Capítulo 6 - Aquele que empunha - Parte 3

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Antes que partissem, Fael chamou Lia para conversarem a sós.

— Tome cuidado, por favor — disse quando estavam sozinhos. — Se descobrir qualquer coisa, sopre o chifre. Irei imediatamente.

— Você também — disse ela, unindo suas mãos às dele, gentilmente acariciando-as. — Por favor, cuide-se.

Fael mostrou um sorriso triste e uniu as duas testas.

— Espero que ninguém encontre nada — sussurrou ele para ela.

— Não é só você.

— Eu planejava pedir pra um com você quando eu vencesse a Caçada — disse ele, tentando conter as lágrimas.

— E se eu vencesse?

— Então eu esperaria que você me pedisse — disse, sorrindo.

— Sendo assim, já está decidido, vamos nos tornar um quando isso acabar. — Lia riu.

— É uma promessa.

Os narizes dos dois se tocaram, um sinal de amor, antes de se unirem a seus respectivos grupos.

Por favor, que não seja nada demais, rezou ele para seus ancestrais, apertando a lança que já pertenceu a seu pai.

Mas sua prece foi em vão.

Eles encontraram os Habitantes da Areia próximos ao rio que atravessava a Floresta.

Não pode ser... Ninguém no grupo teve qualquer reação enquanto observaram os invasores.

Tantos... eles planejam invadir o Reino novamente, Fael percebeu logo, as memórias voltando à sua mente.

Sua respiração ficou rápida e fraca. Ele sentiu uma dormência gelada assolar seu corpo. Isso não pode estar acontecendo de novo... não, por favor...

— Fael... — sussurrou uma de seus amigas.

Mas ele não demonstrou reação. A mulher balançou o jovem.

— Fael — disse ela, com a voz mais firme. — O que faremos agora?

— Precisamos... precisamos... saber... quantos são... — Fael conseguiu dizer com a voz rouca, sem tirar os olhos dos Habitantes da Areia.

Sem dizer nada, eles assentiram e foram para direções diferentes.

Fael ficou parado onde estava, observando o grande número de forasteiros andarem em uma formação fechada.

Ainda que eles sejam fortes e mortais na areia, a quantidade não deveria fazer tanta diferença na Floresta... Mas se queimarem tudo como da última vez...

O tempo passou lentamente enquanto ele esperava pelos números.

Mas, quando seus amigos retornaram, ele não pôde acreditar nas notícias que trouxeram.

— Não pode ser — disse Fael, com a voz grave, e ombros caindo.

— Ainda que não sejam tantos quanto antes, não podemos lutar.

— Seremos todos mortos desta vez.

— O que faremos, Fael?

— Nada... Não vamos fazer nada — disse, ainda sem tirar os olhos do grupo.

Até daquela distância, ele reconheceu as máscaras de pano que eles usavam. É a mesma coisa... ainda após dez anos...

— O quê? Não podemos fazer nada! Não quando estão invadindo nossas terras de novo — disse a mulher numa voz baixa.

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