Capítulo 4 - Aquele que empunha - Parte 1

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E, quando todos os pássaros voaram, com os guinchos preenchendo o ar, todos sabiam que algo estava errado.

Em um instante, todos sabiam que a fonte do medo dos pássaros não pertencia à floresta.

Ainda que não soubessem o que causara o distúrbio, sabiam de seu perigo.

Todos ficaram em alerta, do mais novo ao mais velho, prontos para fazer o que precisasse ser feito.

Os velhos demais e jovens demais para lutar iriam se esconder na caverna.

Os que pudessem manejar armas protegeriam os que não podiam até estarem sãos e salvos. Então se juntariam aos demais guerreiros e caçariam o que havia interrompido a paz da floresta.

Após o grupo guerreiro ser dividido, cada um prosseguiu com seu dever.

Fael e Faela despediram-se de seus pais e seguiram a avó.

Cada galho que pisavam, cada pedra que chutavam, cada som que era produzido ao redor dos dois os assustavam.

Não pense, disse o garoto para si mesmo. Não pense... ou entrará em pânico...

Fael tentou imitar sua irmã mais nova e controlar sua respiração, mas falhou.

Tinha dificuldade para respirar. Era difícil demais respirar fundo.

Após uma longa caminhada que parecia não ter fim, estavam quase perto da caverna.

Então, escutaram algo não natural.

Não veio do grande bando de jovens e velhos. Muito menos dos guerreiros acompanhando-os.

Era um som raramente escutado naquela floresta.

Porém, mesmo assim, todos reconheceram o som de metal.

Fael tentou escutar a origem do som, mas parecia vir de todas as direções, como se tentasse cercá-los.

Como se tentasse afogá-los.

Os guerreiros se prepararam, erguendo seus machados de pedra e lanças.

Então, o som parou abruptamente.

A floresta ficou estranhamente quieta.

Os invasores apareceram do meio das árvores em seguida.

Os guerreiros avançaram para lutar e proteger seu povo.

Gritos de guerra e outros gritos ecoaram pela floresta.

No meio da confusão, alguém gritou, mandando-os correr.

Os que não ficaram paralisados de medo obedeceram.

Fael não correu. Ele tentou, mas suas pernas se recusaram a sair do lugar.

Confuso, ele soltou a mão da avó.

Sua respiração ficou ainda mais rasa e acelerada.

Ele estava prestes a desmaiar.

Não posso... vou morrer... Sabia, e mesmo assim, não conseguiu se forçar a correr.

Então a irmã o empurrou com força e ele começou a caminhar, quase tropeçando em suas pernas duras.

De algum jeito, ele estava correndo para a caverna com todos os outros.

Quando olhou para trás, percebeu que a irmã não estava mais atrás dele.

Antes que pudesse gritar seu nome, contudo, ele chegou à caverna com os demais.

Mas não estavam sozinhos.

Dois invasores os seguiram.

Fael tremia tanto que não pôde fazer nada. Nem mesmo fugir.

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