Irmão.

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Não me lembrava de como havia chegado \a meu quarto. Isto, pois a adrenalina que se disparou ao longo do meu corpo me fez correr, controladamente, pelos corredores. Todas as minhas emoções ficaram quietas, reprimidas pelos apressados passos, saindo em forma de suor.

Assim que a porta se fechou, batendo, algo inusitado aconteceu. Lágrimas. Finas, ardiam meus olhos e escorriam pelas minhas bochechas; grossas, caindo ao chão. E, no chão, eu estava.

Nunca fui muito de chorar. Sempre fui uma garota sensível, só não daquelas com todas as emoções a flor da pele. Sentia e guardava até esquecer, tudo dentro de uma caixa enterrada no peito.

Era inusitado chorar. Ainda mais naquele estado. Estava em prantos. Abraçada com o travesseiro, estirada ao chão.

Não sabia o que sentia, só sabia que sentia e muito. Meu peito queimava, um calor que eu não conhecia; ainda que com um frio dentro da minha cabeça.

-Sky? – a voz de Caleb ecoou em meu quarto.

O telefone chamou.

As chamadas automaticamente eram ouvidas, mas não atendidas.

-Sky, eu consigo te ouvir chorar através da porta. – ele continuou.

Peguei meu telefone, jogado sobre a escrivaninha. Apertei na tela de vidro azul do msmo, o atendendo.

-O que foi, Caleb?

-O que aconteceu com você? Tínhamos de estudar para uma prova na segunda.

-Acho que não vamos estudar hoje. – respirei fundo, buscando me acalmar.

As lágrimas ainda corriam pelo meu rosto.

-Me deixe entrar. – sua voz calma e pedinte me comoveu; ou talvez, fora aquele sentimento de necessidade de alguém comigo, alguém que pudesse me explicar exatamente o que estava acontecendo.

Levantei-me, passei o telefone na porta. Coloquei- me de volta ao chão, dessa vez, não estirada, mas sentada de pernas cruzadas. Caleb deixou suas coisas sobre a cama e se sentou atrás de mim, me abraçando.

Chorei, durante mais algum tempo. Aquele carinho me fez sentir muito melhor, muito rápido.

-O que aconteceu? – ele retirou meus cabelos do rosto.

-Você realmente vai querer saber? – respirei fundo mais uma vez, até a lembrança me fazia tremer nas bases.

A verdade é que, naquele momento, soube que Caleb não aceitaria e não entenderia. Isso, porque eu simplesmente não queria contar para ele, tinha receios.

Virei-me, o olhando nos olhos. Prendi meu cabelo.

-Sim. – ele segurou minha mão, agora, no joelho.

-América me beijou... – as palavras pularam da minha boca, mas não na ordem correta, então, meus pensamentos começaram a pular para fora também, desordenados – Ela é uma garota... E eu queria isso...

Tinha mais coisas há serem ditas. Havia todo um desabafo preparado e entalado em minha garganta. Porém, Caleb estava em silêncio, e ele nunca estava em silêncio.

Meu irmão tinha uma resposta para tudo.

Sua quietude me fez aquietar.

-O que? – me inclinei para frente;

Sua pequena cabeça asiática se rebaixou, suas mãos foram trazidas para perto do corpo.

-Você queria beijar ela?

-Caleb? – tentei segurar seus braços, o trazer para mais perto de mim em um impulso carinhoso.

-Não! – ele se repuxou, tomando distância de mim – Sem "Caleb". Não consigo acreditar que você fez isso!

Ele ergueu sua cabeça. Com o nariz contraído, a boca cerrada e os olhos em fúria, queria que ele nunca tivesse trocado de posição. O conhecia há anos e aquela expressão era completamente nova para mim.

Senti-me atacada, não pelas palavras, mas pela sua face.

-O que está acontecendo?!

-Você é cega? – ele se levantou.

-Caleb, eu não estou entendendo tudo isso. – levantei-me, tentando me colocar a sua frente.

Ele abaixou a cabeça novamente, então, tentou sair do quarto. Joguei meu telefone na cama e parei na frente da porta, assim, ela não reconheceria minha identidade e não abriria, como se trancada.

-Me deixe passar! – ele me empurrou, me fazendo bater de costas com a grande porta de metal.

O empurrei de volta, com mais força.

Caleb caiu mais distante do que o esperado, quase todo sobre minha cama. Não se machucou, ainda que devesse. Sentou-se sobre a mesma, então respirou fundo.

-O que aconteceu?! – gritei.

-Eu te amo, Sky! – sua voz soou irritada, ríspida, cheia de um sentimento horrível consumido em raiva – O quão idiota você pode ser? Desde o dia que nos conhecemos, eu não respirei perto de outra garota. Larguei tudo, todos, para me dedicar apenas a você. Como isso tudo passou despercebido? Todas as nossas conversas, o sonho de morar juntos... Todas as vezes que segurei a sua mão! Toda a odeia de esperar a sua hora!

Como uma realização daquelas que se tem no meio da vida, eu notei. Caleb era uma pessoa horrível. Ele estava ali, ele era aquilo, única e exclusivamente porque tinha sonhos e esperanças de que um dia ficaríamos juntos.

Toda a minha raiva se dissipou.

Um sentimento diferente se abriu em meu peito. Era algo novo, que eu não conseguia entender, mas se parecia com o sentimento de pena.

Minha cabeça baixou, sentei-me ao seu lado, segurando sua mão.

-Você é meu irmão.

-Não de sangue, nunca de sangue. Não te vejo como uma irmã.

-Mas eu sim. – o olhei nos olhos.

Seus apertados negros olhos asiáticos nunca estiveram mais tristes, o que corroeu meu peito.

Caleb se levantou, esperou alguns segundos à frente da porta. Levantei–me e passei o telefone a frente da tal que se abriu, ele foi embora.

Meu coração se quebrou.

E, se tivesse um momento no qual eu pudesse dizer que a Nova Era acabou, esse foi ele.

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