O garoto e o guerreiro

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Autor: Victor Hugo Couto



O guerreiro brandiu sua espada, estava prestes a sair da caverna de entrada e entrar no Vale da Morte. Teria de cruzar todo o vale para encontrar o grande Senhor do Escuro, e subjugar de uma vez por todas sua maldade. Suor escorria pelo seu rosto enquanto os vapores do Vale da Morte penetravam pela caverna.

Aos poucos a escuridão foi cedendo espaço para a luz lá fora, clarões eram vistos a cada minuto, resultado das erupções dos rios de magma que corriam pelo Vale. O guerreiro não sabia que tipos de monstros ou perigos encontraria por lá, assim manteve a espada erguida, atento a qualquer perigo.

Ouviu um chamado, uma voz sinistra gritava por seu nome no fim da caverna, como um desafio. Sorriu, saberia que o caminho seria difícil, mas estava no auge de suas forças. Apertou o cabo da espada e seguiu em frente, aproximou-se do fim da caverna, deu um passo e saiu em direção ao Vale da Morte, onde seu destino o aguardava.

***

- Filho! Você vai se atrasar! Desça logo, o ônibus da escola chega daqui a pouco. E não esqueça o guarda-chuva, está chovendo aqui fora. – gritou a mãe impaciente para seu filho no quarto no andar de cima.

O garoto terminou de vestir o uniforme, jogou a mochila sobre os ombros e levantou da cama. Puxou o guarda-chuva e o manteve à mão, segurando pelo cabo. Desceu as escadas correndo, atravessou a sala e encontrou a mãe esperando sobre o beiral da porta. Chovia lá fora. Parou a alguns passos diante da porta aberta, respirou fundo, segurou o guarda-chuva e atravessou. Sua mãe foi atrás.

***

Adentrando o Vale da Morte, o destemido guerreiro se viu acometido por uma chuva de lava, vinda das explosões do lago de lava à sua frente. Pegou seu escudo e pôs sobre a cabeça, protegendo-se dos projéteis de fogo. Olhou à frente, teria de atravessar o lago de lava para alcançar a outra margem, que levaria à Montanha Sombria, o lar do Senhor do Escuro.

Do alto, monstros alados circundavam o lago, apenas observando o intruso que saíra da caverna. Emitiam sons agudos, penetrando fundo no ouvido do guerreiro. Aproximou-se do lago, e percebeu que teria de saltar por blocos de pedra flutuantes ao longo do lago de lava. Assim, aos poucos foi saltando de um em um, protegendo-se dos projéteis de lava e tentando ignorar o granido dos monstros alados.

Chegando próximo à outra borda, pegou-se desprevenido. Um monstro gigantesco em formato de serpente emergiu das profundezas do lago e investiu contra o herói. Este não teve tempo de reação e acabou engolido pela besta. A luz se transformou em escuridão novamente, e o guerreiro tinha de lutar para viver.

***

Saindo de casa, a chuva caía pesada e os únicos sons ouvidos eram o tamborilar da água caindo no guarda-chuva e o som de pássaros que voavam no céu, procurando um abrigo da chuva repentina. O garoto ergueu alto o guarda chuva para se proteger, mas olhou para o alto, observando os pássaros.

Contornaram a varanda da casa e chegaram ao quintal, cujo chão era coberto por uma grama fina, e tinha uma passagem coberta por pedras, formando um pequeno caminho até a portinhola que dava para a rua. O ônibus já ia virando a esquina. O menino começou a pular as pedras do quintal, uma a uma, com sua mãe a apressá-lo.

Chegaram à calçada e o ônibus já estava ali. O garoto entrou, despedindo-se da mãe, fechou o guarda-chuva e foi caminhando até o fundo do ônibus, onde seus colegas de escola o saudavam. O ônibus arrancou, indo em direção à escola. O menino sentou-se no fundo do ônibus e ajeitou a roupa e a mochila no banco.

Antologia: Clube de Autores de FantasiaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora