Capítulo 1 - A Ferreira

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Faíscas voavam toda vez que a mulher acertava a espada com o martelo, iluminando seu rosto duro e sem expressão.

Ela mal respirava enquanto levava a ferramenta para baixo de novo e de novo, focada demais para se importar com qualquer outra coisa além da espada perante si.

Com o olho direito fechado, a mulher não demostrava qualquer emoção enquanto trabalhava na lâmina. Mas apenas para aqueles que não a conheciam.

Por detrás do pálido olho aberto, havia uma paixão intensa. Tão forte que ela perdia a noção do tempo sempre que trabalhava.

Não havia fome. Não havia exaustão. Não havia sono.

Havia somente a espada que ela forjava.

O som rítmico do metal batendo contra o metal preencheu sua alma. Era o bastante para ela.

Não importava como a espada seria usada. Fosse para matar ou proteger.

Um ferreiro deveria criar a arma, não dizer como deve ser usada, costumava dizer seu pai quando ainda vivo.

Enquanto ela respirasse, enquanto ela pudesse se mover, ela forjaria uma espada.

Enquanto pudesse forjar uma espada, ela tinha uma razão para viver.

Porque era quem ela era. Uma ferreira.

Suas mãos nunca pararam, sempre batendo no pedaço de metal que, em poucas horas se transformaria em uma espada, no mesmo ritmo.

Suas mãos só pararam quando ela escutou um som. Era um som baixo e não deveria ser o bastante para fazê-la parar. Mas ela odiava o som demais para continuar.

Sem tirar os olhos da lâmina crua, ela escutou.

Uma arma, ela soube quando reconheceu o segundo tiro seguido por um grito.

Ela apertou a ferramenta e a arma não pronta com força, suas mãos tremiam. Ela fechou o olho esquerdo, respirando lentamente para acalmar sua raiva.

Quando o tremor parou, ela levantou-se e abriu o olho direito. Com o metal ainda quente e brilhando em uma mão e a ferramenta na outra, ela deixou a forja e foi para a origem dos odiados sons de tiro.

— Tetsuko! — ecoou uma voz por sua propriedade. — Apareça!

— Responsabilize-se pelo que fez! — gritou outra pessoa.

Tetsuko fechou o olho e bufou. Com aquelas palavras, ela sabia quem era o que queriam. Sem hesitar, a mulher desceu a pequena colina onde sua forja ficava e foi para a casa principal, até as vozes iradas.

Três homens que não reconhecia estavam parados um ao lado do outro no quintal. Mas ela mal prestou atenção a eles. Todo o seu foco estava nos objetos que carregavam.

— Armas. — Ela soltou um sussurro baixo, cheio de raiva.

Ferramentas bárbaras para os incivilizados, pensou antes de voltar sua atenção para o homem no meio. Suas roupas estavam cobertas de sangue. Devem ter matado meus guardas... com essas malditas armas... Sem perceber, ela apertou o martelo com mais força.

— Eu sou Tetsuko — disse ela, saindo de onde se escondia.

Eles viraram, já apontando as armas para ela. Mas não atiraram na mulher logo de cara.

Ela lançou um olhar longo e silencioso para aquelas armas, sentindo a raiva borbulhar dentro de si. Essas ferramentas bárbaras não vão substituir as espadas... Ainda que a lâmina nua não tivesse cabo, ela apertou a katana quase terminada com tanta força que os dedos doeram e os nós dos dedos perderam a cor.

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