5 - Inimigos e Aliados

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- Ela nunca faria isso – Phil pedia calmo e extremamente educado – Estou preocupado e peço que considere uma busca pelo paradeiro de minha filha – mostrou toda sua obediência no pedido.

- Com base no que Amber disse, seria impossível ninguém ter avistado Samira em meio ao chamado. Mais impossível ainda seria ela não ter ouvido – a guardiã suprema dissertava duramente – A ultima coisa que irei considerar é uma busca por ela.

Eu estava apoiada nas paredes de madeira da minha casa ouvindo toda a discussão nada sigilosa que ocorria lá dentro. Em meio aos gritos pude ouvir também o choro preocupado de Am. Fechei os olhos e comecei a pensar nas possibilidades que tinha em mãos. Como resolver algo assim rapidamente sem colocar Eliot em perigo, eu sob suspeita ou magoar minha irmã? Com certeza teria que ser alguma medida drástica para reparar um erro imperdoável. Me odiei todo o momento em que ponderava uma solução, meu tempo estava se esgotando. Cerrei meus punhos determinada ao perceber minha única alternativa.

- Sabe que não tem outro caminho a não ser este. – sussurrei para mim mesma.

Procurei uma arvore um pouco mais afastada de minha casa, segurei com força a barra de meu vestido, puxando em seguida rasgo-o. Repeti o processo e fiz o mesmo com as mangas e outras partes do tecido fino que me envolvia, quando julguei suficiente comecei a escalar a arvore. Á medida que ficava mais distante do chão mais minha coragem crescia, pelo menos era o que me obrigava a fazer. Minha mente ecoava o barulho do vento e eu senti como se estivesse vivendo um momento possível somente em minha imaginação, nada era o que realmente deveria ser mas era verdade. Senti o vento em meu rosto antes de soltar os braços e cair entre os galhos ásperos e pontiagudos. Pude sentir todos os cortes e arranhões onde minha pele estava desprotegida e esperei até sentir a forte pancada ao finalmente atingir o chão.

A dor latejante fez-se presente de imediato. Quando tentei levantar minha cabeça deu mil voltas em meio milésimo de segundos, a vertigem causou enjoo. Tive que lutar para manter controle sobre meu corpo, buscando a força interior e compelindo-a a ir até o limite. Me pus de pé com dificuldade e cambaleando contornei a casa, naquela altura eu não pensava com nenhuma clareza. Levei uma mão a cabeça, suportando a dor que aumentava cada vez mais. Empurrei bruscamente a porta e deixei-me cair na presença de todos que se encontravam ali naquela sala.

- Samira? – a voz de Phil estava distante.

Pude sentir seus braços me envolvendo cuidadosamente antes de me render a cada dor pulsante que causei a mim mesma.

***

Virei o rosto para afastar a súbita claridade que chegou aos meus olhos ainda fechados. O silêncio tranquilizador preenchia o lugar e eu despertei vagarosamente.

- Am – perguntei baixo – Onde estamos?

- Estamos no alojamento do velho Dardan – responde prontamente, um tanto aliviada – Onde você estava com a cabeça?

No segundo seguinte ela já estava pronta para me dar um sermão, contudo neste caso eu realmente merecia. A diferença é que Amber não poderia sequer imaginar onde estava minha cabeça, e eu não tinha a menor habilidade de mentir para ela. Sentei-me na cama.

- Estou bem agora, não há necessidade de ficar assim – desconverso.

- Agora mais do que nunca há necessidade de ficar assim – se aproxima de minha cama.

- Amber eu acabei de acordar, mal tive tempo de ver exatamente nada ao meu redor e você já está me sufocando com sua superproteção desesperada – falo calmamente – Chame Isis, Sophia e Phil que eu darei minha explicação a todos vocês.

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