Amor que cura

By _Little_blue_rose_

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"Um dia alguém vai chegar, o amor que cura Me abraçar e me segurar, só não me segura Me mostrar que ainda val... More

Elenco + avisos
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Capítulo 38
Capítulo 39
Capítulo 40
Capítulo 41
Capítulo 42
Capítulo 43
Capítulo 44
Capítulo 45
Capítulo 46
Capítulo 47
Capítulo 48
Capítulo 49
Capítulo 50
Capítulo 51
Capítulo 52
Capítulo 53
Capítulo 54
Capítulo 55
Capítulo 56
Capítulo 57
Capítulo 58
Capitolo 59
Capítulo 60
Epílogo

Capítulo 21

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By _Little_blue_rose_

Juan de Oliveira Cardoso.

19 de julho — 08:13
Quarta-feira.

Acordei com som de tampas de panela em meu ouvido, sentei no sofá assustada e as quatro na minha frente riam e cantavam parabéns. Cocei os olhos tentando me localizar e lembrar por que disso tudo.

— Feliz aniversário, Juju! — Julia me abraçou apertado. Retribuí beijando sua cabeça.

— Obrigado, princesa. — Sorri ainda sonolento. Senti minhas gêmeas entraram no abraço e eu fiz o mesmo com elas.

— Parabéns, Juju. — Desejaram. Agradeci recebendo também o abraço da minha mãe.

— Feliz aniversário, meu amor, que Deus te abençoe sempre, filho. Amo você. — Beijou minha cabeça.

— Amém, mãe, também amo a senhora. — Sorri. — Que susto, esqueci até que era meu aniversário. — As quatro riram.

— Tem bolinho, Juju. — Julia apontou para mesa, tinha um bolo daqueles de padaria.

— Que delícia, princesa. — Sorri. — Vou no banheiro rapidinho e já venho, beleza? — Elas concordaram.

   As meninas sentaram no sofá ao lado, fui no banheiro rapidinho e quando voltei minha mãe tinha arrumado a mesa agora também com pão, manteiga, presunto e o café.

— É formigueiro igual você gosta. — Bia falou.

— Gosto mesmo. — Me sentei com elas.

— Agora o parabéns. — Minha mãe colocou um fósforo no bolo. Eu ri.

   Ela acendeu o fósforo e começaram a cantar parabéns, eu estou feliz por estar com elas, não me importo de terem me acordado, sei que minha mãe gosta de falar com a gente antes de trabalhar, de dar parabéns e abençoar como todos os anos. Eu apaguei a "vela" e minha mãe orou, cortei o primeiro pedaço de bolo e as gêmeas sorriam vendo a Julinha ansiosa para comer o bolo.

— Eu acho que esse ano o primeiro pedaço deveria ser meu. — Bruna apoiou o rosto nas mãos.

— Que mentira, deveria ser meu. — Beatriz falou a olhando.

— Eu acho que deveria ser para mim, afinal, eu sou a mãe de vocês. — Minha mãe falou dando de ombros.

— Hum... estou confuso para quem dar o primeiro pedaço. — Fingi pensar. — Vou dar para a Julinha. — Sorri estendendo o prato em sua direção

— Eu? — Arregalou os olhinhos. — Obigada, Juju. — Ela correu para me abraçar. A peguei em meus braços e a apertei, enchendo de beijos.

— De nada, meu amor. — Beijei sua cabeça. Ela voltou para a cadeira, já comendo um pedaço do bolo. — Está gostoso, vida? — Julia concordou. Sorri cortando os outros pedaços e os entreguei para as meninas e minha mãe. — Pronto, agora podemos comer senão dona Teresa vai se atrasar. — Peguei o meu.

— Tenho um tempinho ainda. — Colocou café para nós. — Vai que horas para a casa da Isa, filho? Queria saber se daria para vir almoçar com você ou não.

— Combinei com ela quatro e meia, mãe, da tempo da senhora vir sim. — Falei. — Vou comprar um frango assado para poupar tempo, não estou a fim de ficar na cozinha hoje.

— Eu amo frango assado. — Bia me olhou rápido. — Pode tentar comprar o salpicão? — Concordei vendo ela comemorar.

    Nós tomamos café com as meninas falando pra caraca, estavam animadas. Ambas não tinham aula e as gêmeas combinaram de levar a Julia na praça mais tarde, pensa na animação da garota. Minha mãe foi trabalhar e eu arrumei a bagunça do café da manhã com a ajuda delas, Beatriz estava ensinando a Julia a lavar louça, a menina estava amando, quero ver quando isso virar uma obrigação.

