Prólogo.

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O amor é, atualmente, facilmente comparado com extraterrestres. Se pode acreditar nele, se pode não acreditar nele, se pode acreditar nele com exceções e regras, e, por fim, se pode ter provas cientificas da sua existência ou da sua não existência.

O amor não é um sentimento, como extraterrestres não são criaturas. O amor é a crença, é uma mistura química, é apelo sexual... O amor é. Extraterrestres são química, física e biologia, são cálculos matemáticos e probabilidades estranhas.

E qual dos dois você realmente já viu?

O amor foi criado em meio a Idade Media, com toda aquela baboseira de homens bravos e valentes e mulheres inalcançáveis. Ideia de algum poeta que precisava ter o de escrever; de alguma cantiga que parecia faltar algo; de algum soldado que não sabia explicar o gostar daquela garota feia, trabalhadora do estabulo. Antes, amor era explicado apenas pelo sexo, era erotismo, raramente chegava a determinar casamentos ou devoção a algo.

Sempre acreditei em extraterrestres, porque sou uma.

No ano de 3.000 a Terra entrou em colapso. Um pequeno cometa nos atingiu e a nossa orbita foi severamente afetada, um dia em solo terrestre dura o que, antigamente era, uma semana, além de perdemos quase metade do território mundial. Durante 20 anos martelaram a cabeça para tentar explicar o que aconteceu, o que ficou, mais tarde, conhecido como a Era Escura. Um dia, os terráqueos simplesmente desistiram e resolveram se adaptar para não serem extintos, a Nova Era – uma das primeiras vezes que a nossa espécie realmente conseguiu pensar.

O socialismo era a única saída. As terras foram dividas: 70% do planeta é usado como um grande campo agropecuário, que sustenta toda a nossa espécie e a dos animais que sobreviveram, tudo de forma sustentável e limpa. O resto virou residência de quem precisa trabalhar nas terras e foi usado como áreas de pesquisa. Tudo precisava ser revisto e estudado, só assim poderíamos prosperar.

Mas, o destruído não é o suficiente, por isso existe Marte e a Nave.

O planeta vermelho virou a futura nova casa, então começou a ser tratado para que, de forma artificial, se pudesse ser criada a nova Terra.

Já a Nave era para onde nós íamos, os extraterrestres. Nesse novo mundo, não é possível que haja muitos representantes da nossa espécie, então tentamos controlar tudo com cerca de 1 bilhão de pessoas. O controle de natalidade é rígido. Todas as crianças nascidas são mandadas para a Nave, onde estudamos e aprendemos tudo, antes de escolhermos se seguimos para Marte ou para a Terra, somos todos extraterrestres. É onde vivo, onde o governo tem sua cede e onde os idosos – que não podem mais trabalhar nos planetas – passam a maior parte do tempo nos servindo de tutores.

Nunca acreditei em amor, isso, até ver seus foscos olhos azuis sentados nos corredores próximos à sala da minha mãe, insatisfeita. Ela era como... Gravidade. Não tinha como fugir ou não ser atraída por ela. Todos os poemas antes, meros arranjos perfeitos de palavras passaram a fazer sentido e, por segundos, o destino da humanidade não era importante para mim, somente ela era.

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