COISA DE MULHER

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  - Ah, como a vida é engraçada não é, Márcia? - digo para loira ao meu lado no balcão do bar - Quando me formei em Advogacia com o pensamento de ajudar as pessoas, nunca pensei que umas dessas pessoas seria uma garota que gosta da mesma mulher que eu.

Digo encarando o copo com  Uísque que logo seco em um cole.
Viro o copo de cabeça para baixo, o que me fez lembrar os dias de faculdade, as bebedeiras nos fins de semana, nesse mesmo bar. Agora volto aqui sozinha, conversando com uma estranha que, provavelmente vou esquecer o rosto se continuasse bebendo mais.

Márcia, por sua vez, não bebia como eu. Provavelmente para prestar mais atenção na história e poder se lembrar depois.
Afinal quem não gostaria de espalhar por aí que a melhor advogada da cidade está defendendo o caso de uma garota que se envolveu com a mesma pessoa pela qual está apaixonada?

Foda-se
Isso realmente não me importa
Eu estou certa! Que tipo de pessoa eu seria se deixasse essa garota sem defesa? Que tipo de mulher eu seria se não protegesse outra?

Esses casos sempre me embrulham o estômago.

Desde que sai daquele hospital, decidi ganhar esse caso nem que eu tenha que usar unhas e dentes!

  - Quero muito aquele cretino atrás das grades - digo cerrando os dentes.

Me levanto e chamo, com um sinal, o bartender.

  - Quanto deu, por favor?

O homem se aproxima enxugando as mãos em um pano. Ele olha uns instantes para mim, franzindo a testa.

  - Fechou em 160 - ele diz desviando o olhar.

Olho para ele e percebo seus olhos fugindo dos meus até que param para me encarar tentando manter confiança para que eu não perceba que está mentindo. Na cabeça dele, percebeu que estava parecendo suspeito, então resolveu finalmente focar em meus olhos, tentando disfarçar seu desleixe.
Tarde demais.

  - Diga-me: faz sempre isso com seus clientes? Espera que fiquem bêbados o bastante para não saber o quanto beberam para que você possa pedir o dobro do que foi fornecido? - pergunto o encarando.

  - Não sei do que está falando. Deu 160. - ele insiste.

  - Tinham 8 copos de uísque nesse balcão e cada uma custa 10 reais. Mas percebi que sempre que eu acabava uma, você me servia outra e tirava a vazia da mesa. Seria uma boa estratégia se eu ficasse bêbada facilmente com essa quantidade de garrafas então é melhor fazer essa conta direito. - digo.

  - Moça ou paga ou chamo a polícia - ele ameaça colocando a mão sobre o bolso onde devia estar o celular.

  - Chame! E eu vou presa e logo que eu for solta, processo esse lugar e vou ganhar sabe por que? - me aproximo, colocando as mãos sobre o balcão - Porque eu e aquela câmera ali, sabemos quantos copos tomei e logo os policiais também saberão. E é bom que você se lembre que, se virem que fez isso comigo, vão analisar quantas vezes fez isso com outros clientes e até onde eu sei isso é crime. E olha que eu sei bastante sobre crimes e esse seu é bem grave.

Um silêncio inunda o bar e só podesse ouvir alguns copos batendo sobre as mesas.
O bartender limpa a garganta enquanto olha o espaço atrás de mim, acho que Márcia não foi a única a prestar atenção na conversa.

  - fechou em 80 - ele disse finalmente.

Depois de pagar a conta e me despeço de Márcia, que descobri que se chamava Carla... Enfim é parecido... Tenho que ir para o hospital ver se Fernanda ja está acordada. Preciso conversar com ela sobre o pai.

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