ANTIGOS SENTIMENTOS A TONA

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Olho para ela e parecia querer chorar de novo. Aquele sentimento... Eu entendo o que era.
O homem caminha duramente até nós e segura Nanda pelo braço a levando pra fora do banheiro enquanto falava baixo coisas duras para que só ela ouvisse.

- Ei, pare com isso! - digo e ele para me olhando com ódio em seus olhos. - Você está machucando ela!

- Tá tudo bem! Por favor... - Nanda fala num tom calmo forçando a voz para sair entre o choro preso em sua garganta.

Eles saem e eu vou atrás.
Mas ao sair também, eles já tinham entrado pela porta da cozinha. Começo a andar em direção a porta mas uma mão segura meu braço.

- Espera aí! O que está acontecendo? - olho para Glória e para a porta da cozinha - Não, espera. Vamos, venha comigo.

Ela me puxa pra fora do restaurante com os olhares dos outros clientes. Tinha vontade de gritar para as pessoas sobre o que estava acontecendo mas meu corpo não queria me obedecer. Eu só queria quebrar a cara daquele homem escroto em pedaços.
Glória quase me empurra para entrar no carro e arranca sem me deixar pensar em sair de novo.

Ela para na frente da minha casa e desliga o carro. Ficamos caladas por uns segundos até ela se virar pra mim e tocar minha mão de forma gentil.

- Se sente melhor? - ela fala baixo e calmo como minha mãe falava depois de me levar ao dentista.

- Acho que sim... - Glória é minha melhor amiga a anos e ela sabe dos meus ataques de raiva e o que pode acontecer se eu me descontrolar...

- Quer que eu entre pra conversar? Podia me falar o que te deixou assim?

- Tá tudo bem Glória, obrigado. Eu só vou tomar banho e me deitar - falo tentando parecer o mais calma possível.

Ela pensa por uns segundos e concorda balançando a cabeça. Lhe dou um abraço e saiu do carro. Ela liga o carro e sai logo que eu entro em casa. Vou direto pro banho, passo meia hora em baixo do chuveiro pensando no que aconteceu.
Lembro dos lábios de Nanda nos meus, balanço a cabeça.

- Isso não pode acontecer...não mesmo.

Visto uma camisa larga, um short de algodão e me deito na cama. Meu celular apita com uma notificação.
Vejo uma mensagem de Glória.

(Glória): Apesar de tudo eu amei a noite. Me mande mensagem qualquer coisa. Bjs. Boa noite.

(Eu): Eu também amei, obrigada. Bjs. Boa noite.

Deixo o celular em meu peito e fecho os olhos, quando abro novamente a luz do sol clareia meu quarto.
Pego meu celular que agora estava no chão. Tem 14 mensagens de um único número.
Me levanto e deixo o aparelho na bancada da cozinha.
Faço minhas necessidades, tomo banho e me visto. Volto para a cozinha, pego uns ingredientes para fazer um hambúrguer e um suco.
Depois de uns minutos, calço meu sapato e vou correr.
Quando dei por mim, já estava na rua do restaurante que estava ontem, paro na esquina, duas casas longe do local.
A porta da frente se abre e vejo uma menina de cabelos castanhos a cima do ombro carregando uma sacola preta de lixo.
Ela joga a sacola dentro da lixeira e, ao se virar, consegue me ver.
Não sei o que estou fazendo aqui olhando pra ela de longe parecendo uma psicopata.
Me viro para direção oposta e volto a correr, agora de volta para casa.

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