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— Uau, surpreendente. – Louis disse, como se fizesse pouco caso daquela situação. Mantinha um copo vazio numa das mãos e um pano na outra, que usava justamente para secar o recipiente levemente úmido.

— O que foi dessa vez? – Harry perguntou, revirando seus olhos.

— Nada. – o atendente deu de ombros. – Só achei que depois de tanto descaso, você fosse demorar um pouco mais do que vinte e quatro horas para voltar aqui...

Harry semicerrou seus olhos verdes. Quase deixou um palavrão escapar de seus lábios, porém, achou que apertar as alças da mochila presa em seus ombros era uma boa alternativa para tentar disfarçar a indignação que sentia por aquele rapaz irritante e malcriado.

Como Morgan ainda podia manter alguém como Louis trabalhando em sua cafeteria? Sua preciosa e adorável cafeteria... Tão aconchegante, elegante e agradável... Um ambiente propício para conversas significantes e gargalhadas intensas. Porém, qualquer indício disso era arruinado por um atendente baixinho e de olhos azuis, que fala alto e se recusa a atender pedidos de clientes selecionados.

E Harry havia sido selecionado em primeiro lugar. Desde o primeiro momento em que havia pisado ali e dado de cara com aquele novo atendente da cafeteria.

Não que fosse seu dever, mas Harry achava que Morgan deveria repensar antes de tentar manter Louis ali, ou o garoto dos olhos verdes sentiria que seria obrigado a pular aquele balcão, empurrar Louis dali e preparar seu próprio pedido.

— Será que você pode parar de ser tão arrogante? – Harry perguntou, cruzando os braços e encarando Louis seriamente.

— Quem faz isso é você!

— Não. É você!

Louis parecia indignado.

— Você ficou maluco?

— Não, mas você sim.

O atendente revirou os olhos.

— Não vai fazer seu pedido? – perguntou, sorrindo abertamente.

Harry pareceu surpreso, semicerrando seus olhos verdes pela segunda vez no dia, logo pela manhã.

— Vou...

— Então anda, ou você vai se atrasar para ir à escola...

Harry permaneceu quieto por algum tempo.

— Eu quero...

— Água?

— Não.

— Refrigerante?

— Não.

— Café?

— Não.

— Leite?

O garoto pareceu pensativo por alguns instantes.

— Sim.

— Leite? – Louis arqueou uma sobrancelha.

— É. – Harry respondeu sem entender.

— Mas eu disse brincando...

— Mas agora eu quero.

O atendente permaneceu parado por poucos segundos, antes de dar de ombros e virar-se de costas para Harry, começando a preparar o pedido do garoto.

Harry permaneceu o tempo todo com os olhos direcionados a qualquer movimento que Louis fazia, tentando analisar atentamente qualquer tipo de ingrediente suspeito que o rapaz pudesse colocar dentro do copo de isopor que usava para preparar o pedido de Harry.

— Prontinho. – Louis anunciou, com o copo em mãos, enquanto virava-se para a frente do balcão novamente e deixava em cima da bancada o copo de Harry. – Coloquei até um canudo!

Harry semicerrou seus olhos pela terceira vez. Aquilo estava bom demais para ser verdade, ou até mesmo acreditar que era verdade.

Louis empurrou o copo na direção do garoto, que devolveu o gesto.

— O que foi? – o atendente perguntou, confuso. Tombou sua cabeça para o lado e franziu o cenho enquanto observava a expressão de desconfiança no rosto de Harry.

— Bebe você primeiro!

Louis revirou os olhos.

— Você só pode estar de brincadeira... – disse, agarrando o copo.

— Não estou. – Harry respondeu num tom sério enquanto assistia Louis puxando um pouco do líquido contido dentro do copo com a ajuda de um canudo colorido.

— Feliz? – Louis perguntou num tom irônico, devolvendo o copo ao garoto dos olhos verdes.

— Muito! – Harry sorria agarrar o recipiente. – Obrigado.

— Disponha. – Louis sorriu. – Agora vá, ou você irá se atrasar para a escola...

— Só mais uma pergunta... Antes de eu ir...

— Diga.

— Você sofre de transtorno de bipolaridade ou algo do tipo? – Harry perguntou, encarando Louis seriamente.

— E por que você acha isso?

— Porque numa hora você está todo irritado, e na outra me trata com gentileza, o que é quase impossível, visto que você foi um babaca durante a semana toda...

Louis suspirou.

— Hoje é sexta-feira, docinho. O último dia da semana em que serei obrigado a aturar essa sua cara irritantemente fofa. – Louis sorriu de forma forçada. – É por esse e outros motivos que estou apenas aguardando você se retirar desse estabelecimento o mais rápido possível...

Harry permaneceu quieto.

— Você consegue ser estúpido até quando está de bom-humor...

— Essa é a minha especialidade. – o atendente dos olhos azuis respondeu, lançando uma piscadela na direção do garoto, que revirou seus olhos e começou a afastar-se dali o quanto antes.

coffee shop // larry stylinsonOnde as histórias ganham vida. Descobre agora