NANDA

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Acordo sentindo uma dor em meu braço e costa me fazendo lembrar da noite passada quando meu pai me arrastou pelo braço na frente da pessoa que gosto.
Não sei o que poderia acontecer se eu não a impedisse de me defender. Não sei explicar mas algo em seus olhos me assustava mais do que meu pai poderia fazer comigo.

Depois de me arrastar pelos fundos do restaurante, que também é nossa casa, subimos para meu quarto onde me jogou no chão, trancou a porta e disse que voltava para falar comigo mais tarde.

E ele voltou com um cinto na mão...
Fico pensando se minha mãe me protegeria do que ele faz comigo. Mas ela morreu quando eu era criança. Lembrar de ter encontrado ela no chão na cozinha quando cheguei da escola está até hoje em meus pesadelos.

Meu pai disse aos policiais que alguém entrou quando ele não estava em casa e quando voltou me encontrou chorando tentando acorda- lá.

Eu nunca acreditei nisso.
Desde então meu pai me mantém em uma rígida rotina...
"Você não vai sair, nada de amigos, nada de festas. É da casa pra escola e da escola pra casa entendeu?"
E agora também trabalho pra ele, sem salário ainda por cima.
Mas isso tudo vai acabar no meu aniversário de 18, vou morar com minha tia Lud nós Estados Unidos e nunca mais voltar.

Mas até lá vou continuar aguentando ser escrava do meu pai...

Me levanto, faço minhas necessidades.
Escuto a porta do meu quarto abrindo e ouso passos pesados.

- Fernanda, quando acabar desça e arrume a casa. Eu vou sair para fazer compras para o restaurante mas volto rápido, está me ouvindo? - ele diz próximo a porta do banheiro - e não esqueça de jogar o lixo pra fora.

- Está bem, pai. - respondo e escuto ele bater a porta ao sair.

Após o banho, me visto e desço para tomar meu café.
A hora que fico só em casa é a minha preferida. Posso fazer tudo do meu jeito sem escutar broncas por qualquer poeira que deixo cair da pá.
Ponho uma música e começo a limpar.

Recolho todo o lixo e levo para fora
Jogo dentro da lata, me viro e vejo alguém parado na esquina da minha rua. Logo a pessoa se vira e vai embora correndo.

- Que estranho. Ela parecia a.. - sinto um aberto no peito lembrando do beijo - devo falar com ela sobre o que aconteceu ontem, não vou mais me esconder, não vou mais me conter ...

Entro e volto a limpar as coisas o mais rápido que posso para estar livre para fazer uma visita.

MENOR DE 18Onde as histórias ganham vida. Descobre agora