15 - Guerra

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Eliot e eu estávamos um tanto quanto atordoados depois de ouvir toda a historia de Arebil, mas apesar do choque de cada revelação nos olhamos com um sorriso discreto. O sentimento prevalecente era um alívio reconfortante, parecia que uma lacuna em branco havia sido preenchida com um passado distante que sempre esteve presente em nós dois. Foi como se finalmente descobríssemos quem éramos juntos ou separados e aos poucos tudo fez sentido em cada momento que compartilhamos.

- No início eu não pude ter certeza de que os esforços de Kali e Ethan tinham gerado frutos, nem tive coragem de retornar a este lugar, mas no instante que a vi pela primeira vez Samira, eu soube – Arebil compartilha nosso sorriso – Mesmo que tudo continue difícil, talvez até mais difícil que na primeira vez, nada é igual ao que era antes. As coisas continuarão a mudar até que tudo possa acontecer entre vocês dois. Vocês são mais fortes agora do que jamais foram antes e essa é sua segunda chance.

Em meu olhar tentei transmitir toda a admiração e gratidão que sentia ao ouvi-la falar de sua filha e sua historia daquela maneira. Arebil havia sofrido, mas mantinha um orgulho aceso pelos atos de Kali. Minha compaixão cresce ao me dar conta de que aquilo era apenas uma pequena parte de todo seu sofrimento já que Isaac era toda sua família agora. Infelizmente Eliot e eu éramos uns dos poucos que a viam com bons olhos. Dardan a segurou com firmeza, ofensivo o tempo todo, enquanto Isis tentava interrompe-la sendo detida por Sophia. Todos quiseram ouvir, porém, nem todos quiseram ver.

- Por que não cumpriu seu dever como guardiã e veio até nós? – Dardan a interroga, apertando novamente com força o braço da guardiã.

- Em toda a existência vazia de minha filha, nunca a vi tão feliz quanto quando conheceu aquele servidor, que antes de ser um servidor era acima de tudo um ser místico deste mundo. Ao aceitar percebi que este era o sentido da vida de Kali. Então fiz o que uma mãe deveria fazer.

Vejo cada ato de Amber refletido naquelas palavras.

- Então você não nega ser tão culpada quanto sua família inteira e esses traidores? – Lorene fez a pergunta final que condenaria Arebil.

- Não nego.

- Fui escolhida para ser esposa do guardião supremo por toda minha força, dedicação e resistência. Fui e ainda sou a guardiã mais forte deste reino e acima de tudo sempre segui todos os ensinamentos e ordens superiores. Este deveria ser o sentido de sua vida assim como o de toda sua família e todos os guardiões.

Alguns guardiões de batalha ovacionam Isis e seu exemplo de servidão junto ao guardião supremo. O rancor começa a queimar em cada parte do meu corpo.

- Uma guardiã que veio de uma família importante e sempre ocupou um espaço entre os grandes nunca teve que ouvir que não há razão para estar neste mundo. Vocês não sabem o peso e significado de suas palavras. Para o resto de nós não é assim que as coisas são. – Arebil ainda se manifesta com toda a complicação de sua idade – Você também quebrou regras Isis, violou nossa lei mais sagrada – Tenta elevar sua voz para que a maioria dos guardiões a ouvisse – Ela assassinou uma guardiã da vida e saiu impune. A vida do resto de nós nunca teve importância para ela ou outros líderes anteriormente. Kali foi eliminada sem compaixão e descartada, nós nunca mais a vimos. Por esta razão Isaac e eu tivemos que fazer o que fizemos, por Kali e Ethan. Mesmo que para os servidores não fizesse diferença, como sabemos que não faz, nós os usamos mais do que eles nos usaram.

- Aquela pergunta deveria ser feita a guardiã suprema. Por que ela não cumpriu seu dever e levou Kali e o servidor até o conselho dos guardiões? – Isaac conclui.

A guardiã suprema não escondia mais o ódio que queimava em seus olhos, sua vontade era ter matado Isaac e evitado muitos discursos de motim em meio a revelações. Parecia que ela podia ver o poder sendo tirado de suas mãos com facilidade a qualquer momento, pois os guardiões de famílias inferiores apoiavam Isaac e Arebil.

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