Vai odiar.

— Juju, a gente fez isso para você, não estávamos com dinheiro para um presente melhor. — As gêmeas me deram uma caixinha branca. Abri a mesma e sorri vendo brownie e brigadeiro, elas sabem que eu amo essas duas coisas.

— Obrigado, princesas. — As trouxe para meu colo, as abraçando apertado. — Amei o presente, acertaram em cheio. — Beijei o rosto de cada uma.

— Esses brigadeiros maiores tem uva no meio. — Bia falou. Peguei um comendo e suspirei sentindo o sabor.

— Caraca, vocês arrasam. — Fiz toque com as duas. — Querem? — Ofereci para elas. As gêmeas dividiram um do de uva e a Juju quis a metade do meu.

— Gostoso. — Julinha pegou mais um. Eu ri vendo ela sentar no tapete sujando o rosto inteiro.

— Só não deixa a mãe saber que deixei você comer doce de manhã. — Pisquei para ela que sorriu concordando.

    Comi os doces tudinho agora com elas, eu sou oito ou oitenta, tem dia que eu não quero comer doce nenhum, e tem uns como hoje que eu quero comer toda hora. Me joguei no sofá pegando o celular, respondi todas as mensagens e sorri ao ver uma foto do Samuca com um embrulho de presente.

(Foto)

(Áudio: Bom dia, gibi preferido! Feliz
aniversário, Samuca está ansioso
para saber se vai gostar, ele que
escolheu, não é, filho?)

    Sorri com os gritinhos do Samuel no fundo, respondi em áudio também e me levantei para tomar um banho, caso contrário ficaria jogado nesse sofá o dia todo.

Isadora Fonseca Diniz.

15:56

— Vou deixar o pudim aqui, tá, tia? — Entrei na cozinha, ela estava com o Samuel no colo enquanto descascava laranja.

   Decidi já trazer para a casa dos meus tios para eles levarem quando for para a casa do Juan, não daria certo levar isso depois. Outro ponto importante também é que eles vão levar o Samuca antes com a desculpa de levar ele no shopping, tenho certeza que Juan vai vir de moto e voltar com ela, não tem condições de levar um bebê em uma moto. 

— Pode colocar, minha filha, já abri espaço aí. — Agradeci abrindo a geladeira, coloquei o pudim no lugar e fechei a porta. — Está tudo certinho já?

— Sim, Bruna vai ligar dizendo que a Bia está trancada no quarto e não quer abrir. — Minha tia riu negando.

— Tadinho, o menino vai pirar. — Concordei olhando a hora no relógio  — Já falei com o seu primo, se eu souber que ele abriu o bocão, vou dar uma moca nele. Por sorte Juan não está mais trabalhando lá, tenho certeza que falaria durante o dia.

— Disso eu não tenho dúvidas. — Sorri divertida. — Vamos para casa, meu amor? Tomar um banho para esperar o tio Juan? — Dei um beijo no braço gordinho do Samuca, ele sorriu se jogando para o meu colo.

— Seu tio vai buscar ele às seis, ok?

— Tá bom. Vou lá, tia, até mais tarde. — Beijei o rosto dela.

— Tchau, meus amores. — Sorriu.

    Sai da casa dos meus tios e caminhei até a minha brincando com o Samuel, entrei e fui logo dar um banho nele. Demorei mais do que imaginei, Samuel se animou com a espuma na banheira então fiquei brincando com ele, o enrolei na toalha e saí do banheiro na mesa hora que um barulho de moto parou no portão, a moto do Juan.

— Caramba, filho, demoramos demais. — Olhei as horas no celular, quatro e trinta e seis já.

   Peguei a chave do cadeado do portão e andei até lá fora com o Samuel no meu colo mesmo, estava me molhando inteiro mas nada além do que eu já estava. O banho é sempre uma aventura.

— Cheguei na hora do banho. — Juan sorriu. Ele estava lindo com uma roupa inteira preta, o chinelo da havaiana branco e uma mochila nas costas. Ele estava de braços cruzados, o que marcava ainda mais seus braço e as tatuagens.

— Estamos nos preparando para ir no shopping com o vovô e a vovó. — Dei um selinho nele. Abri o portão e Juan colocou a moto para dentro.

— Passeio no shopping? — Deu um cheiro no Samuel. Meu bebê riu com o capuz da toalha caindo em seu rostinho.

