8 - Ameaça Constante

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- Aconteceu alguma coisa Sam?

Amber me pergunta novamente, a terceira vez aquela manhã. A primeira vez quando acordou e percebeu que eu não havia pregado os olhos e as outras duas vezes na clareira de treinamento.

- Está tudo bem, eu já disse!

- Você está estranha hoje. Sabe que pode e deve me contar tudo. E sejamos honestas, depois da sua ultima revelação o que poderia ser pior?

Ela consegue me fazer sorrir por um instante.

- Samira, você não está... o que foi que andou fazendo com aquele...?

Agora estou realmente rindo enquanto coloco outra flecha de lado e olho para minha irmã, contudo sua expressão séria me fez parar imediatamente.

- Pelos espíritos Amber, diga que é brincadeira.

- A essa altura estou achando que tudo é possível.

- Eu já lhe disse que não é nada – abaixo o tom de voz, temendo que fossemos ouvidas ou chamássemos atenção – São só algumas coisas na minha cabeça após o chamado de ontem.

- Também estou com este assunto na cabeça. Alguma coisa estava errada ontem.

Fico surpresa com a resposta e puxo Am pela mão, abrigando-nos melhor entre as arvores. Não quis esperar estar num lugar seguro para ter aquela conversa.

- Achei que tivesse sido a única a notar. Isis agiu como se tudo estivesse bem e como se tivéssemos que comemorar a vitória, mas foi fácil demais.

- Foi tarde demais. Nós duas sentimos antes mesmo que o chamado soasse pelo reino. Aqueles sugadores da natureza estavam adiantados.

- E apesar disso ainda foram facilmente derrotados. Am, um deles pediu que eu o matasse. – minha irmã uniu as sobrancelhas, estranhando o que eu havia acabado de revelar.

- Como isso pode ter acontecido?

- Deveria ter visto... o olhar dele, as palavras em nosso idioma, fracas. Não sei Amber, aquele ser que cresci aprendendo a temer, combater e detestar não parece mais tão ameaçador.

A procura de mais respostas só me traziam mais perguntas. Indagações presas em minhas mãos, fazendo-me sentir incapaz e insignificante, me enchendo de uma raiva quase inexplicável. Consequência de minhas frustrações. Minha conversa com Am é interrompida quando Sophia nos encontra.

- O que fazem aqui praticamente escondidas? – ela pergunta sorrindo.

Troco olhares com minha irmã, a procura de uma resposta rápida.

- Nós estávamos falando sobre a batalha de ontem. O que achou da grande vitória? – Am pergunta receosa, mas Sophia parece alheia ao responder.

- Na verdade achei que nós os derrotamos facilmente, me pareceram bem mais fracos do que em algumas batalhas anteriores.

Me surpreendo pela segunda vez, mal podendo esconder isso em minha expressão.

- Achamos que poderíamos estar erradas, ninguém mais disse nada – confesso.

- Acho que todos notaram – Sophia agora estava tão séria e interrogativa quanto nós – Falei com minha mãe a respeito, mas ela disse que esta é a consequência de todos os anos de luta dos guardiões da vida e que não devemos nos alarmar. Estamos prestes a derrotar de uma vez por todas os sugadores da natureza, e não levou o assunto adiante para não preocupar a todos sem motivos.

Aquilo não me parecia certo, eu poderia ver claramente como aconteceu á conversa entre mãe e filha, com Isis querendo encerrar logo o assunto para que ninguém achasse que ela falhou de alguma maneira.

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