Interrupções.

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Uma interrupção chegou junto ao choque.

Minha mãe e o pai de Caleb chegaram abruptamente, irritados e, não houve escolha se não ir, contrariados, com eles. Nós dois, os irmãos, estávamos enclausurados e trancados em nossos próprios quartos, trocando raivosas mensagens, entre nós e com América.

Queria entender o que estava acontecendo comigo, com América, com a nossa ligação e atração. Eram tantas perguntas a serem respondidas, tantos questionamentos... A esperança que a pequena frase dita por Caleb me trouxe, havia aquecido meu coração.

Porém, aquele fogo em meu peito me mantinha acordada, e, com um intenso e latente desejo de rever alguém que tinha as próprias chamas nos cabelos.

Não queria esperar pela manhã para ver seu inocente sorriso, ou pelo final da tarde para sentar-me com ela, Caleb e por um fim a todos os meus questionamentos.

Minha cama era fria e vazia, não havia ela, mas, ao mesmo tempo, cheia de mim e das minhas ideias.

O tempo demorou a passar. As músicas, filmes, uma soma de tudo e nada fazia com que minha mente se calasse ou o tempo passasse. A ansiedade, a inquietação, o tic-tac imaginário.

O alarme soou.

Meu rosto estava inchado, com os olhos fundos, o nariz vermelho. Parecia doente, com o cabelo arqueado em bagunça. Coloquei calças de couro apertadas, uma solta blusa listrada e uma chocker preta. Prendi meus cabelos para cima e parti para o banheiro, lavando meu rosto, colocando alguma maquiagem que disfarçasse.

Não tiraria o cansado do meu rosto, mas havia alguma melhoria.

Voltei ao quarto. Arrumei a cama. Olhei as horas. Peguei meu notebook e saí pela porta. Caleb estava prestes a se sentar no chão.

O asiático se levantou ao ouvir a porta se abrindo, em susto. Encaramo-nos durante algum tempo e ele sorriu:

-Não posso te mostrar tudo agora, é muita coisa... Além de que, América não está aqui e seria injusto com ela.

-Vamos todos vir para o meu quarto depois das aulas, vamos sentar e conversar a respeito disso tudo. Eu só preciso de uma resposta rápida, Caleb. Dê-me qualquer coisa. – suspirei.

-Nem você nem América são como nós. Não são como todas as outras pessoas da nave, Sky. – ele segurou minha mão.

Senti minhas pernas tremerem.

De toda a minha lista de questões, uma havia sido sanada parcialmente.

Não havia nada acontecendo comigo ou América. Aquilo era eu e América, pertencendo ao nosso ser.

Meu peito não se enchia direito.

Havia algo de muito errado comigo, podia sentir aquilo a cada batida rápida do meu coração.

Seguimos até a cafeteria, sentamos em alguma mesa qualquer. América apareceu ao fundo.

Sem muitas roupas novas desde sua entrada na nave, ela tinha duas calças jeans apertadas e várias regatas diferentes. Mas nada disso importava, porque seu cabelo cobria todo o seu corpo até a cintura, em uma dança inocente, quieta e linda. Sua chegada acalmou meu peito, minha mente, minha alma.

A ruiva se sentou ao nosso lado. Não quis falar sobre o que seria resolvido ao final da tarde, após eu dizer que iriamos todos ao me quarto, seu assunto do momento eram os lindos vestidos que agora, ela tinha pontos para adquirir.

Depois de algum tempo ficou explícito que nossos pais não iriam chegar ao nosso lado. O que era muito estranho.

Ainda que a rebeldia da noite passada tivesse causado raiva, não havia razões para aquele afastamento. Desde que os dois começaram a sair juntos, aquele era o nosso ritual da manha.

Seguimos para a sala de aula.

O curso que Caleb fazia, não era o mesmo que o meu, então, nem sempre nossas aulas eram as mesmas.

Na segunda, a nossa primeira classe era junta, mas a sua aptidão para números e leituras intensivas, o afastavam de mim até a hora do almoço.

Já eu, gostava de ler, debater e interpretar. Meu forte era ter algo pronto em mãos e o fazer ganhar vida.

América, ainda que tímida ao meu lado, me acompanhava em todas as aulas. Eu via o potencial nela, o mesmo que minha mãe havia visto, mesmo que ela costumava guardar o mesmo para si.

Quando a primeira aula do dia acabou, todos tinham de seguir para as suas próximas classes, dentro de 10 minutos.

Já havia me despedido do meu irmão, e, quando o pensamento de virar o corredor se concluiu, algo nos impediu:

-"Sky Mallet, comparecer a sala 917 e menos de meia hora." – o autofalante soou acima de nossas cabeças.

-Vocês duas precisam melhorar esse esquema de comunicação logo. – Caleb brincou, segurando a minha mão em minha frente.

Não havia gostado do soar daquilo, para mim, só me parecia mais uma ideia que teria consequências ruins.

-"Caleb Yu, comparecer a sala 923 em menos de meia hora." – o autofalante, então, soou uma segunda vez.

-E você deveria calar a sua boca. – América sorriu.

Entreolhamo-nos, sabíamos que nada daquilo estava bem. A ruiva me deu um beijo na bochecha e seguiu para sua sala, cabisbaixa. Apertei os dedos de meu irmão entre os meus, então, andamos juntos até as respectivas salas, até o abate.

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