— Meus tios vão levar ele naquele brinquedo do shopping, algo me diz que eles vão usar meu filho para brincar. — Brinquei fazendo o Juan rir.

— Eu super faria isso. — Deu de ombros.

— Vou trocar ele rapidinho e já trago seu presente. — Sorri. Ele concordou se apoiando na mesa.

   Fui para o quarto do Samuel, coloquei apenas a fralda e uma bermudinha nele. Peguei o embrulho encima da minha cama e voltei para a sala, Samuel se agitou para ir até o Juan, o mesmo pegou meu neném lhe dando um beijo na cabeça.

— Da para o Juan, filho. — Entreguei para o Samuel, o mesmo levou até a boca nos fazendo rir. — Na boca não, Samuca, para o Juan. — Entendi sua mãozinha na direção do Juan. — Feliz aniversário. — Afinei a voz fazendo ele rir.

— Obrigado, carinha. — Sorriu. Me sentei pegando o Samuel no colo, Juan abriu o presente e sorriu vendo a calça preta. Lembrei que ele falou que estava precisando então comprei. — Caraca, baixinha, bonitona, valeu mesmo. — Nos abraçou, distribuindo beijos por nós dois.

— O Samuca que escolheu essa, a outra tinha um detalhe no bolso mas ele agarrou essa e não quis largar. — Sorri.

— Essa é linda, obrigado. — Me deu um beijo rápido. — Tu tem um bom gosto para roupa, pivete. — Dei um beijo no Samuel.

[...]
18:11

— Juan...— Gargalhei me contorcendo na cama. Juan fazia cosquinha em mim porquê eu não quis tirar uma foto.

— Vai tirar uma foto comigo sim, euem, é meu aniversário. — Deu uma mordida fraca no meu braço.

— Mas olha como eu estou, vai ficar feia. — Fiz um bico o olhando.

— Está linda, a foto vai ficar perfeita. — Segurou meu rosto, distribuindo beijos por todo ele até chegar em meus lábios. Sorri retribuindo o beijo e terminamos com dois selinhos. — Só uma, por favorzinho.

— Só uma. — Gesticulei. Ele concordou animada. Juan tirou a foto que tanto queria e sorriu postando nos status. — Que horas vai querer sair para jantar? — Perguntei me fazendo.

— Já pode se arrumar, baixinha, daqui a pouco a gente saí. — Concordei dando um cheiro nele e me levantei. Senti suas mãos abaixarem meu short do pijama que havia subido e eu ri procurando uma roupa no armário.

   Minha tia já buscou o Samuca e falou que estavam indo para a casa do Juan, Bruna está apenas esperando uma mensagem minha para chamar o Juan.

— Qual dessas? — Peguei um macaquinho e um conjunto de short e regata. Juan sentou na cama analisando as duas roupas e apontou para o macaquinho. — Ok. — Joguei sobre a cama.

   Peguei uma lingerie deixando junto, fui até o banheiro, tomei meu banho e saí do banheiro dando de cara com o Juan, ele estava sem camisa e com sua toalha nos ombros.

— Estou vendo a baba escorrer.— Fingiu limpar o canto da minha boca. Eu sorri debochada.

— Eu poderia jurar que estava vendo no canto da sua boca também. — Juan sorriu maroto, abraçando minha cintura. Senti suas mãos apertarem a mesma e suspirei engolindo a seco.

— Não preciso fazer muita coisa para ficar assim, não é, baixinha? — Beijou meu pescoço.

— E como um bom canalha sabe o meu ponto fraco. — Juntei todas as minhas forças para o afastar, Juan riu entrando para o banheiro e eu neguei. — Vai me deixar maluca. — Murmurei indo para o quarto.

    Me vesti enquanto Juan tomava banho, penteei meu cabelo e ele entrou no quarto só de cueca branca enquanto secava o cabelo, engoli a seco fingindo não ver. Pelo espelho conseguia perceber o sorriso sarcástico de Juan enquanto se vestia.

— Tem creme de cabelo aí? — Perguntou passando um dos meus perfumes.

— Tem lá no banheiro, no armário. — Ele concordou indo pegar.

   Passei uma chapinha apenas na parte da frente para arrumar, fiz uma maquiagem e coloquei meus acessórios, no pé calcei minha papete e arrumei a bolsa. Juan estava sentado na cama mexendo no celular, peguei o meu e mandei uma mensagem para a Bruna avisando.

— Vamos? — Me coloquei no meio de suas pernas, abraçando seu pescoço. Juan concordou dando um cheiro em meu pescoço.

