Eren, a caçadora

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Autor: Igor Feijó



Segunda-feira, 1 de Junho de 2017.

Cobertura do Park Street

Nova York, EUA.

Escrevo nesse diário na esperança de que eu possa sair um pouco desse mundo, venho de uma época que esses humanos mal sonhariam em existir, meu trabalho aqui não é dos mais fáceis, mas antes que possa entrar de fato na minha história permita-me que eu me apresente.

Meu veículo mortal hoje se chama Eren, sou uma das górgonas nascidas na antiga Grécia e hoje moro em Nova York. Sem que nos fosse revelado o porquê muitos de nós acabaram por renascer nesta nova era, alguns com um propósito estabelecido, outros apenas com o objetivo de encontrar um caminho. Sei que deve estar se perguntando se fui Medusa, mas não, saiba que existiram três de nós e apesar de somente minha irmã ter sido citada em histórias, eu também fui importante. Deixemos o meu rancor de lado, afinal não é para isto que escrevo.

É necessário dizer que recordo-me de pouca coisa ou quase nada de minhas andanças como górgona, e de fato o que vocês guardam em suas bibliotecas por aqui é uma bela porcaria. Não vou colocar aqui meu nome verdadeiro, mas digo que ele significa "a que corre o mundo", e sabe por que eu levo esse nome? Porque eu caço. Sim, esse é o meu propósito, caçar seres que perturbam a ordem nesse mundo, acabei por renascer aqui na América, pois o número de incidentes é gritante. Como se não bastasse encontrar seres das minhas antigas terras, encontro uma gama de outros vindo de lugares diversos, se espalhando pela cidade de Nova York como moscas em um bolo. Esta referência foi a melhor que encontrei, pois adoro coisas doces.

Mas eu percebo porque isto acontece por aqui, a diversidade energética é muito grande, ainda existem itens espalhados por aí e muitos desejam seu poder, outros somente desejam construir uma vida nova, se apaixonar ter uma família a aqueles que gostam de saborear alguns humanos e outros que tentam deixar suas vidas um pouco mais interessantes. Na minha visão consigo enxergar apenas uma bagunça generalizada. Dizem que alguns Deuses se metem em assuntos mortais, mas eu ainda não topei com nenhum. Um ponto importante que eu não comentei é que eu não saio petrificando pessoas por aí, e meu cabelo não é feito de serpentes, nessa vida, me foi concedido o controle de minha magia. Meu corpo mortal apresenta características normais, tenho cabelo longo e preto, meus olhos são verdes e minha pele é levemente bronzeada, não sou muito alta e gosto de me vestir casualmente. Ser mulher é um tanto trabalhoso, mas tem suas vantagens. 

Meu único problema é não poder ver o meu reflexo, caso isso acontecesse eu seria afetada pelo meu próprio dom e seria exposta em algum parque servindo de fonte ou banheiro de pombo. Então simplesmente dependo de outras pessoas para me dizer como estou, aprendi uma ou duas coisas com as filhas de Afrodite que eu matei, mas eu gosto de escutar elogios, faz parte dessa nova vida.

Outra coisa que gostaria de acrescentar: se relacionar é muito complicado, tentei uma ou duas vezes, mas não tive a mínima paciência. É toda uma série de jogos e rodeios, ninguém vai direto ao ponto e quando vai o faz de maneira idiota, não sei se é porque vejo humanos como algo inferior ou se todos eles são desse jeito. O fato é que não tentei muito e acabei por desistir, por ter um corpo bonito e rosto perfeito eu acabo sendo cortejada muitas vezes, mas apenas não ligo. Já tentaram abusar de mim umas duas vezes, e os crânios daqueles que me atacaram até hoje decoram o meu apartamento na Fifth Avenue 62, cobertura. 

Muitos conhecem o meu trabalho e apenas me contratam para fazer um serviço pequeno e rápido, outros ficam a mercê de minhas rondas pela cidade esperando serem salvos por alguma coisa ou alguém. Com uma cidade com tanto movimento, fica difícil percorrer todos os cantos sem que passe algo, muitas das vezes eu perdi o rastro do que estava caçando. Mas, de uns tempos pra cá venho lidando com um tipinho particularmente irritante de criatura, se chamam Dames Blanches e se dizem originárias da França. Ora, pelo Tártaro o que estão fazendo por aqui então? Me pergunto isso todos os dias. Por acaso já ouviu falar em fadas? Não? Pois então, são como fadas, só que mais irritantes, são mulheres, se é que se pode colocar assim, que simplesmente não aguentam levar um não e por conta disto seus alvos acabam sofrendo alguma espécie de fatalidade. Pro azar das moçoilas eu posso sentir no ar quando elas fazem esse tipo de magia com seus joguinhos de sedução e então, quando isso acontece, eu parto como um raio, pronta para rasgar lhes o ventre. 

Antologia: Clube de Autores de FantasiaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora