de tempo, você sabe que eu sou prevenido – rimos.

- Bom, então eu que não vou atrapalhar seu planos, vou tomar meu rumo – lembrei-me então que estava sem carro e não queria gastar com táxi novamente – Luís por acaso ele vem te pegar ou você vai encontrá-lo?

- Vou encontrá-lo. Por quê? Quer ir junto ser a nossa vela particular? – brincou.

- Na verdade sim. Se for caminho eu gostaria que você me deixasse no meu apartamento. Fui a pé hoje para pegar uma carona com o Alek, mas ele não me ofereceu por motivos óbvios.

- Ah sim! Então espere aqui que eu te levo comigo. Vou tomar um banho e começar a me preparar. Fique a vontade e qualquer coisa grite – seguiu para o quarto e eu permaneci na sala.

Ele me deixou em casa pouco mais de uma hora depois e eu fui realizar meu ritual rotineiro: banho e cama. "Talvez um filminho também" pensei enquanto subia até meu andar.

E foi assim minha sexta-feira badalada. Liguei para os meus pais depois do banho para avisar como eu estava e combinar os arranjos do fim de semana e depois assisti a comédia romântica "Questão de tempo". Já passava da meia noite quando comecei a me arrumar para dormir. Vesti uma camisola de seda champagne, pois não estava no clima de usar minhas camisetas dez vezes maiores do que eu e um short. Assim que a coloquei a campainha tocou. Dei um pulo onde estava e tentei imaginar quem iria atrás de mim àquela hora. Concluí que só poderia ser Luís desesperado para desabafar. Coloquei meu roupão já que a camisola era muito sexy e fui atender rapidamente. Ao abrir a porta levei um susto maior ainda: era Aleksander! Estava vestido com uma camiseta branca, calça esporte azul marinho e tênis. Parecia ter acabado de praticar algum esporte, pois estava suado e a camiseta branca colada em seu corpo revelava todos os detalhes de seu abdômen definido. Estava tão sexy que só de contemplá-lo senti meu sangue ferver.

- Oi...

Cumprimentei-o gaguejando sem saber o que mais dizer. Antes que eu pudesse continuar ele me puxou para si e me beijou guiando-me para dentro do apartamento para então me prensar na parede e chutar a porta para fechá-la. Embora ele tenha me pego de surpresa correspondi seu beijo de forma ardente. Não podia acreditar que ele havia mudado de ideia tão rapidamente.

Suas mãos seguravam firmemente minha cintura enquanto ele me beijava. Senti-me lânguida quando suas mãos procuraram avidamente o laço de meu roupão desatando-o com um único movimento e fazendo com que ele deslizasse levemente pelo meu corpo. Alek continuou a me beijar e dessa vez suas mãos exploravam minhas coxas, até que afastou sua boca da minha e levantou delicadamente minha camisola para tirá-la. Em seguida tomou uma distância a fim de analisar meu corpo nu, uma vez que não uso lingerie para dormir.

- Você é perfeita! – foi a única coisa que ele disse e o tom de sua voz era tão verdadeiro que me senti a mulher mais desejada de todas.

Puxei-o para perto de mim e o beijei apaixonadamente guiando-o lentamente até o sofá, mas ele dirigiu meu corpo para o chão, sobre o tapete persa. Comecei então a explorar seu corpo ajudando-o a se despir e contornando cada detalhe suavemente com minhas mãos. Aleksander sim era perfeito. Embora fosse magro, era forte e tinha os músculos firmes e definidos. Quando estávamos totalmente nus ele passou a beijar toda a extensão de meu corpo, alternando carícias suaves com carícias fortes e selvagens. Estava ofegante e já não aguentava esperar mais um minuto para que ele me tomasse completamente. Fizemos amor ali mesmo. De maneira intensa e selvagem, assim como nos meus sonhos...

Continue Reading

You'll Also Like

89K 6K 48
ESSE LIVRO CONTÉM ERROS ORTOGRÁFICOS! 17 anos se passaram , Ângela cresceu e criou suas próprias teorias sobre a vida Fabiana após encontrar um nam...
822K 62.9K 147
Karla uma menina que nasceu Ômega e que resolveu criar a sua nova história longe de sua Alcatéia e de sua família que a maltratavam sem se importar c...
1.2M 106K 112
Dark Romance [+18] [Livro 1] Damon Campbell é um vício perigoso e um pesadelo. Obcecado por Angel Miller, ele a persegue como uma sombra, oscilando e...
2.1K 190 89
Débora é uma menina de 22 anos, alegre, carismática, simpática, simples, sempre querendo o bem pra todos. Viveu todos esses anos sem atenção dos seus...
Wattpad App - Unlock exclusive features