— Cheirosa pra caraca. — Sorri sentindo meu rosto corar.

    Juan colocou minha bolsa nos ombros dele, fechei a casa com sua ajuda e eu estava abrindo o portão quando o celular dele tocou. O mesmo deixou o capacete sobre a moto e atendeu.

— Oi, Bru...como assim está trancada no quarto? O que aconteceu? — Sua voz se tornou preocupada. Me deu uma pontinha de culpa de vê-lo assim, me aproximei fingindo confusão e ele me olhou respirando fundo. — Beleza, Bruna, eu estou indo para casa, tenta fazer ela abrir a porta até eu chegar...tchau.

— O que houve? — Perguntei. Juan passou a mão no rosto, coçando a barba em seguida.

— Parece que um grupinho chegou provocando a Bia na praça mais cedo, ela chegou em casa e se trancou no quarto, não quer abrir para ninguém. Minha mãe está preocupada e pediu para eu ir lá tentar falar com ela.

— O que será que falaram para ela?

— Não sei. Desculpa, baixinha, mas vou ter que resolver isso primeiro. — Me olhou. Eu neguei segurando o rosto dele.

— Está tudo bem, nós vamos lá e tentamos resolver isso, podemos até trazer ela para se distrair um pouco, o que acha? — Ele sorriu um pouco melhor, beijando meus lábios.

    Juan colocou a moto para fora, eu fechei o portão e ele me ajudou a subir na moto. Segurei em sua cintura sentindo o vento gelado em minhas pernas, Juan foi voando para casa com essa velocidade toda. Assim que chegamos, segurei o riso vendo a cabeça da Bruna no muro, ela fez um joinha enquanto o Juan desligava a moto e correu para dentro.

— Vem, baixinha. — Juan me tirou da moto, eu sorri agradecendo e ele entrou já chamando pela mãe.

   Assim que ele abriu a porta, todos começaram a gritar, meu tio e Tutu estouraram os bastões de confete. Eu ri abraçando a cintura do Juan, o mesmo ainda parecia não ter entendi o que estava acontecendo.

— Surpresa!

— O que...mas...— Olhou para a Bia.

— Foi ideia do Heitor. — Apontou para o meu primo, que riu recebendo um pescotapa do Juan.

— Ai cara, era brincadeira. — Resmungou alisando o lugar.

    Um canto da sala estava decorado, era simples mas tão lindo. Tinha balões azuis e brancos na parede, um parabéns em Eva no meio, a mesa movida de lugar tinha uma toalha de renda branca com o bolo de chocolate encima, os docinhos das meninas estavam ao redor.

— Parabéns, meu amor, fizemos com todo carinho. — Dona Teresa abraçou o filho. Me afastei indo até meu pequeno para deixar os dois terem o momento deles.

— Sentiu saudade, filho? — Enchi meu amor de beijos. Samuel sorriu apertando meu rosto. — A mamãe também sentiu, amor. — Sorri. — Ele se comportou, tia?

— Ficou tranquilo, filha, brincou o tempo todo com a Julinha. — Tia Kiara sorriu.

   Juan estava animado depois que o susto passou, ele abraçou todos e agradeceu, quando chegou em mim, o mesmo me abraçou, enchendo eu e o Samuel de beijos. Eu ri abraçando sua cintura com o braço livre.

— Quer dizer que vocês dois já sabiam disso? — Me olhou. Seus olhos escuros brilhavam assim como seu sorriso.

— Sim, fiquei com a missão de distrair você. — Dei de ombros.

— Fez direitinho. — Riu me beijando. Nos separamos com a mãozinha do Samuel empurrando nossos rostos. — Qual foi, carinha? Não posso beijar sua mãe mais? — Juan fingiu morder o Samuel, que gargalhou se jogando para o colo dele. Todos ao redor riram e eu sorri vendo meu filho feliz, é tudo que eu mais quero na vida.

— Vamos tirar as fotos, filho? Assim podemos jantar e aproveitar. — Dona Teresa perguntou, Juan concordou arrumando o Samuel em seu colo.

  Como Samuca já estava com ele fizeram nós dois começarmos as fotos, Janaína fazia várias dancinhas para fazer o Samuel rir e conseguiu, as fotos ficaram lindas. Me sentei no sofá amamentando o Samuel enquanto os outros tiravam foto, Tutu colocou uma música baixinha e se sentou com a Jana no colo.

— Meu filho, pega lá um refrigerante para a sua mãe, por favor. — Minha avó empurrou os braços do meu tio enquanto se sentava ao lado do casal em minha frente.

