| T O M Á S |
Deixei o carro estacionado à porta. Abri a porta e desci do veículo, sentindo o vento tocar as minhas pernas apenas tapadas por uns calções de pano cinza. Tranquei-o após fechar a porta e dei dois passos na estrada vazia.
- Merda! – murmurei, lembrando-me de me esquecera da chave de casa dentro do carro.
Retrocedi os passos que tinha dado, destranquei o carro, abri a porta e inclinei-me sobre o banco do condutor, para conseguir chegar ás chaves que repousavam no outro banco.
Dei as passadas necessárias para chegar até casa, abrindo a porta e adentrando na habitação que me recebeu mais calorosamente que a rua. Deduzia que a Joana estivesse na cama, por isso caminhei descontraidamente até à cozinha.
No fundo, por muita porrada que tenhamos levado da vida, nunca estamos verdadeiramente à espera do próximo ataque. Não quando parece que mais nada nos pode magoar, que não há como a ela se esmerar mais para nos deitar abaixo.
Quando entrei naquele compartimento, onde o máximo que queria fazer era o pequeno-almoço e lavá-lo para o quarto, encontrei a Joana encolhida no chão.
A minha cabeça ficou em branco, totalmente apanhada desprevenida para aquilo. O pânico alastrou-se rapidamente, o pavor de, no final das contas, a vida ter dado aquele tiro que finalizaria com tudo.
- Joana! – chamei correndo na sua direção.
Acocorei-me ao seu lado e virei-a para cima com cuidado. O seu rosto estava encharcado e com uma cor extremamente pálida. Ela abriu os olhos quando lhe toquei, dando-me a ciência de que chorava.
- Joana! – voltei a chamar. – Que se passa? Que se passa, Joana? Fala comigo, meu amor!
Apesar de tentar ser racional, o medo começou a tomar conta de mim. Uma máscara de dor dominou-lhe as feições, á medido que o seu corpo se tornava cada vez mais mole nos meus braços.
- Ela morreu, Tomás – A voz da Joana saiu fraca e rouca, demonstrando toda a dor que sentia o seu interior. – Ela morreu. – O seu olhar demonstrava que ela não estava totalmente comigo, era como se estive num outro mundo, num mundo só dela.
Um espasmo de dor trespassou-lhe o rosto, o que a vez envolver o ventre fortemente.
Tirei o telemóvel do bolso e liguei para a médica da Joana, relatando o que se passava. Ela disse que uma ambulância estava a caminho, mas eu aleguei que chegaria ao hospital mais rápido.
- Joana! – voltei a chamá-la com fragor, quando vi que os seus olhos se fechavam. – Não podes fechar os olhos, tens de ficar comigo, sim? Tens de ficar!
Tremendo todo por dentro, peguei na mulher, que carregava a minha filha, ao colo e levei-a para o carro. Conduzi que nem um louco até ao hospital, onde a equipa já tinha sido acionada.
Eles colocaram-na numa maca, enquanto lhe davam oxigénio e lhe mediam a tensão. Totalmente em pânico, eu ouvi os enfermeiros e médicos conversarem entre si, sem entender verdadeiramente o que diziam.
Eu só queria que a Joana ficasse bem e que a minha filha nascesse saudável. JÁ CHEGAM DE PROBLEMAS!
- Vai correr tudo bem – e murmurava e ela assentia com os olhos esbugalhados, como se ouvisse apenas a minha voz no meio de tanta confusão.
Não tirei um segundo os olhos da minha cacheada, nem lhe larguei a mão. Até vê-lha contorcer-se numa convulsão.
- Joana? JOANA! – alguém me agarrou, impedindo-me que a acompanhasse, apesar na minha força para que me soltassem. – Larguem-me! Eu quero ir com ela. É a minha mulher, porra! LARGUEM-ME!
Eu gritava que nem um louco, enquanto via a Joana afastar-se cada vez mais de mim. Dei uma cotovelada a um dos enfermeiros que agarrava nos meus braços e quase me soltei do outro, se uma seringa não tivesse sido espetada na minha pele.
- Vocês não me podem afastar dela! – eu chorava como um total perdido na terra, enquanto o meu corpo amolecia sem autorização. – Eu não posso perdê-la!
A aflição dominava totalmente o meu corpo. E o medo de a perder. Eu nunca conseguiria perder a Joana, tinha a perfeita noção de que seria o meu fim, se isso acontecesse. O meu rosto era banhado pelas lágrimas, quando toquei o chão.
***
- Espero que o senhor Tomás esteja mais calmo. Não o julgo, mas seria tempo de racionalidades. – Olhei para a enfermeira que entrava no quarto calmamente. – Imagino o desespero, mas precisamos de si calmo e que nos deixe fazer o nosso trabalho.
