MACIA COMO ALGODÃO

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Segunda-feira...
Eu amo as segundas
É o recomeço de tudo
Mais uma semana de trabalho começa.

Me sento na cama esperando minha alma voltar. Olho pro relógio, são 6:00.
Meu trabalho começa às 8hrs, mas desde criança meus pais me acostumaram a acordar esse horário, agora nem preciso de despertador pra fazer isso.

Se eu gosto? Posso dizer que não tenho muita escolha.
Meus pais sempre foram rígidos com a minha educação para me tornar uma pessoa produtiva... E "pessoas produtivas acordam cedo" era o que diziam pra mim.

Não reclamo de nada
Acho que isso acabou me tornando a melhor filha
Se bem que não tenho mesmo porque reclamar
Meus pais tem origem humilde, nasceram na favela. Meu pai trabalha desde criança, cresceu com os tios depois que os pais foram mortos em um tiroteio entre polícia e gangues, até onde ele me conta, seu pai foi confundido com um dois traficantes e acabou sendo espancado, minha avó tentou protegê-lo mas foi empurrada e acabou deslizando da lage, meu avô se levantou revoltado partindo para cima dos policiais que reagiram com tiros mortais.
Os policiais foram afastados mas a família do meu pai não foi indenizada pois não avia confirmação do ato.
Lembro da raiva que senti enquanto ele me contava essa história pela primeira vez, desde então senti raiva de qualquer injustiça e decidi tentar de toda a forma defender os inocentes. O que me motivou a ser advogada pública, posso dizer que sou uma das melhores.

Logo que me formei, consegui um emprego no escritório de um amigo do meu pai, mas o cara era um babaca, que só se tornou dono por causa do pai. Sair daquela empresa me deixou triste, mas meus pais me incentivaram a abri meu próprio escritório. E foi o que fiz, logo alguns dos colegas que trabalhavam no escritório do babaca se mudaram pro meu, pelo mesmo motivo pelo qual eu sai de lá.
E assim a Garcia Vernon Advogacia foi crescendo.

Escuto o despertador e arregalo os olhos.
"Quem programou isso?" - penso apertando o  botão prateado em cima do aparelho.
Sempre me pergunto isso, mesmo sabendo que eu mesma programei para me tirar das nuvens alguns minutos depois que acordo.

Cumprindo seu propósito, a tela pisca os números algumas vezes como se dissesse: "tá vendo a hora, querida? Levanta!"
Me viro e coloco as pernas pra fora da cama, procurando minhas pantufas de elefante azul.
Já calçada, me dirijo ao banheiro.
Ligo a torneira da banheira enquanto vou fazer minhas necessidades matinais
Tiro minha roupa toda, então entro na banheira, coloco uma toalha dobrada na beirada onde ponho minha cabeça.

Escuto o som de pequenas patinhas subindo no vaso, abro os olhos e vejo Raposo sentado estufando seu peito peludo, única parte com mais pelos brancos em comparação ao resto de seu pelo laranja.

  - Bom dia, Raposo - digo olhando seus olhinhos amarelos.

Ele mia duas vezes baixinho e considero isso uma resposta.
Depois de relaxar, vou para o banho de verdade, esfrego meu corpo.
Raposo se deita olhando atentamente a forma que mexo as mãos.
Ele agora está deitado me olhando de um jeito fofo.

Ele agora está deitado me olhando de um jeito fofo

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