Caçada Selvagem

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Autor: Lauro Kociuba



Introdução

Eu nunca havia escrito um conto. Na verdade, antes de "A Liga dos Artesãos", eu nunca havia escrito nenhuma narrativa do gênero.

Então, no mês de Dezembro de 2014, fui convidado por um grupo de escritores (Escritores e Amantes da Terra Média) para integrar uma antologia de contos natalinos. Gostei da ideia, do desafio, e decidi participar. Escrevi uma versão simples desse conto que segue.

Mas, ele queria mais, e começou a criar palavras e parágrafos. Pedi a autorização deles e lanço aqui a versão estendida. Recomendo muito pesquisarem a antologia de contos, para conhecer a versão original desse, e vários outros textos natalinos.

Agora, o conto:


...

Ato I

Na qual eles vêm de lá para cá, acontece uma caçada, e um presente é dado.

- Vá dormir, garoto. - O pai apontou para a cama no canto da cozinha - Hoje ninguém correrá o risco de olhar para o céu.

Era o último dia do ano e as celebrações do solstício fizeram-no voar.

Toras de madeira, grandes como um homem adulto e enfeitadas com fitas e pinturas, queimavam durante todo o dia pela vila. Quanto mais tempo durasse a chama, mais próspero seria o ano vindouro; e havia várias fogueiras que veriam o amanhecer do dia seguinte.

O frio chegava aos ossos e a neve começou a cair no início da tarde, mas isso não diminuiu a alegria e movimentação: casais apaixonados corriam pelas ruas procurando os ramos de azevinho para trocar beijos e abraços; o cheiro do banquete invadia as casas e convidava a todos a se reunirem na praça; os animais sacrificados aos deuses antigos eram assados; e a melhor safra de hidromel do ano anterior era aberta.

O vilarejo estava precisando de um dia como esse, um esforço maior pelos problemas que assolavam a região. Um casal de lobos gigantes estava atacando o gado e alguns cavalos dos moradores, embora ainda não houvessem atacado nenhuma pessoa.

A farta refeição seguia por horas, os pratos eram repostos conforme acabavam e taças vazias eram rapidamente enchidas. Músicos e artistas de toda a região se reuniam para apresentações no palco improvisado em uma ponta de mesa. Mesmo as crianças e desconhecidos tinham seu espaço, era um dia de sorrisos e libertação.

Mas, assim que a noite ameaçava expulsar o sol do firmamento, os sons da praça cessavam. Todos recolhiam um pouco do banquete para as ceias familiares; crianças eram postas para dormir logo cedo; casais se recolhiam às suas camas e não ousavam mais sair. Nenhuma janela ficaria com as cortinas abertas esta noite.

No mundo, existem seres que chamamos de Alvores, que têm, em si, parte da magia da criação do mundo. São os elfos, anões, gnomos, encantados... Seres que têm parte da sua essência presa ao plano etéreo.

Quando o corpo físico de um Alvor morre, há uma libertação: sua essência etérea se desprende e fica livre para se movimentar no outro plano. Mas, durante a grande noite, a fronteira entre esses dois mundos se torna confusa. No solstício, o tecido é rasgado e frestas são abertas, e então é possível perceber o brilho do mundo feérico projetado no céu noturno, através dessas fendas.

A tradição diz que, nesta última e mais longa noite do ano, acontece a Caçada Selvagem.

Esta caçada era feita principalmente por Alvores cujo corpo físico havia perecido, normalmente mortos em batalha. Todos eram reunidos pelo Caçador Selvagem, um guerreiro ímpar e implacável, para realizar uma passagem pelos céus do mundo físico. Podiam ser vistos em suas formas originais, sem a limitação da carne.

Antologia: Clube de Autores de FantasiaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora