Capitulo 33.

215 15 3

"Estou indo para Angra com Alice, preciso espairecer um pouco. Volto na terça. Amo você.
P.S: meu celular está dando problema, quando voltar compro outro.
Enviada por: IPhone de Alice Fantini as 6h55min
22/07/2017"
- Como é que é? - Falei.
- Falando sozinho, mano? - Gabriel entrou no meu quarto, abrindo o armário e pegando uma toalha.
- Lisa vai viajar.
- E você tá puto?
- Não, claro que não...mas é que ela tá sem celular, então vou ficar sem falar com ela por uns dois dias.
- Talvez seja bom, já que você tá quase morando grudado na menina. Ela é sua namorada, não sua irmã siamesa.
- Nem namorada ela é...
- Oi? Terminaram?
- Nós não somos namorados, quer dizer, não oficialmente.
- Não oficialmente? Que merda é essa?
- Eu nunca pedi ela em namoro.
- Irmãozinho - Ele se sentou na cama - Nós vamos criar o melhor pedido de namoro desse mundo.
- Hm?
- Vamos inventar a porra toda e quando ela chegar, vocês serão um casal de namorados oficial.
A ideia não me parecia ruim, afinal, ter Lisa como minha era o que eu mais queria. Resolvi aceitar.

                               ****
Como eu já esperava, a terça feira chegou bem rápido, e Ian não me perturbou muito. Apenas algumas mensagens no celular de Alice, já que eu o convenci de que havia estragado o meu.
- Pegou aquela blusa preta arrasadora?
- Peguei, Alice...
- Pegou meu coração pra levar com você? - Ela falou, encostada no meu guarda roupa e com os grandes olhos verdes enchendo de lágrimas.
- Olha, para. - Eu cheguei perto dela e a abracei. - Seremos melhores amigas pra sempre, você sabe disso! Para de bobeira, vai passar rapidinho.
- São 5 anos, Lisa!
- E até parece que eu não vou pagar passagem pra você ir me ver varias vezes por ano! Você me conhece, Alice, eu não aguentaria um semestre sem você.
Ela assentiu, chorando.
- O que seus pais falaram?
- Minha mãe não gostou muito da ideia, meu pai aprovou.
- Eles não te xingaram?
- Por que xingariam?
- Alô-ou! Você tá trancando a faculdade por 5 anos!
- Pra estudar fora! Não é pra farrear. São 3 países, são 3 culturas, são 3 línguas diferentes pra aprender...Até eles entenderam que minha bagagem cultural vai voltar bem melhor.
- Você vai se arrepender. Você tem uma vida aqui, Lisa! Faculdade, amigos, duas famílias que te amam e precisam de você.
- Eu posso contar no dedo as pessoas que tenho e sério, vocês vão sobreviver.
- Você tem noção que quando você voltar eu já vou ter quase 30? Nós vamos ter perdido os melhores anos na nossa vida porque você resolveu abandonar tudo. E se eu estiver, sei lá, casada quando você voltar?
- Sem condições, Alice! Você não casa sem mim!
- Qual o primeiro país?
- Já te falei três vezes: Estados Unidos, Itália e Alemanha, nessa ordem.
- Me jura que você volta?
Fiz que sim com a cabeça. E então eu ouvi o barulho da porta...
- Você veio. - Falei. Amora parecia emburrada.
- Só vim pra te xingar. Sério, qual seu problema? Você não tem coração? Velho, olha o que você tá fazendo! Ele é meu irmão, Lisa, e eu nunca vi ele tão apaixonado assim por ninguém. Você é louca, talvez ir embora seja o melhor que você faz por Ian, mas sério, não volta. Não estraga mais a cabeça dele. - Ela abriu a porta pra sair do quarto, mas eu a interrompi, segurando seu braço e batendo a porta.
- Ei... - Eu a enlacei num abraço apertado - Eu sei que você não quis dizer nada disso.
- Como eu devo contar isso pra ele? - Ela retribuiu o abraço, chorando.
- Você não vai contar. - Alice falou.
- Oi? - Amora se afastou de mim e se sentou na cama. - Você acha mesmo que eu não vou contar isso? Ele é meu irmão!
- E você quer que ele sinta que foi abandonado? Que há algo de errado com ele? Amora, eu não posso te deixar fazer isso.
- Mas é você quem está fazendo isso! - Ela se exaltou. - É você quem está abandonando Ian, Lisa! Você está o largando e espera que eu não fale nada?
- Eu... - Me sentei ao seu lado - Não queria ter que fazer nada disso. Mas você me viu, Amora, você já me conhece e você conhece Ian. Eu não posso ser o que ele precisa, não agora.
- Não agora? Então quando? Daqui a 5 anos?
- Eu espero, Amora, que não demore mais do que isso, mas é o necessário...e ele vai arranjar alguém, ele vai ficar bem.
- Você não entende, não é? Ian jamais vai querer alguém depois de você.
Mas a verdade é que eu entendia.
E a verdade é que eu sentia o mesmo. Cada parte de mim parecia se desfazer quando alguém tocava no nome de Ian, cada pedaço do meu coração se desmontava quando alguém me lembrava o que eu estava fazendo com ele. Doía em mim saber que eu faria o coração dele doer. Mas eu não o merecia, e ele descobriria isso muito em breve.
                               *****
- Ei - Falei, abrindo a porta e entrando em casa.
- Onde estava? - Ian perguntou.
- Fui dar uma volta.
Quando entrei no quarto, a vontade foi de chorar. Eu estava perdendo a única amiga que tinha. E ela nem sequer estava se dando conta disso.
- Amora? - Diana bateu na porta. - Ian está te chamando.
- Já vou - Sequei as lágrimas. A presença de Diana não me incomodava, ver Gabriel feliz era mais do que o suficiente. - Que foi? - Perguntei, chegando na sala.
- Se você ganhasse um anel de presente, escolheria de prata ou ouro? - Ian perguntou.
- Depende da ocasião. - Falei, com medo de para onde aquela conversa iria me levar.
- Vou pedir Lisa em namoro.
Meu coração parou por alguns segundos.
- Não acho que você deva fazer isso.
- Por que? Você adora Lisa. - Ele juntou as sobrancelhas.
- Eu sei, mas... - Abri a geladeira, tentando desconversar. - Vocês já não estão juntos? Pra que rotular isso?
- Porque acho legal, ué! Quero que o mundo veja que ela é minha.
- Já parou pra pensar que talvez ela não queira que o mundo saiba que ela é sua? - Perguntei sem pensar, me arrependendo logo depois.
- O que você quer dizer com isso?
- Faça de prata, Ian, coloque uma pedra azul na ponta do anel e espere Lisa chegar. Torço por vocês. - Falei, tentando sorrir e saindo da cozinha. Mas Gabriel foi mais rápido do que eu. Sentado no sofá, ele encarava a TV:
- Acho que esse pedido vai ter que esperar um pouquinho, irmão. - Ele disse, aumentando o volume da TV - Olha sua mina ali.
"Nessa tarde de terça feira, a central do Aeroporto Internacional Wengrov na cidade do Rio de Janeiro contou com vários problemas, fazendo com que a maioria dos voos para essa tarde fossem adiados, porém, algum dos voos embarcarão em breve, tranquilizando alguns dos empresários que aqui estão.
Fernanda Gulhão para RJ News." - A reporter finalizou e eu esperei que Ian não percebesse o erro. Atras da tal Fernanda, Lisa estava sentada numa cadeira azul de aeroporto, com um livro na mão e varias malas ao seu lado.
- Espera... - Ian olhou pra mim e eu respirei fundo. - Aeroporto Internacional? Mas Lisa esta em Angra...
Conforme minha respiração foi ficando pesada, Ian percebeu.
- O que você não está me contando?
- Oi?
- Não se faça de desentendida, Amora.
- Eu não sei do que você está falando.
- Amora...
- Eu não sei, Ian! - Gritei - A namorada é sua! Meu Deus, você está ficando um louco obcecado. Ligue pra ela, resolva, mas não me meta nisso.
- Eu até faria isso se ela estivesse com celular, Amora!
- E o que você quer que eu faça? Mande uma mensagem a ela por telepatia? Ela é dona da merda do aeroporto, Ian, óbvio que ela estaria lá! Quer dizer, o voo dela pode ter chego antes e... - Eu percebi que ele não estava acreditando em mim - e eu não sei. Sinceramente, eu não sei.
Me retirei da cozinha, sentando no chão do meu quarto e me sentindo a pior irmã do mundo. Tudo o que eu queria era que Lisa voltasse, não embarcasse e descobrisse que é mais fácil tentar consertar um amor do que jogá-lo fora.

                             *****
Quando o avião finalmente embarcou, eu senti meu coração doer. Não porque eu estava arrependida, mas porque uma parte dele havia ficado no Rio de Janeiro.
Uma parte dele havia ficado com Ian.

******
Devo ter ficado vários minutos na mesma posição, deitado com os braços cruzados atras da cabeça, encarando o teto branco com estrelas brilhantes que Lisa havia colado.
Eles dizem que quando você se apaixona, você fica cego.
Mas não eu. Eu sabia que algo estava completamente errado. A diferença é que eu não sabia o que era.

LISA [COMPLETO - EM REVISÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!