— E a senhora pode tomar refrigerante o tempo todo, mamãe? — Tio Henrique pôs os braços na cintura. Minha avó o encarou com a sobrancelha arqueada.

— Por acaso está me chamando de velha, Henrique? Eu tenho cara de ter problemas de saúde para não poder beber um refrigerante? Oras, vá buscar logo...onde já se viu. — Negou batendo com uma almofada nele. Todos nós rimos enquanto meu tio buscava o refrigerante.

— Dona Chica colocando moral. — Bruna riu puxando uma cadeira para o meu lado.

— É assim que tem que ser, menina, os homens de hoje em dia acham que tem moral para contestar. — Negou, agradecendo quando meu tio trouxe o refrigerante para ela.

— Está certa, dona Francisca, é assim que funciona mesmo. — Janaína riu dando um beijo no Heitor.

— Está ruim para o seu lado, cara. — Juan riu se colocando ao meu lado, seu braço passou ao redor do meu corpo, me trazendo para seu peito.

— Para o seu também, filho, ou esqueceu que agora está com alguém. — Dona Teresa piscou para mim, eu ri olhando para o Juan.

— Iiih, foi chamado na responsabilidade. — Meu primo colocou pilha.

— Não sou maluco de contestar essa mulher. — Sorriu me dando um cheiro. Eu corei sentindo o olhar de todos sobre nós, as mais velhas sorriam bobas.

— É por isso que eu sempre apoiei você com essa menina, meu filho, sempre falei que você era um menino direito, trabalhar...

   E lá se foi minha avó dando trezentos elogios para o Juan, o homem ao meu lado ficou se sentindo, a todo momento bajulava a mulher em nossa frente que não média esforços para falar mais dele.

   O jantar foi servido e o escondidinho da dona Teresa estava uma delícia, simplesmente um dos melhores que eu já comi. Juan se acabou, ele estava tão feliz, não parava de sorrir e rir com todos, eu não estava diferente. Samuel acabou dormindo durante o jantar, o coloquei no carrinho e me levantei para ajudar a dona Janaína e minha tia com as sobremesas.

    Minha tia fez um bombom de travessa e minha avó fez pavê, parecia natal mas eu não estava reclamando, amo comer doce, principalmente essas sobremesas.

— Tem algum lugar para desenformar esse pudim, dona Teresa? Esqueci de entregar para a minha tia mais cedo. — Perguntei esquentando um pouco o fundo da forma no fogão.

— Tem, meu amor, só um minuto. — Ela falou indo até o armário, a mesma pegou uma travessa redonda e me entregou. — Essa serve?

— Serve, obrigada. — Agradeci virando o pudim, dei umas batidinhas já sentindo ele soltar e sorri animada ao ver quão lindo ficou. — Arrasei.

— Ficou lindo mesmo, parabéns. — Jana fez um toque comigo.

— Parece que está lisinho do jeito que eu gosto. — Bia se apoiou do meu lado, encarando o pudim.

— E tem diferença? Para mim é tudo igual, tem o mesmo sabor. — Bruna perguntou confusa.

— Eu nunca percebi diferença, minha mãe sempre falou que tinha e que o certo era não ter. — Tia Kiara falou pegando os pratos descartáveis de sobremesa.

— Acredita que minha avó falava o contrário? Acho que não existe forma certa de fazer pudim, contanto que não fique com gosto e nem cheiro de ovo. — Dona Teresa deu de ombros.

— Não consigo comer pudim com cheio e gosto de ovo, me dá nojo. — Fiz uma careta imaginando.

— Nem eu. — Jana negou.

— Mamãe, já podemos comer os doces? — Julinha abraçou as pernas da mãe.

— Já vamos servir, filha, aí você come, tá bom? — Julia concordou animada.

   Colocamos os doces na bancada da cozinha, chamamos a todos e nós servimos, eu peguei um pouco de cada, confesso.

— Minha mãe falou que você quem fez o pudim. — Juan sentou ao meu lado novamente, me puxando para o seu colo.

— Hoje de manhã. — Comi o olhando.

— Valeu por isso, baixinha, está uma delícia. — Me deu um selinho.

— Caraca, Dorinha, arrasou nesse pudim. — Meu primo falou se jogando no sofá. Seus olhos estavam arregalados, o que me fez rir.

— Valeu, tutu.

