16 - Sacrifício

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Servidores continuavam se aproximando, nos atacando como borrões. Era quase impossível acompanhar seus movimentos com o olhar. Precisávamos sentir a presença de seus golpes pesados e sua atrocidade para então nos defendermos. Uma vez detectados era possível fazer com que perdessem sua velocidade durante a luta, assim tínhamos uma chance.

Eram muitos deles e a colina já estava repleta de corpos pelo chão, em sua maioria de guardiões inocentes. Ficava cada vez mais difícil se locomover, permanecer juntos e proteger Eliot e Amber. Quando mais um grupo de guardiões de batalha nos atacou avistei Enzo logo atrás. Ele dava assistência a Lena que estava ferida mais uma vez, lutando com dois servidores. Lena mantinha a avidez mais já apresentava sinais de cansaço, seus movimentos eram lentos e sua mente não tinha força suficiente para mantê-los afastados por muito tempo. Somente quando Enzo lutou ao seu lado é que ela teve chances para escapar de ser encurralada e lutar até a morte. Com sua força e calma ele conseguiu derrotar os servidores praticamente sozinho, quando se virou para ajudar Lena a se reerguer ela já havia lhe dado ás costas.

- Enzo! – avanço em sua direção ao lado de Eliot.

Amber e Cássio correram em nosso encalço assim que derrubaram os guardiões. Ao alcança-lo, Eliot e eu golpeamos os servidores que estavam prestes a atingir Enzo pelas costas.

- Obrigado – diz, voltando a ficar atento.

- Os guardiões não terão chances. Seu reino será dizimado se não recuarem – Eliot coloca-se novamente a minha frente.

- Isis não irá parar agora – Enzo garante.

Uma lança errante é jogada em nossa direção por um servidor que atacava um dos guardiões cultivadores. Cássio seria gravemente ferido, mas protege-se a tempo pegando a lança no ar e quebrando-a com um golpe.

- Ela quer chegar a nós. Mais do que destruir os servidores ela quer nos destruir – Amber afasta com sua espada guardiões que fazem menção de atacar.

- Se morrermos nesta batalha pelas mãos dos servidores será vantagem para ela – diz Cássio.

- Ela não sabe que você não está do lado dos guardiões de batalha, pode se salvar – afirmo a ele.

- Há um preço muito alto por essa salvação. Um preço que não estou disposto a pagar – em sua expressão suas razões são límpidas e evidentes – Sei que meu irmão não estaria também.

Respondo com um breve aceno de cabeça ao lembrar-me de Lucas. Cássio também tinha pelo o que lutar.

- Não podemos deixar que Isis encontre vocês dois – Amber grita para Eliot, que concorda.

Não muito longe dali podemos ouvir comandos da guardiã suprema. Ela ordenava que os guardiões de batalha avançassem e matassem todo e qualquer inimigo do reino, principalmente guardiões traidores. Supus que qualquer guardião que se opôs as ordens de Isis seria considerado traidor também. Phil provavelmente estava lutando ao lado dela.

- Eliot, o reino está acabado – sinto um pesar profundo. O conflito entre razões e sentimentos dentro de mim me choca quando olho ao redor mais uma vez. Eu sou uma guardiã e meu único lar estava prestes a desaparecer com cada vida tirada que fazia parte daquele reino.

- Ainda não. Permaneça por perto e tudo ficará bem Sam – Eliot mantém a espada em guarda contra outro servidor.

Fui tomada por um terror perigoso enquanto me escondia atrás dele. Desde pequena tive treinamentos para me manter fria e alerta durante todas as batalhas, porém, nunca fui treinada para ver tantos inocentes caindo ao meu redor. Com as coisas completamente fora de qualquer controle eu começo a ter dúvidas se seríamos ou não capazes de terminar com tudo aquilo. Era possível que Eliot e eu não conseguíssemos fazer com que as coisas dessem certo pela segunda vez.

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