Capítulo 5 - Aquele que empunha - Parte 2

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A trombeta ecoou pela floresta, alta e profunda.

Fael parou o que fazia e fechou os olhos para escutar os ecos.

Ele reconheceu a trombeta, tão parecida com o rugido de uma fera.

— É o sinal — ele disse para seus amigos, mal contendo a felicidade. — O sinal do primeiro Javali Lança após o inverno. Ainda que seja mais tarde que o normal, a Caçada vai começar!

— Calma, Fael — disse seu amigo, virando-se para o som. — Sei que você só quer vencer outra Caçada pra se casar com a Lia, mas tá muito tarde que o normal esse ano. Talvez não seja o sinal do Javali...

— Sim, pode ter acontecido alguma com eles na montanha durante este inverno — disse o outro.

— Não é a primeira vez que isso acontece...

—Vi caçadores perto da montanha — disse Lia com o rosto pesaroso. — Disseram que os plebeus tão fugindo das cidades. Por causa disso, os estoques de comida estão diminuindo e tem pessoas querendo se arriscar caçando Javalis durante o inverno.

— Quem seria louco de caçá-los nessa época?

— Pessoas desesperadas.

— Pessoal, tenho certeza de que aquela trombeta foi pra informar que alguém avistou um Javali — disse Fael, balançando a cabeça para os amigos. Ele aguçou os ouvidos tentando localizar o som.

Enquanto o jovem liderava o grupo na direção do som por entre as árvores, eles escutaram uma segunda trombeta vindo da mesma direção.

O jovem parou, sentindo o coração afundar e o sangue congelar.

Mesmo sem trocar olhares, Fael sabia que os amigos sentiram o mesmo.

Uma trombeta significava que algo incomum aconteceu ou uma chamada para fazer os membros a Tribo da Floresta se reunir.

Mas duas significava que havia inimigos na floresta.

Não importava, mesmo se isso alertasse os inimigos; só eles poderiam descobrir a origem do som naquela floresta que enganava os sentidos dos forasteiros.

Eles continuaram, mesmo temendo o que poderiam encontrar.

Inimigos? De novo...? Após tanto tempo? Com o coração pesado, Fael chegou à origem do barulho.

— O que é isso...? — perguntou, tentando chegar ao centro da comoção.

— Fael... — Uma garota mais nova que admirava o rapaz desviou seus olhos.

Aos poucos, as pessoas se reuniram em círculos e notaram sua chegada, abrindo espaço para ele.

Então, Fael viu.

Havia dois Javalis Lanças mortos no meio do círculo.

Olhando mais de perto, suas barrigas foram cortadas.

— Quem... ou o que poderia fazer isso com eles? — perguntou alguém.

Ninguém falou nada.

Fael percebeu o que todo mundo pensava. Ninguém da Tribo da Floresta mataria um Javali Lança.

Não após o inverno, não durante a temporada de acasalamento.

Porque, se afetassem o ciclo dos Javalis, isso afetaria a floresta, e a eles.

— Poderiam ser predadores? Não podemos afirmar que são inimigos... — disse uma pessoa com a voz trêmula.

Os outros murmuraram, concordando, tentando afugentar as memórias de dez anos atrás de suas mentes.

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