    Nós aproveitamos a noite de uma forma incrível, Julinha ficou com sono por volta das onze da noite, dona Teresa foi a colocar para dormir. Meus tios e minha avó também foram embora e levaram o Samuca, o pegaria na volta para casa, ficou apenas nós seis na sala.

— Vai ficar sentada, baixinha? Assim não vale, pô. — Juan me puxou colando nossos corpos, estava tocando um pagode. As gêmeas riam de algo no celular, meu primo e Jana se beijando.

— Eu não sei dançar pagode. — Murmurei o olhando.

— Acha que eu sei? Vamos ficar só agarradinhos assim. — Me deu um cheiro. Sorri deixando ele conduzir nossos corpos. — Estou feliz pra caraca com você, baixinha. — Sussurrou olhando eu meus olhos. Senti meu coração errar uma batida com suas palavras.

    Juan era muito além do que se quer um dia imaginei que existiria, depois de tanta dor, nunca pensei que encontraria alguém que me fizesse sentir tudo o que estou sentindo, o que estou vivendo, é algo surreal, como um sonho que não quero acordar nunca.

— Eu também estou. — Sorri beijando seus lábios. Nos afastamos com a falta de ar.

   Ficamos um tempo assim, sentindo o calor um do outro, dançando e rindo das palhaçadas do meu primo. Era próximo de meia noite e meia, já estavam todos cansados. Ajudamos o Juan a colocar tudo no lugar mesmo ele reclamando, eu juntei todos os confetes com a vassoura e amarrei a sacola.

— Ontem tem uma lixeira, Juan? — Pegeuntei me aproximando do mesmo que lavava a louça.

— Aqui no quintal da frente da casa tem, perto do portão. — Concordei.

   Caminhei para fora sentindo o vento gelado bater em meu corpo, caminhei até o portão abrindo a lixeira com os pés e joguei sacola dentro. No mesmo momento me senti mal, parecia que alguém me observava, olhei ao redor pelos buraquinhos que tinha de enfeitei no muro mas não havia ninguém. Apressei meus passos em direção a porta novamente e me assustei com a Janaína na porta.

— O que foi? — Perguntou estranhando.

— Nada, parecia ter alguém me olhando mas não tinha ninguém, acho que é por estar tudo deserto, você sabe que tenho medo.

— Vem logo, já está tarde. — Me levou para dentro.

— Obrigada por toda a ajuda, crianças, é sempre um prazer ter vocês aqui. — Dona Teresa sorriu abraçando cada um de nós.

— Que isso, tia, a senhora pode contar com a gente sempre. — Heitor a abraçou. — Aniversário da Julinha estamos aqui de novo. — Dona Teresa sorriu concordando.

    Nos despedindo dela e das gêmeas, meu primo foi na frente com a Jana e eu esperei o Juan para me levar, o mesmo insistiu mesmo eu falando que não precisava, Heitor disse que iria devagar para me acompanhar.

— Vamos? — Chegou com um moletom nas mãos, sorri ao ver ele passar o mesmo pela minha cabeça e braços. — Está frio, vai pegar um resfriado na moto. — Ajeitou o moletom em meu corpo.

— Obrigada, mas onde está o seu?

— Sou treinado já, pô, pego resfriado não. — Se gabou, eu ri concordando.

    Nós sumimos na moto, deitei minha cabeça em suas costas e o abracei, rapidinho chegamos na casa dos meus tios, eu peguei o Samuca e Juan veio empurrando a moto até minha casa.

— Entregues. — Se apoiou na moto.

— Obrigada por nos trazer. — Sorri. — Seu presente ficou aqui. — Falei me lembrando, afinal, ele ia passar aqui ainda depois que "voltássemos da praça".

— Ih é, nem lembrava. — Falou. Nós entramos, coloquei o Samuca deitadinho na cama e peguei o presente do Juan que estava na mesa de cabeceira. — Valeu, baixinha. — Abraçou minha cintura.

— Vai com cuidado e avisa quando chegar em casa. — Abracei seu pescoço.

— Pode deixar. — Beijou meus lábios. — Boa noite, gatinha.

— Boa noite. — Sorri.

   O levei até portão e ele só foi embora quando eu mandei mensagem avisando que estava dentro de casa e com as portas trancadas. Pude ouvir o barulho da moto se afastar e sorri feito boba caminhando até o quarto, coloquei meu pijama, tirei a maquiagem e hidratei meu rosto, voltei a colocar o moletom do Juan pois queria dormir sentindo seu cheiro. Deitei ao lado do Samuel e o abracei me entregando para o sono somente após ter a confirmação de que Juan estava bem.

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