Capítulo Um - Três Décimos

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— Eu vou matar você — ameaça Harry apontando um dedo na direção dele —, e nem irei me esforçar para que não descubram, primeiro porque não existe crime perfeito; segundo porque você não vale tanto esforço e terceiro... — os olhos azuis dele cintilam enquanto passa a língua pelo lábio inferior — e terceiro — repete Harry —, porque eu viverei tranquilamente sabendo que matei você, mesmo que isso signifique passar uns bons anos na cadeia.

Louis Tomlinson ri e passa o dedão pelo lábio que acabou de lamber, debochando da ameaça iminente de Harry, o qual cerra os punhos, prestes a reforçar o que disse socando a cara dele, mas é interrompido quando Louis diz:

— Oh, Harry, eu sei que estar apaixonado por alguém é doloso na maior parte do tempo, mas um dia você irá superar — ele ajeita sua mochila nos ombros e passa por Harry, saindo do lugar onde fora encurralado entre Harry e a parede —, e quando este dia chegar, pode se juntar ao meu fã-clube.

A última parte ele diz quando está a uma distância segura de Harry. Bom para ele, caso contrário Harry o derrubaria no chão.

— Patife — xinga, mas o som sai como um sussurro, pois seus dentes mal se abrem de tão forte que Harry os aperta.

— Até logo, amor — despede-se Louis, alheio à ofensa.

Harry o odeio um pouquinho mais por causa disso.

[...]

— Ora, ora, ora, vejam só, Harry Styles pegando livros na biblioteca antes das férias. — Louis vai se aproximando pelo corredor. Harry se recusa a olhar para ele, entretanto, é impossível bloquear o som dos tênis se arrastando em sua direção. — Mas pensando bem, se você quer ter alguma mísera chance em ficar em primeiro lugar ano que vem, recomendo que pegue o máximo de livros que puder.

Harry fecha o livro que estava segurando com força, respira fundo e se vira para Louis Tomlinson.

— Pensei que meu aviso tinha sido claro.

— A ameaça no corredor? — Pergunta Louis se apoiando de costas na estante, seu braço encosta no de Harry. — Para ser completamente honesto — começa ele se inclinando para perto, tombando a cabeça em direção a Harry —, aquilo tudo me excitou um pouco, fiquei imaginando toda aquela fúria na cama.

— Além de tudo, um depravado — comenta Harry com um gesto de cabeça, demonstrando como aquilo é uma mais uma decepção sobre a personalidade dele.

— Eu não diria isso no seu lugar — responde ele, inabalado.

Sempre inabalado no exterior.

Provavelmente ele está mentindo sobre a parte de sentir tesão em ameaças de mortes, mas como Harry jamais poderá ter certeza, ele decide pensar que Louis Tomlinson o teme.

— Sabe por quê? — Questiona ao perceber que Harry não irá responder. — Pois eu sei que você sente o mesmo.

O que ocorre em seguida é o principal motivo pelo qual Harry declarou guerra contra Louis William Tomlinson.

O cretino se aproveita do segundo em que Harry está distraído pensando em uma reposta e o beija.

Não é a primeira vez que eles encostam os lábios com o intuito de provocar o outro.

Primeiro que Harry não considera isso um beijo, mas todos os amigos estúpidos de Louis decidiram (fizeram uma votação, unanimidade, ridículo) que sim, encostar seus lábios nos lábios de outra pessoa, mesmo que por um segundo e mesmo que seja para irritar o destinatário, é beijo.

Louis corre depois do não-beijo, rindo.

Harry tenta acertá-lo com o livro que está segurando, mas Louis corre em zigue-zague, pois conhece todos os movimentos de Harry. Ele o odeia por isso também.

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