PEDIDO DE SOCORRO

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Depois que Nanda vai embora, finalmente consigo parar pra pensar em tudo o que aconteceu noite passada.
Não quis tocar no assunto com ela esperando que ela fizesse isso, mas não o fez, então eu que não vou fazer isso.
Se ela não quis é porque não se sente segura para falar comigo.

Fiquei assustada com sua atitude repentina de me empurrar e se encolher na cabeceira da cama. Primeiro achei que tinha a machucado de alguma forma, mas logo depois, pensando no seu desespero, me pareceu que sua atitude pode ter vindo de alguma lembrança... Eu não sei, não quero ter impressões precipitadas sobre uma coisa que ainda não sei. Odeio isso.

Mas se meus pensamentos estiverem certos?

Paro no meio da sala, de repente lembrando dos machucados no corpo de Nanda
Sinto uma dor e escuto um som estranho
É minha barriga.

  - Como pode sentir fome num momento tão tenso? - pergunto olhando para minha barriga.

Bufo com essa minha atitude boba e ando em direção a cozinha.
Tiro uns pães amanhecidos do armário, pego manteiga e uma frigideira. Penso em fazer torrada mas minha fome não espera e esquento dois pães com manteiga e como com café.

Depois que faço minha barriga parar de tocar metal dentro de mim, vou para o quarto ver umas roupas para ir trabalhar. Pego minha toalha e vou para o banheiro. Sinto meu celular vibrar no bolso.
Uma mensagem de Nanda.

(Nanda): spcorro.Keni

No momento que li não entendi, mas logo pensei que parecia ser uma mensagem escrita as pressas, como o "P" fica próximo do "O" no teclado. Assim como o ponto final fica ao lado do espaço.
Uma alta dose de adrenalina toma meu corpo, aperto o celular na mão e largo a toalha no chão, corro até a porta. Abro e me atrapalho um pouco para trancar novamente. Coloco o celular e as chaves no bolso da bermuda jeans sem parar de correr. Quando guardo, aumento minha velocidade, corro mais rápido do que nunca corri.

NANDA

Um quarteirão depois da casa de Keni, meu corpo não quer mais correr. Sinto uma dor na lateral da barriga e sou obrigada a andar mais devagar para respirar.

  - Preciso fazer exercícios. Aí meu Deus, que dor - digo apertando em baixo da costela.

  - Fernanda?

Escuto uma voz atrás de mim, me viro e é Kenedy um colega de sala. Ele para a bicicleta mas não desce da sela.

  - Oi, Edy. O que tá fazendo por aqui? - pergunto sem muita intensão de prolongar essa conversa, tentando fazer minha dor parar com uma massagem.

  - Tô indo pra escola, eu sei que só vamos ter aula mais tarde, mas alguns amigos marcaram de estudar pra prova de história que dizem estar horrível - ele diz enquanto me analisa - você não quer vir?

  - Ah, não eu tenho que fazer algumas coisas em casa ainda - digo começando a andar - Bons estudos pra vocês, eu vou estudar mais em casa.

- Espera, Nanda - ele diz empurrando a bicicleta com o pé, sem pedalar para me acompanhar - deixa eu levar você em casa então.

  - Tudo bem, Edy. Já estou chegando.

  - Nanda eu sei que mora no restaurante com seu pai e faltam cinco quarteirões pra chegar - ele diz e eu paro derrotada - vamos, sobe aí.

Bufo. Não era segredo que Kenedy gostava de mim. Fiquei sabendo por umas amigas e eu não queria dar bola pra isso porque, realmente, não queria que ninguém soubesse ainda em que time eu jogo. Mas considerei uma ajuda de um amigo e subi na garupa.

Kenedy começou a pedalar e falar sobre as aulas e que tinha boas chances de passar esse ano. Seus pais estavam felizes que ele tinha deixado de ser um aluno rebelde e agora queria entrar em uma faculdade. Eu escutava o que dizia mas não prestava atenção em muita coisa. Ficava olhando para a rua da minha casa cada vez mais próxima, já pensando no que dizer se meu pai estiver acordado.

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