3. A chegada dos franceses (1534)

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Em 20 de abril de 1534, duas embarcações saem de Saint-Malo, na França. Seu objetivo: encontrar uma nova rota para a China. A tripulação dessas embarcações é composta por 61 homens. Depois de passar por várias ilhas (como a Ilha do Príncipe Eduardo), em 2 de Julho de 1534, Jacques Cartier (1491-1557 EC) descobre para os Franceses o Canadá, onde hoje é a província de Nova Brunswick.

Em 7 de julho de 1534, vários indígenas Micmacs vão ao encontro de Cartier e sua tripulação querendo fazer trocas. Eles estavam agora na região de Gaspésie. Em 24 de julho, na cidade de Gaspé, na província do Québec, em nome do Rei da França (François Première, 1494-1547 EC), Cartier declara essas "novas" terras, Território Francês.

Em seu diário de bordo, Cartier escreve que, após fincar uma cruz em Gaspé, o chefe de uma das Primeiras Nações, Donnacona, juntamente com três de seus filhos e um de seus irmãos, se aproximou do barco de sua embarcação. Segundo Cartier, "ele nos fez um grande discurso, nos mostrando a cruz e fazendo o sinal da cruz com dois dedos."

Pouco após, ainda na embarcação francesa, depois de conquistarem a confiança de Donnacona, Jacques Cartier e sua tripulação tentam explicar para o chefe indígena que os franceses gostariam de levar com eles dois dos filhos de Donnacona para a França e trazê-los na próxima viagem. E assim foi - provavelmente sem entenderem bem o que estava acontecendo, talvez pensando que se passariam apenas alguns dias, Domagaya e Taignoagny, filhos do chefe Donnacona rumaram ao desconhecido.

Levar cativos temporários era algo muito comum naquela época. Afinal de contas, toda expedição era financiada por alguém. Nesse caso, a expedição de Cartier era principalmente financiada pelo Rei da França, François Premier (ou Francisco Primeiro de França, como gostam os lusos). O Rei Francisco (Chico para os íntimos) tinha que ter uma prova de que Cartier não havia gasto a pequena fortuna num rolé pelo Caribe. O problema é que Jacquezinho não tinha conseguido chegar na Ásia. Não tinha como levar nenhum condimento como cravo, canela, pimenta e outras especiarias para Chico I. O jeito era pagar uma passagem 0800 pros ilustres filhos de Donacona (N.1).

Jacques Cartier ruma ao norte de Gaspé. Não achando o esperado caminho para a China, é decidido retornar para a França. Sem perceber, Jacques Cartier havia chegado à entrada do Rio Saint-Laurent (São Lourenço). Em 15 de Agosto os franceses saem do refúgio de Blanc-Sablon em direção a Saint-Malo. Chegam 20 dias mais tarde – em 5 de Setembro de 1534, levando consigo a "prova" de novas terras, os indígenas Domagaya e Taignoagny.

Durante a viagem para a França, bem como durante sua estadia lá, Domagaya e Taignoagny aprendem o Francês. Eles contam a Cartier que existe um rio (o Saint-Laurent) que leva a um reino misterioso – o Reino de Saguenay. Jacques Cartier fica empolgado. Ao apresentar os nativos ao Rei François I, Cartier mostra as possíveis vantagens de uma nova expedição ao Novo Mundo. O Rei autoriza uma nova expedição, consideravelmente maior que a outra, agora com três navios: a Grande Hermine, a Petite Hermine e o Émérillon.

NOTA 

1. Não pense que foi só Cartier que fez isso hein... Colombo e outros exploradores também haviam feito isso anos antes. Até Cabral, o "Descobridor do Brasil" levou alguns indígenas junto. No entanto, no caso de Cabral, segundo os escritos da viagem, eles haviam decidido não levar ninguém cativo. Parece que foram os próprios indígenas que decidiram pegar uma carona pra Europa, passando pela Índia. (Bueno, 2016, 100)

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