19 - O Anjo da Guarda

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- Resolveu me dar a honra de sua presença! – Isis me cumprimenta irônica assim que adentro sua tenda – Nenhum de seus subordinados se voluntariou?

Reviro os olhos, um tanto quanto entediada e deixo no chão, próximo a sua cama, uma cesta com sua refeição.

- Se preferir, eu posso deixa-la morrer de fome.

- Acho que prefiro morrer de fome.

- Então não coma e nos faça um favor – desafio – Acredite, eu teria dado um jeito nesta situação á muito tempo atrás se Sophia não viesse interferindo. E você não tem coragem de acabar com isso senão o teria feito anos atrás também.

Ela permanece imóvel sentada no chão. Estava suja, recusava-se a trocar regularmente de roupas se não fosse para vestir suas proteções de batalha. Sem seus trajes usuais ela não parecia tão grande quanto foi um dia, na verdade parecia diminuir conforme os anos passavam. Mas mesmo praticamente isolada e sem seus treinos durante tanto tempo, sua força vital ainda era admirável.

- Alguma novidade? Ou ainda estão achando que podem vencer esta guerra?

- Isso não lhe diz mais respeito... – dou-lhe as costas em direção a saída.

- Quantos inocentes você matou recentemente? – me afronta.

- Eu não tiro vidas – refaço meus passos, aproximando-me dela.

- Depois de ter tirado milhares? – sorri com malícia e eu vejo certa loucura em seu rosto.

- Essas mortes também estão em suas mãos. Terá que viver o resto da vida com a culpa.

- Não me arrependo – responde sem pestanejar.

- Então viva sabendo que você perdeu. Foi derrotada. Nunca teve controle nenhum sobre ninguém.

- E quanto ao seu pai?

- Ele se arrepende todas as noites quando dorme pensando em mim e Samira. Disso eu tenho certeza.

- Por que então ele ainda luta em meu nome?

- Culpa – digo simplesmente e Isis me olha confusa – Culpa que ele tem medo de admitir, pois não suportaria.

Impaciente, saio da tenda com o andar duro, deixando-a para trás com os guardiões que a vigiavam dia e noite. Cruzo metade da nossa terra nova que ocupa parte da floresta e parte da montanha. A tenda de Isis situa-se estrategicamente no meio de tudo, devido as suas inúmeras tentativas de fuga e também tentativas frustradas de resgate dos guardiões que lutam com Phil. Após tantos anos ninguém mais compreendia porque Sophia, a guardadora da terra nova, ainda insistia na tentativa de salvar sua mãe. Felizmente nosso novo reino pôde se erguer sob o comando dela, mesmo que ainda estivesse sendo construído com muita ajuda de Enzo e os outros guardiões. Era possível nos ver crescer em meio aquela guerra sem fim. Avisto Galeki e Takada, que estavam em seu turno de vigia, e aceno para ambos antes de atravessar as paredes estreitas de pedra que ligam a terra nova ao portal dos humanos. Paro em frente a redoma e os observo como de costume.

- Amber, eu acho que já está na hora de soltarmos o outro – Enzo diz assim que paro ao seu lado.

- Não tivemos nenhuma sorte com este também.

Durante o ultimo ataque fracassado dos servidores na esperança de conquistar novamente o portal resgatamos um deles que estava ferido. Como o portal era nossa prioridade na terra nova o defendíamos com nossas vidas, e meu sangue, por esta razão nenhum ataque dos servidores, por mais bem orquestrado que fosse, nunca surtiu efeito. Provavelmente se arrependem por não ter acabado com os guardiões da vida quando tiveram a chance e ainda eram fortes.

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