Capítulo 4 - Aquele que empunha - Parte 1

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Fogo e morte espalhavam-se pela floresta. Os gritos de medo e dor preenchiam e cortavam o ar.

Até dentro da caverna segura e escondida da Tribo da Floresta, todos podiam ouvir.

Os gritos preenchiam e ecoavam nas paredes de pedra, ficando mais altos, como se fossem súplicas da própria caverna.

Como se um monstro pudesse surgir e matar a todos.

Fael tremeu e chorou.

Ele abraçou a cabeça, cobrindo os ouvidos.

Não fez diferença. Ainda podia ouvir os gritos. Seu corpo não parou de tremer.

O garoto sentiu dentro de sua alma. A floresta não pertencia mais a eles.

Por que... por que isso está acontecendo...? Por que agora...? A gente deveria estar celebrando... Deveria ser um tempo de alegria... como sempre...

O choro do garoto ficou mais alto.

A senhora ao seu lado puxou ele e a garota para mais perto de si, abraçando seus netos.

Fael sabia que a avó queria reconfortá-lo com as palavras, dizendo que tudo ficaria bem.

Mas nem ela pôde se forçar a dizer tal coisa.

Estava com tanto medo quanto ele.

O garoto envolveu-a com seus pequenos braços, tentando encontrar o conforto que estava acostumado a sentir da avó.

Encontrou o que desejava, mas não foi o bastante para acalentá-lo de seus medos.

A garota, ao contrário de Fael, não tremia ou chorava.

Ela não demonstrou qualquer reação enquanto a avó a abraçava com mais força.

Faela estava de olhos fechados, com o rosto tenso e travado.

O único sinal de que ainda estava viva era a fraca respiração.

Mas o garoto sabia que não era só isso. Sabia muito bem o que a irmã fazia.

Ela se concentrava, escutando qualquer som próximo da caverna.

Apesar de ser um ano mais nova que Fael, ela apertava com ambas as mãos a velha lança feita de presa de um Javali Lança do pai deles, pronta para usá-la contra qualquer invasor que encontrasse a caverna onde estavam.

Diferente de Fael, Faela era talentosa com armas. Tinha talento como guerreira.

Todos reconheciam sua habilidade desde pequena.

Estava destinada a lutar, a proteger.

Destinada a ter o nome entoado pelos Guardadores da História do Povo da Floresta.

Se não fosse pela Faela, eu... nós todos estaríamos mortos, pensou o garoto, tremendo mais ainda ao lembrar.

Ele virou-se para a irmã, olhando para aquele rosto tenso, buscando encontrar um pouco da coragem dela dentro de si.

Ele queria abraçá-la, agradecê-la silenciosamente por salvá-los quando o mundo dos dois começou a desabar.

Mas impediu-se de fazê-lo.

Ela precisa se concentrar agora... Não posso atrapalhar ela... Ela não pode ser incomodada... Ela vai nos salvar... que nem antes...

Todos, independentemente de idade ou sexo, pertencentes à Tribo da Floresta sabiam o que fazer em caso de problemas.

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