Labaredas.

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-Sky? – uma quieta voz no fundo da minha turva mente, me chamou e, sem resposta, continuou – Sky... Sky...

O ar era quente e abafado.

As labaredas no plano de fundo estalavam e subiam, aos céus estrelados. Em meio a tantas, podia apontar a grande e azul em movimento que era a chamada Nave.

Uma noite perfeita e iluminada, que queimava em chamas próximo a mim.

-Se você é tão escura quanto os céus que nos rodeiam, seus olhos são as estrelas que nos protegem. – a voz que antes distante, agora estava ao meu lado, junto a mim, em uma forma mais concreta, mais real.

A fria mão de dedos curtos segurou a minha, tal que nem havia, ainda, notado que existia.

Seus ruivos cabelos flutuavam, seguindo a dança das chamas. Não estávamos ao chão, mas não estávamos aos céus.

-O que é isso, América? – inspirei toda aquela fumaça de ares pesados que encheram meus pulmões de algo horrível.

-Isso é a Terra, Sky. Todos os dias. Fogo, guerra, morte. – sua voz era calma e quieta, como a de quando ela me perguntava algo durante as aulas, discreta, inocente e pura.

Não parecia falar de algo tão horrível, apenas da sua casa. Seu ar era de normalidade.

Assim que a última palavra saiu de sua cheia boca pequena, estávamos sobre o fogo. Como se, enquanto falasse, flutuássemos a frente, até estarmos em cima do incêndio. Lá embaixo, todos eram ruivos e todos queimavam junto ao fogo alto.

Gritos, grunhidos, choros copiosos. O desespero era grande, na cena e dentro de mim.

Tentei me mexer, tentei ajudar as pessoas, mas meu corpo estava estático, preso a mão de América.

-Não podemos fazer algo?! – gritei, em desespero, lutando para me mover, mas sem conseguir mexer um mísero dedo.

-Você não pode Sky. Não é desse mundo. Você é uma, a primeira, extraterrestre.

Com um baque, estava em meu quarto. Havia luzes neon vermelhas piscando em todos os cantos.

Logo, o som ensurdecedor de uma campainha gritava em um loop.

Senti braços quentes e brancos me remexerem na cama.

Blue?

-Mãe? – a abracei com força, em desespero.

-Sky, temos que ir!

Ela me soltou de seu abraço, mas não de minha mão. Entregou-me chinelos e um roupão cinza, quente.

Peguei meu telefone e corri, a seguindo, sendo arrastada para o destino que ela quisesse, entrando nas maiores profundidades do labirinto da nave.

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