Ao tentar levar a mãos esquerda à cara, reparei que estava presa. Uma algema de verdade prendia-a à cabeceira da cama onde estava sentado.
- Que palhaçada é esta? – perguntei sentindo-me à beira de um colapso, puxando o braço.
- Tal como disse, precisamos que nos deixe fazer o nosso trabalho e o seu estado não estava a ajudar.
Inspirei fundo, sabendo que de nada valia descontar a minha frustração nas pessoas que apenas estavam naquele hospital para ajudar a Joana.
- Eu só quero saber como ela está. Sem reservas, por favor, tenho esse direito, não?
A enfermeira lançou-me um olhar doce e penoso ao mesmo.
- Serei a pessoa menos habilitada para lhe dar o diagnóstico completo – a senhora disse, passando a mão no cabelo, para apanhar as mexas invisíveis que lhe saiam do coque. – Mas a situação não é a melhor. O parte teve de ser induzido, uma vez que ela teve uma convulsão e a pressão estava elevadíssima. O bebé pode sair ileso, mas a sua esposa... ainda é cedo para diagnósticos finais.
Com a mão direita – a livre – limpei a lágrima que escorreu dos meus olhos.
- Eu não a posso perder – murmurei. – Vocês não podem deixar que eu a perca, têm de a salvar!
- Faremos os possíveis, senhor Tomás. Estamos aqui para ajudar, fazer tudo o que está ao nosso alcance para salvar toda a gente.
A enfermeira aconselhou-me que chamasse algum familiar, para que me pudessem soltar e ter a certeza de que ficaria calmo.
Tentei ligar à Iara Vanessa, mas ela simplesmente não atendeu a nenhuma chamada. Depois telefonei à Micaela, informando-a de toda a situação. Disse-lhe que a minha filha nasceria naquela manhã, mas que o futuro da Joana era incerto.
Em menos de nada tinha-a a meu lado, dando-me a triste notícia de que a Iara tinha falecido.
- Deduzo que tenha sido por isso que a Joana... que aconteceu isto.
- Ela é forte, Tomás. Já passaram por tanto, que vão passar por mais esta, sei que sim.
- Eu só não a posso perder. Se eu a perco, Micaela, eu perco-me a mim também. Eu preciso dela na minha vida, ela é a minha vida, entendes? Ela não pode simplesmente deixar-me assim, depois de tudo, é injusto!
O meu peito doía de uma forma que nunca sentira antes. A possibilidade de perder a Joana para sempre, sem a hipótese de a voltar a ver, sentir, ouvir... seria o mesmo que viver numa tortura eterna.
- Não a vais perder, Tomás, para com isso! – a Joana chorou comigo. – Não a vais perder.
O tempo parecia uma lesma, ninguém chegava com informações, toda a gente passava por nós e continuava o seu caminho. E eu sentia-me a puta de um miserável e incapaz. Só queria ter a chance de salvar a Joana, poder trocar de lugar com ela...
- Familiares de Joana Matias? – uma enfermeira parou ao nosso lado.
Assenti, sentindo-me estremecer. As palmas das minhas mãos estavam suadas e pela minha cabeça passaram milhares de coisas que poderiam sair da boca daquela mulher.
- A bebé nasceu.
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Olá, meus amores!
Com se sentem hoje?
Trago-vos o último capítulo de 2018.
Daqui a algumas horas entraremos num novo ano e espero que entrem em 2019 com o pé direito, e que ele vos reserve muita felicidade e amor.
2018 foi um ano cheio. Grande parte da minha felicidade deste ano se deve a vocês, que abriram os vossos braços para me receber aqui na plataforma de uma forma gigante. A cada comentário que leio, o meu coração enche-se de alegria. É algo sem igual.
E apesar das dificuldades que ultrapassei, vocês mantiveram-se firmes e continuaram comigo. Não existe forma de vos agradecer decentemente por tudo o que fizeram por mim. MUITO, MUITO OBRIGADA!!
Em 2019 pretendo presentear-vos com vários projetos que tenho em mente.
"Meu querido Oposto" está mesmo na resta final. Teremos mais três capítulos, no máximo dos máximos - já contando com o epílogo. Após nos despedirmos da Joana e do Tomás, que tanta alegria me deram, a minha ideia é me dedicar à série Desejo - com o livro da Sónia Catarina.
Espero que continuem comigo nesta aventura que é escrever cada livro, criar cada personagem como um indivíduo único.
Juntos, vamos fazer com que 2019 seja uma ano FANTÁSTICO!
Beijinhos verdadeiramente gigantes. E boa sorte para que consigam concretizar todos os vossos objetivos, todos os vossos desejos!
Amo-vos, mesmo não vos conhecendo pessoalmente, o meu amor por vocês é algo verdadeiramente gigante. 💖💕