Eu já li sobre isso.

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Chegamos ao quarto.

Mandei uma mensagem para América, falando que estávamos a sua porta, que não foi aberta. Sentamos ao chão, a frente da mesma.

Estávamos cansados e jogados ali, querendo ir embora.

Precisávamos saber se ela estava bem.

Os minutos começaram a se passar e a impaciência se transmutou em preocupação.

-Onde está ela? – respirei fundo.

-Você acha que os guardas a pegaram? – Caleb segurou a minha mão.

-Qualquer coisa que tiver acontecido com ela, nós vamos resolver. América é a minha responsabilidade, e, eu nunca me perdoaria se algo a machucasse. – abaixei a minha cabeça.

Era fácil ser sincera com ele, por toda a nossa proximidade. Havia tantas coisas que queria contar ao meu irmão... Coisas que me assustavam, coisas fora do meu controle, que, se dividíssemos, talvez, não seria tão difícil de carregar.

Suspirei insatisfeita.

Minha mente ia a três ou quatro lugares diferentes. Repassava o que aconteceu e imaginava tudo que poderia acontecer.

Havia muito estresse correndo em meu corpo.

-Vocês não iam procurar por mim? Que amigos horríveis. – o som da voz de América acalmou meu coração, minha alma.

Seu corpo apareceu ao lado esquerdo do labirinto. O longo cabelo ruivo corria solto pelo seu corpo, o cobrindo todo. Ela passou seu telefone na porta e todos entramos em seu quarto.

América sentou em sua cama, ergueu suas mãos e braços escondidos pelas suas madeixas, juntou todos os seus fios e os amarrou juntos ao topo de sua cabeça, em um coque frouxo.

Já estava acostumada com seus braços, costas e colo do peito nus. Suas sardas alaranjadas que pintavam todo o seu corpo. Os arrepios que a observar causavam. Tudo, antes, debaixo do longo cabelo que ia de encontro a sua cintura.

Caleb não estava.

Seu queixo caiu instantaneamente. Seus olhos correram todo o seu corpo, de forma inocente e tímida, sem nenhum desejo, apenas espanto e admiração.

Sorri. Já havia passado por isso.

-América? – sentei-me em sua cama.

-O que? – ela sorriu, se aproximando de mim.

-Quero mostrar tudo a Caleb. – suspirei.

Minhas mãos tremeram.

Sabia que aquela frase mudaria várias coisas e, tinha medo de mudanças. Mas sempre soube reconhecer quando algo era necessário, ainda que precisasse ser feito.

-Me mostrar o que? – meu irmão começou a ficar inquieto.

-Você tem certeza? – ela cruzou as pernas, me olhou fixamente, buscando algo em meu rosto.

-Eu confio nele, com toda a minha vida. Não vou esconder nada dele. Porém, isso te envolve, e você precisa aceitar também. – queria segurar a sua mão, mas não podia, já que iriamos para longe dali.

-Se você confia nele, eu confio nele, Sky. Eu só não sei como vamos mostrar tudo o que vemos para ele. – sua mão pairou em meu joelho.

-Eu tenho uma ideia. Vamos todos nos sentar e dar as mãos.

Era um instinto, uma suposição, aquilo deveria fazer com que ele viajasse conosco.

Fomos todos ao chão, o único lugar que nos comportava em círculo. Antes de fecharmos o elo entre mim e a ruiva, comecei a falar.

-Eu vou te explicar o que está acontecendo. – segurei a mão de Caleb – Mas é algo complexo, que nem nós duas entendemos direito.

-Você está me assustando. – ele respirou fundo, arregalando os olhos.

-É uma ligação entre mim e América, quando damos as nossas mãos... Viajamos. Vamos para casa. Já fomos para a floresta, o lugar onde ela cresceu; e já fomos para o espaço, onde eu nasci.

Segurei o olhar fixo nos seus. Mas tudo que pude ver foram sobrancelhas apertadas juntas em julgamento.

-Ele não está acreditando em nós. – a ruiva suspirou desapontada.

-Então vamos mostrar para ele. – sorri.

Segurei firme a mão de meu irmão, então, busquei algum conforto no azul dos olhos dela, que sorriu e me estendeu a sua. Entrelaçamos os dedos e respiramos fundo.

O cheiro da chuva dominou o quarto, enchendo meu nariz, meu peito. Nessa transição, não conseguia olhar para nada se não aquela grande piscina ciano a minha frente, ela estava feliz por estar em casa.

Quando todo o quarto se tornou denso e escuro, cheio de folhas secas e musgo, virei-me para Caleb. Seus pequenos olhos asiáticos estavam abertos pelo que seria a primeira vez.

Ele estava maravilhado, com qualquer que fosse a sua primeira impressão daquele mundo novo que havíamos o jogado em. Queria contar que aquele espanto acabaria; mas a beleza, não. Ele se acostumaria com tudo aquilo.

Queria contar a ele, ainda, tudo que já havia visto, tudo que mudaria. Mas não havia como adiantar aquelas experiências. Então, apenas observei todas aquelas sensações que já havia presenciado, com nostalgia no peito.

Caleb encheu seu peito de ar, o soltando em um gemido suave e agudo.

-Eu não acredito nisso.

-Você está presenciando isso. Vivendo isso. Acredite nos seus sentidos. – a ruiva sorriu.

-É só que... – ele tomou uma pausa, então, me olhou profundamente, cerrando os olhos, mordendo a boca e juntando as sobrancelhas. – Eu já li sobre isso.

Aquela frase me assustou e, no susto, soltei a mão de América.

Voltamos quase que instantaneamente ao quarto.

-Você leu sobre isso?

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